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Calor em Paris gera recorde de paradas cardíacas; governo reforça mobilização sanitária

Em Paris, 25 paradas cardíacas foram registradas "em 24 horas" ao longo da quarta-feira, contra "menos de 10 normalmente", de acordo com informações divulgadas pelo gabinete da ministra da Saúde, Stéphanie Rist, nesta quinta-feira (25).

25 jun 2026 - 12h56
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"Começamos a ter, como era esperado, as primeiras mortes" provavelmente ligadas às temperaturas extremas, explicaram os membros do gabinete durante uma coletiva sobre as consequências da onda de calor, sem dar maiores detalhes sobre os dados. Essas mortes "não dizem respeito apenas a pessoas idosas desidratadas", mas também a "jovens que sofrem paradas cardíacas". 

Em nível nacional, segundo as autoridades sanitárias, o número de atendimentos nos pronto-socorros foi multiplicado por quatro, por "motivos relacionados ao calor", e a rede SOS Médicos, de atendimento domiciliar, teve quatro vezes mais chamadas do que de costume "nas últimas 24 horas".

"A situação atingiu um novo patamar e se tornou uma crise que deve ser gerenciada com todos os recursos possíveis", avaliou o gabinete da ministra. "Começamos a ver cancelamentos de procedimentos e situações de saturação em alguns serviços de terapia intensiva", mas "não estamos em um estágio de cancelamentos massivos" e "tudo isso está, por enquanto, sob controle", assegurou o ministério.

As temperaturas devem diminuir no final de semana, mas "a pressão continuará forte", já que haverá agravamentos de doenças crônicas que "às vezes ocorrem entre cinco e dez dias depois".

A ministra Stéphanie Rist deve assinar, nesta quinta ou sexta, um decreto que permitirá "mobilizar estudantes para reforçar" os serviços de atendimento e ativar a reserva sanitária. Nos serviços de emergência, "há sinais pontuais em algumas regiões", como na Île-de-France, onde fica Paris, declarou a ministra.

Segundo o prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, a "situação é bastante crítica" na capital. Ele acrescentou sem detalhar os números, que a "mortalidade está em alta". De acordo com o prefeito, além dos idosos, muito monitorados após a alta mortalidade registrada em 2003, as pessoas em risco são aquelas entre 50 e 70 anos que "mantêm suas atividades normais".

Mobilização sanitária

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou nesta quinta que a mobilização do sistema de saúde seria elevada ao seu nível mais alto. O objetivo é "resistir no longo prazo" diante de uma onda de calor "excepcional" que "não diminui" e de uma pressão sanitária que "continua a se intensificar".

"Decidi ativar o plano Orsan no nível 3, o mais elevado de mobilização sanitária", escreveu o primeiro-ministro na rede X. Isso permitirá "reforçar o efetivo hospitalar" por meio da reserva sanitária, "reforçar a coordenação" entre hospitais, medicina ambulatorial, clínicas e o setor médico-social, e "adaptar" as atividades hospitalares com "cancelamentos direcionados de procedimentos não urgentes", se necessário.

"Nosso objetivo permanece o mesmo desde o primeiro dia: permitir que nosso sistema de saúde resista no longo prazo e proteger os mais vulneráveis", acrescentou. O plano Orsan permite "organizar o aumento de capacidade do sistema de saúde" diante de grandes crises sanitárias, como ondas de calor. Ele tem quatro níveis.

O nível 3 corresponde a uma "gestão de crise", em caso de "tensão elevada", enquanto o nível 4 é o de pós-crise, com retorno à normalidade. O governo se prepara para um aumento no número de pacientes nos pronto-socorros nos próximos dias, quando os organismos mais fragilizados cederem.

A agência Saúde Pública França observou, no início da semana, um pico inédito de atendimentos de emergência devido ao calor intenso, envolvendo pessoas de todas as idades. Criticado por não ter antecipado suficientemente esse tipo de crise climática, o governo tenta não repetir os erros da onda de calor de 2003, que causou cerca de 15 mil mortes.

O primeiro-ministro ativou no sábado a célula interministerial de crise, que desde então se reúne diariamente e que ele já presidiu duas vezes.

Criança morre em carro

Uma criança de 3 anos morreu na quarta-feira no fim da tarde após permanecer sozinha em um carro em Saint-Gratien, no departamento de Val-d'Oise, 17 km ao norte de Paris, em plena onda de calor. O menino foi encontrado pelos pais no veículo estacionado em frente à residência. De acordo com as primeiras informações, a mãe dormia com o outro filho do casal, de 18 meses, enquanto o pai trabalhava em um abrigo no jardim, explicou o procurador Guirec Le Bras.

Depois que o pai pediu ao filho de 3 anos que tirasse uma soneca, a criança "teria interrompido o descanso e, escapando da vigilância dos pais por ao menos 45 minutos, teria ido até o veículo, cujas portas não estavam trancadas, apesar de o sistema de segurança infantil estar acionado".

"Ela teria então ficado presa dentro do veículo antes de ser encontrada inconsciente pelos pais", acrescentou. A mãe, "em estado de choque", foi hospitalizada, e uma investigação por homicídio culposo foi aberta.

A França registrou na quarta-feira o dia mais quente desde o início das medições, superando o recorde da véspera, com um indicador térmico nacional de temperatura média de 30°C, em valor provisório. A onda de calor que atinge o país, assim como grande parte da Europa há quase uma semana, também já provocou mais de 40 afogamentos no território e a morte de várias pessoas em situação de rua.

Com agências

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