Scotland Yard: Londres deve se orgulhar de ação policial
O principal responsável da Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres), Tim Godwin, defendeu nesta sexta-feira a Polícia britânica das críticas que recebeu na quinta-feira no Parlamento por sua atuação no início da série de distúrbios no Reino Unido.
Segundo Godwin, os comandantes tiveram que tomar decisões "valentes" em situações "muito complicadas". O responsável da Scotland Yard lembrou que os comentários negativos da gestão policial partem de "pessoas que não estavam ali", aparentemente se referindo ao fato de o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, e da ministra do Interior, Theresa May, estarem de férias quando a onda de violência teve início no sábado em Tottenham.
Em declarações à imprensa britânica, ele opinou que Londres "deveria se sentir muito orgulhosa" pela ação policial diante de uma onda de violência sem precedentes, na qual cinco pessoas morreram e mais de 1,5 mil foram detidas.
Ele também negou que seus homens não tenham atuado com a suficiente contundência, como foi afirmado. Seus comentários respondem às declarações feitas nesta quinta-feira por Cameron, que em uma sessão extraordinária no Parlamento considerou que a Polícia se equivocou no início ao tratar os distúrbios como atos de desordem em vez de tratá-los como ações criminosas.
O chefe da Scotland Yard ressaltou que as situações provocadas pelos distúrbios obrigaram os agentes a "tomarem grandes decisões com muitíssima rapidez" em "situações muito complicadas".
Além disso, afirmou que foram os policiais, e não os deputados, os que restabeleceram a ordem. O prefeito de Londres, Boris Johnson, manifestou seu total apoio a ação policial e elogiou o "fantástico" trabalho dos agentes durante os distúrbios.
Até o momento, 1.051 pessoas foram detidas em Londres por seu envolvimento nos distúrbios e 591 foram processadas, segundo os últimos dados da Scotland Yard.
Fim de semana
A polícia britânica se prepara para ocupar as ruas na sexta-feira, buscando evitar que o maior consumo de álcool no fim de semana leve ao reinício dos distúrbios que tomaram conta de Londres e outras cidades esta semana.
Steve Kavanagh, subcomissário-assistente da Polícia Metropolitana, disse que 16 mil agentes, em vez dos 2,5 mil habituais, permanecerão a postos em Londres, na sua maior mobilização em tempos de paz. Mesmo em épocas normais, distúrbios motivados pelo consumo de álcool são comuns nas ruas da Grã-Bretanha nos fins de semana.
Violência no Reino Unido
No início da noite de sábado, 6 de agosto, manifestantes iniciaram protestos em Nottingham, no norte de Londres, motivados pelo assassinato de um homem de 29 anos e pai de família, dois dias antes, pela polícia. Os protestos logo se desenvolveram em uma onda de violência que se arrastou noite adentro, quando grupos depredaram lojas e incendiaram carros, dando início ao pior episódio de violência urbana da história recente londrina.
Os tumultos diminuíram na manhã de domingo, mas ganharam nova força nos dias seguintes, irradiando para diversos bairros londrinos e até mesmo para outras cidades, como Manchester, Liverpool e Birmingham. A intensidade da violência levou centenas de policiais às ruas para conter os levantes. O premiê britânico, David Cameron, e o prefeito de Londres, Boris Johson, condenaram os tumultos, pelos quais mais de mil pessoas foram presas. Na madrugada de quarta-feira, outras três pessoas perderam a vida atropeladas em Birmingham e, na sexta-feira, Richard Mannington Bowes, 68 anos, que estava em estado crítico depois de ser ferido na noite de segunda, não resistiu e morreu no hospital, elevando para cinco o número de vítimas desde o início da onda de violência.