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Sob calor extremo, Paris cancela Marcha do Orgulho LGBTQIA+ e festival Solidays

O secretário de Segurança Pública de Paris, Patrice Faure, pediu, na manhã desta sexta-feira (26), o cancelamento de eventos de "grande porte" neste fim de semana na capital, devido à previsão de temperaturas extremas. As organizações da Marcha do Orgulho LGBTQIA+ e do festival de música Solidays, um dos maiores da França, anunciaram acatar o pedido sob a ameaça das autoridades de "proibi‑los por decreto".

26 jun 2026 - 10h49
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A Secretaria de Segurança Pública justificou o pedido pela "onda de calor excepcional que dura desde 21 de junho" e que "coloca à prova os serviços de resgate e os estabelecimentos de saúde". A situação é considerada extremamente grave nos hospitais e centros de saúde do país, que registram o aumento do fluxo de pacientes com hipertermia, desidratação e paradas cardíacas.

Imagem de arquivo da Marcha do Orgulho LGBTQIA+ em Paris, em 24 de junho de 2023.
Imagem de arquivo da Marcha do Orgulho LGBTQIA+ em Paris, em 24 de junho de 2023.
Foto: AFP - JULIEN DE ROSA / RFI

Inicialmente prevista para este sábado (27) em Paris, a Marcha do Orgulho LGBTQIA+, que em 2025 reuniu um milhão de participantes, foi adiada por tempo indeterminado. "Estamos seguindo a orientação do secretário de Segurança Pública. Pensamos em realizar a marcha em setembro, mas toda a equipe ainda precisa se reunir para decidir como vamos reagir", comentou Anouk Veyret, copresidente da ONG Inter‑LGBT, uma das organizadoras do evento.

"Consideramos que as autoridades cancelam. Estávamos confiantes no nosso dispositivo, não teríamos um grande número de vítimas, mas entendemos a questão da saúde pública e da sobrecarga dos hospitais", acrescentou. 

O diretor do festival Solidays, Luc Barruet, também lamentou o impacto da onda de calor. O cancelamento do evento deve retirar € 3 milhões da ONG Solidarité Sida, que financia programas de combate à Aids em cerca de 20 países. "É uma notícia muito, muito, muito ruim, mesmo que entendamos por que chegamos a esse ponto", declarou.

O festival estava programado para começar nesta sexta-feira e seguir até domingo (28), no hipódromo de Paris‑Longchamp, a oeste da capital. Considerado um dos maiores eventos musicais de Paris, o Solidays costuma reunir entre 200 mil e 250 mil pessoas por edição e é um dos destaques do verão europeu.

Eventos esportivos ameaçados pela onda de calor

O pedido da Secretaria de Segurança Pública de Paris também ameaça o Meeting de Atletismo de Charléty, no sul da capital. Cerca de 19 mil espectadores eram esperados no local no domingo, além de nomes de destaque como o saltador com vara sueco Armand Duplantis, o velocista americano Noah Lyles e a vice‑campeã olímpica francesa dos 100 metros com barreiras, Cyréna Samba‑Mayela.

A Federação Francesa de Atletismo (FFA), organizadora do meeting de Paris, afirmou não ter recebido, até o momento, nenhuma notificação oficial sobre a eventual proibição do evento. "Discussões estão sendo iniciadas com as diferentes instâncias responsáveis", informou a entidade.

Já a prefeitura da região dos Alpes‑Marítimos, no sudeste da França, anunciou nesta sexta‑feira o cancelamento das provas do Ironman, que reuniriam 4.500 atletas no domingo, em Nice. A decisão busca evitar o risco de sobrecarga dos serviços de emergência, "já fortemente mobilizados", segundo as autoridades locais.

Dois terços da França registram temperaturas extremas 

Após vários dias de calor extremo, a França continua nesta sexta‑feira sob uma onda de calor excepcional que atinge dois terços do país, com preocupações cada vez maiores sobre suas consequências para a saúde. O episódio já é comparável, em intensidade, à onda de calor de 2003, que causou cerca de 15 mil mortes no país, principalmente entre idosos.

Esse cenário é agravado por um padrão atmosférico conhecido como bloco ômega, formado por uma área de alta pressão quente e estável presa entre duas áreas de baixa pressão. O fenômeno bloqueia a circulação normal das massas de ar, mantendo o calor estagnado sobre a mesma região por vários dias e favorecendo a elevação contínua das temperaturas.

As autoridades sanitárias ainda não conseguem estimar o número de mortes ligadas à atual onda de calor, já que os efeitos podem se manifestar com atraso. Ainda assim, responsáveis do setor já alertam para o aumento de óbitos. Nesta manhã, o Ministério da Saúde declarou preocupação com pessoas que estão morrendo em casa por causa das altas temperaturas.

"Os pacientes idosos que permanecem em casa não recebem cuidados e ficam praticamente abandonados", afirmou Philippe Juvin, chefe do serviço de emergência do hospital parisiense Georges‑Pompidou. Segundo ele, há o risco de que, nos próximos dias, sejam encontradas pessoas em estado grave em suas residências, possivelmente já sem vida.

De acordo com um balanço atualizado do governo francês, ao menos 55 pessoas morreram afogadas ao tentar se refrescar desde o início da atual canícula. O Ministério dos Esportes teme que esse número "aumente ainda mais" nos próximos dias.

Com dois terços do território francês em alerta máximo para calor extremo, as temperaturas registram leve recuo nesta sexta‑feira, após o pico da véspera, quando 155 cidades bateram recordes. Ainda assim, os termômetros voltam a atingir 40°C no centro do país, enquanto Paris registra máxima de 39°C.

RFI com agências AFP e Reuters

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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