Mulher segura retrato artístico de Stalin durante cerimônia na Praça Vermelha, em Moscou
Foto: AFP
A Rússia recorda nesta terça-feira o 60º aniversário da morte do ditador soviético Josef Stalin, dividida entre os que o consideram um tirano que matou milhões de pessoas e aqueles que o consideram um herói que levou a URSS à vitória na Segunda Guerra Mundial e a transformou em uma superpotência.
Centenas de pessoas colocaram cravos vermelhos no túmulo do ditador soviético na Praça Vermelha, onde foi enterrado em 1961 depois de ser exibido durante vários anos ao lado de Lenin no Mausoléu.
"Aconteceu repressão, mas isto não deveria ofuscar a grandeza conquistada pelo país", disse Roman Fomin, um empresário de 48 anos. "Para muitas pessoas, Stalin significa vitória, crescimento econômico e prosperidade. Muitas pessoas desejam que retorne", completou.
O papel de Stalin na história da Rússia divide a sociedade.
Sua imagem é utilizada abertamente no Dia da Vitória para celebrar o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas as punições dos anos 30, a letal coletivização dos camponeses e a aterradora rede de campos de trabalhos forçados do Gulag durante a era de Stalin, que mataram milhões de pessoas, estão ausentes dos discursos públicos.
Idoso deposita florem em frente a retrato do ex-ditador soviético Josef Stalin durante cerimônia que lembra os 60 anos da morte do líder comunista, em Gori, na Geórgia. Stalin nasceu em Gori em 1879 e morreu em Moscou em 5 de março de 1953
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"Eu não ouvi nada sobre vítimas", afirmou Marat Muzayev, de 25 anos, natural de Kamchatka (Sibéria, leste de Rússia). "Stalin é a vitória sobre a guerra. Simboliza o amor pela pátria e pelo governo", completou.
O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, que foi presidente de 2008 a 2012, disse que sua opinião do legado de Stalin é "negativa" e, inclusive, tentou uma campanha para reduzir sua influência. Mas o presidente Vladimir Putin evita avaliar o líder soviético.
Segundo uma pesquisa do Centro Levada, 49% dos russos consideram que o papel de Stalin foi positivo, enquanto 32% não estão de acordo.
E 55% afirmaram que sua morte, em 5 de março de 1953, marca o final do terror e das purgas, assim como o retorno de muitas pessoas injustamente condenadas aos gulags. Apenas 18% afirmaram que associam a data com a perda de um grande líder.
A pesquisa também aponta que 55% são contrários à proposta das autoridades russas de devolver o nome da era soviética de Stalingrado à cidade de Volvogrado, um lugar que foi cenário de uma batalha crucial da Segunda Guerra Mundial.
Idoso deposita florem em frente a retrato do ex-ditador soviético Josef Stalin durante cerimônia que lembra os 60 anos da morte do líder comunista, em Gori, na Geórgia. Stalin nasceu em Gori em 1879 e morreu em Moscou em 5 de março de 1953
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O líder do Partido Comunista russo, Gennady Zyuganov, deposita flores em frente a túmulo de Stalin na Praça Vermelha, em Moscou. A Rússia lembra o aniversário da morte do antigo líder comunista dividida entre aqueles que o veem como um tirano responsável pela morte de milhões e os que o consideram o salvador da pátria que ajudou a União Soviética a sair vitoriosa da Segunda Guerra Mundial e transformá-la em uma superpotência
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Simpatizantes de Stalin depositam flores em frente ao seu túmulo na Praça Vermelha, em Moscou
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Georgianos realizam procissão para lembrar a morte de Stalin em Gori, sua cidade natal. Stalin governou a União Soviética de 1922 até sua morte, em 1953. A Geórgia se tornou independente em 1991 após a desintegração da superpotência
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Idoso exibe retrato de Stalin ao passar por igreja em Gori
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Idoso segura bandeira vermelha enquanto simpatizantes de Stalin realizam cerimônia para lembrar o aniversário de morte do ditador soviético
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Mulher segura retrato artístico de Stalin durante cerimônia na Praça Vermelha, em Moscou
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Comunistas russos e simpatizantes do ex-ditador celebraram o aniversário da morte de Stalin nesta terça-feira
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Stalin morreu aos 74 anos em sua dacha (casa de campo) nas proximidades da capital, mas a informação sobre a morte não foi comunicada pelas autoridades durante várias horas e muitas teorias sobre uma suposta conspiração sugerem que foi assassinado por seus íntimos.
O cadáver foi exibido em Moscou e gigantescas multidões tentaram ver o líder pela última vez. Historiadores acreditam que milhares de pessoas morreram esmagadas pela multidão durante o funeral, mas os números oficiais nunca foram publicados.
O canal nacional NTV começou a exibir um documentário em seis parte com o título "Stalin está conosco" durante o fim de semana passado. "Stalin sempre está conosco e nos divide como se fosse disputar amanhã as eleições", afirma o narrador do documentário.
"As tentativas de negar os crimes do Estado soviético estão destinados a fracassar", afirma o jornal econômico Vedomosti em um editorial. "Mas ainda não há um acordo sobre o significado do período de Stalin na história soviética", conclui.
Imagem não datada mostra Yossif V. Dzhugashvili, nome original de Josef Stalin: a morte do histórico líder soviético completa 60 anos nesta terça-feira, 5 de março de 2013
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Stalin (na imagem sob retrato de Karl Marx) acendeu ao topo da hierarquia soviética após a morte de Vladimir Lenin em 1924. Nascido em 1879, ele viria a morrer em 5 de março de 1953, vítima de uma hemorragia cerebral
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Foto de 1937 mostra Stalin, o "homem de aço" da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)
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Nesta fotografia não datada, Stalin segura sua família Svetlana. O líder fracassou como noviço antes de alistar nas fileiras revolucionárias dos bolcheviques que conquistaram o poder na Rússia imperial em 1917
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Foto histórica de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, mostra os três grandes líderes responsáveis pela derrota da Alemanha nazista reunidos em Yalta: o premiê britânico Winston Churchill, o presidente americano Franklin Delano Roosevelt e o líder soviético Josef Stalin
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Fotografia dos anos 1950 mostra Stalin observando o Mausoléu de Lenin durante parada militar de Moscou
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A imagem histórica da morte de Josef Stalin, durante seu funeral no dia 8 de março de 1953, em Moscou
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Membros do Partido Soviético e líderes do governo marcham no dia 9 de março de 1953 em procissão funeral em memória ao líder que teve o corpo embalsamado e depositado dentro do Mausoléu de Lenin
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Na Paris de março de 1953, pessoas leem as manchetes da morte de Josef Stalin
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Edição de 5 de março de 1953 do jornal russo 'Pravda' ('Verdade') anuncia o falecimento do líder máximo da URSS
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Parisiense lê comunicado público da morte de Josef Stalin editado pelo diário oficial do partido comunista francês 'L'Humanité' ('A Humanidade')
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Reprodução das primeiras linhas do início da cobertura da morte de Stalin pela agência francesa 'AFP'. No "flash" inicial lê-se: "Stalin morreu"
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Em 13 de janeiro de 1954, pessoas formam fila em frente ao Mausoléu de Lenin e Stalin, na Praça Vermelha de Moscou
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