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Onda de calor: hospitais em Paris estão 'saturados'; consumo e venda de álcool são proibidos

A onda de calor está lotando os hospitais franceses, e os estabelecimentos estão "saturados" na capital e em sua região metropolitana, disse o secretário de Segurança Pública de Paris, Patrice Faure, nesta quinta-feira (25). Ele decidiu proibir, a partir de sexta-feira, o consumo e a venda de álcool na capital. "Estamos chegando a uma 'saturação' dos estabelecimentos hospitalares", declarou, destacando que "o número de internações não para de aumentar".

25 jun 2026 - 16h23
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"Meu dever", continuou, durante uma coletiva de imprensa, "é evitar que o sistema hospitalar entre em colapso". O nível de saturação do sistema hospitalar "não foi ultrapassado"; ele está "saturado", insistiu. "A pressão deve diminuir", acrescentou. Ele citou diversas medidas de prevenção, incluindo um decreto que proíbe o consumo de álcool do meio dia às 7h da manhã do dia seguinte, a partir de sexta-feira até domingo.

A ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist (à esq.), e o secretário de Estado responsável pelo Meio Ambiente, Mathieu Lefevre (centro), visitam o hospital Paris-Saclay, em Orsay, sudoeste de Paris.
A ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist (à esq.), e o secretário de Estado responsável pelo Meio Ambiente, Mathieu Lefevre (centro), visitam o hospital Paris-Saclay, em Orsay, sudoeste de Paris.
Foto: AFP - DIMITAR DILKOFF / RFI

"Essa proibição não se aplica às áreas do espaço público regularmente ocupadas por restaurantes e estabelecimentos autorizados a vender bebidas", detalha a polícia em seu decreto. A venda de bebidas alcoólicas para consumo fora do local também está proibida, durante o fim de semana, das 18h até as 7h da manhã. "Essa proibição também se aplica a estabelecimentos comerciais que vendem exclusivamente essas bebidas."

Segundo Faure, o número de intervenções da Brigada de Bombeiros de Paris dobrou e ultrapassou "mais de 2.500 atendimentos" nesta quinta-feira. Patrice Faure também mencionou a possibilidade de cancelamento por decreto da Marcha do Orgulho no sábado, seguida de um show na praça da República, e do festival Solidays, que começa na sexta. De acordo com ele, a decisão será tomada após uma reunião da célula interministerial de crise nesta quinta-feira à noite.

Governo defende medidas

O premiê francês, Sébastien Lecornu, elevou na quinta-feira a mobilização do sistema de saúde ao nível máximo diante da onda de calor excepcional e defendeu que o governo não "deixou de agir" na adaptação do país às mudanças climáticas.

A medida permite "reforçar os efetivos hospitalares" com a ajuda da reserva sanitária, "intensificar a coordenação" entre hospitais, medicina ambulatorial, clínicas e o setor médico-social, e "adaptar" as atividades hospitalares com "cancelamentos direcionados de procedimentos não urgentes", se necessário.

O presidente Emmanuel Macron, por sua vez, destacou o "grande trabalho" de adaptação realizado durante seus dois mandatos no combate ao aquecimento global, insistindo que a atual onda de calor é "totalmente inédita".

"Não se adapta a um pico que não tem equivalente hoje na Europa nem em nossa história", declarou à imprensa durante uma cúpula franco-italiana em Antibes. "Nosso objetivo permanece o mesmo desde o primeiro dia: permitir que nosso sistema de saúde resista no longo prazo e proteger os mais vulneráveis", acrescentou. O governo se prepara para um aumento no número de pacientes nas emergências nos próximos dias.

Os próprios hospitais também enfrentam, por vezes, temperaturas elevadas. O premiê confirmou que os recursos destinados à reforma energética dos estabelecimentos entre 2026 e 2035 serão elevados para € 600 milhões. Ele afirmou que "muita coisa foi feita", mas reconheceu que "ainda há muito a fazer" e que é preciso avançar mais rapidamente, "com método e pragmatismo", em parceria com as autoridades locais.

Renovação das escolas

O governo também busca evitar repetir os erros da onda de calor de 2003, que provocou 15 mil mortes, muitas delas de idosos. Nesse contexto, propõe mobilizar novamente os carteiros para que, em suas rotas diárias, possam "realizar visitas de verificação", especialmente a idosos e pessoas isoladas, a fim de "detectar situações preocupantes".

A longo prazo, o governo argumenta que, se o país enfrenta hoje um déficit público, isso se deve ao fato de já investir recursos significativos nessas políticas. Ele também afirma que caberá aos prefeitos liderar "um esforço importante de renovação das escolas" e pediu a seus ministros que trabalhassem em vários cenários, incluindo a hipótese de uma onda de calor que se estenda por "boa parte do mês de julho".

Com agências

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