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Sob pressão e de olho na adesão à UE, Zelensky avança em medidas anticorrupção exigidas por Bruxelas

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou nesta quinta-feira (31) que promulgou a lei que restabelece a independência dos órgãos anticorrupção, revertendo um texto anterior, criticado pela população ucraniana e pela União Europeia.

31 jul 2025 - 11h37
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O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou nesta quinta-feira (31) que promulgou a lei que restabelece a independência dos órgãos anticorrupção, revertendo um texto anterior, criticado pela população ucraniana e pela União Europeia.

Imagem distribuída pela presidência ucraniana mostra Wolodymyr Zelensky em entrevista coletiva em Kiev, em 24 de julho de 2025.
Imagem distribuída pela presidência ucraniana mostra Wolodymyr Zelensky em entrevista coletiva em Kiev, em 24 de julho de 2025.
Foto: AFP - HANDOUT / RFI

Nil Codina, da RFI, e agências

"Acabei de assinar o documento e o texto será publicado imediatamente", disse ele em uma mensagem no Telegram, comemorando o fato de que essa legislação garante "o funcionamento normal e independente" desses órgãos.

A pressão internacional e doméstica aumentou nas últimas semanas para que o governo ucraniano implementasse as reformas esperadas nas políticas anticorrupção, após a aprovação de uma medida que ameaçava a independência das agências responsáveis por combater a corrupção.

Segundo a ONG norte-americana OCCRP (sigla em inglês para Projeto de Denúncia do Crime Organizado e da Corrupção), essas agências investigam atualmente "figuras próximas a Volodymyr Zelensky, incluindo membros do gabinete presidencial liderado por Andrey Yermak".

Zelensky estreita o cerco contra a corrupção após a pressão internacional. O parlamento da Ucrânia votou hoje a contrarreforma sobre a independência das agências anticorrupção do país, depois de os próprios deputados terem centralizado esses poderes na Procuradoria apenas uma semana antes.

Agora, o presidente ucraniano recua, atendendo a um pedido direto de Ursula von der Leyen, feito por telefone no último domingo, em relação às manifestações em Kiev e à decisão da Comissão Europeia de bloquear € 1,5 bilhão em ajuda.

"O debate sobre os avanços concretos rumo à União Europeia e a reforma anticorrupção está agora definitivamente em crise na Ucrânia", afirma Kateryna Ryzhenko, vice-diretora da Transparência Internacional Ucrânia, em entrevista à RFI.

Três promessas não cumpridas

A independência dos organismos encarregados de combater a corrupção não é o único tema delicado na agenda de Zelensky. Na sexta-feira passada, a Comissão Europeia bloqueou o pagamento de um terço dos € 4,5 bilhões em ajuda a Kiev devido ao não cumprimento de três reformas prometidas: a descentralização da organização territorial, a seleção de juízes para o Tribunal Superior Anticorrupção e a regulamentação da agência ARMA, responsável por recuperar ativos oriundos de esquemas corruptos.

Em resposta à crescente pressão, Zelensky assinou no domingo a terceira dessas reformas, após duas semanas de espera pela ratificação e meses de bloqueio no parlamento. A reforma dessa agência é uma demanda "histórica" das organizações não governamentais, "desde antes da invasão russa", segundo Ryzhenko.

A assinatura final veio acompanhada de resistência por parte de muitos deputados. "Houve muita oposição política durante muito tempo e foi impossível realizar a reforma. Não havia apoio no Parlamento, já que se trata de ativos de processos penais de casos de corrupção, e o parlamento está cheio de deputados que automaticamente seriam afetados pelo bom funcionamento da agência de recuperação de ativos", explica Ryzhenko.

Tarefas pendentes

Com a reforma da ARMA aprovada, a entidade entra agora em um período de transição, no qual deverá renovar seus cargos executivos e colaborar de forma mais eficaz com as autoridades judiciais para investigar casos de corrupção, rastrear os ativos desviados, administrá-los e devolvê-los ao Estado.

Mas a lista de tarefas pendentes não termina aí. Os planos que Kiev desenvolveu junto com a União Europeia "contêm quase tudo o que precisa ser abordado nos próximos cinco anos para que a Ucrânia avance com sucesso rumo à União Europeia", continua Ryzhenko.

Entre as tarefas ainda incompletas estão a nomeação de um chefe para o Escritório de Segurança Econômica, a resolução das vagas de juízes por concurso público e uma lei que acompanhe as mudanças da ARMA no Código Penal — que ainda não foi registrada, segundo relata a equipe da Transparência Internacional em Kiev.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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