Extrema direita europeia se reúne na Itália em evento marcado por críticas à imigração
Várias milhares de pessoas se reuniram neste sábado (18) em Milão para um grande comício que contou, a convite do vice‑primeiro‑ministro italiano, Matteo Salvini, com a participação de diversos líderes europeus de extrema direita. Os discursos trataram de temas como imigração, segurança e contra as regras da União Europeia.
Os "Patriotas pela Europa", um dos grupos soberanistas do Parlamento Europeu, reuniram seus apoiadores diante do Duomo de Milão, "símbolo da cristandade", para este evento batizado de "Sem medo: na Europa, donos em nossa casa", durante o qual o termo "remigração" foi repetido várias vezes pelo público.
"No querido Viktor, você defendeu as fronteiras e combateu os traficantes de seres humanos e de armas. Continuemos juntos essa luta, pela liberdade e pela legalidade", declarou Matteo Salvini, secretário da Liga, partido italiano de extrema direita, no início de seu discurso, em referência à derrota eleitoral do primeiro‑ministro húngaro Viktor Orbán.
A algumas centenas de metros dali, uma manifestação organizada por várias associações antifascistas reuniu também milhares de pessoas, mantidas afastadas da praça do Duomo por um forte cordão policial.
"Hoje, a tragédia que prevíamos tornou‑se realidade: nosso povo, os habitantes originários da Europa, foi atingido por uma onda de imigração em massa, imigração ilegal, principalmente vinda de países islâmicos", declarou Geert Wilders, líder do partido de extrema direita holandês, diante de uma multidão de bandeiras italianas e cruzes de São Jorge.
"Estou aqui em Milão para tranquilizá‑los: nossa vitória na próxima eleição presidencial está próxima. E estamos nos preparando para dizer adeus a Macron", afirmou o francês Jordan Bardella, presidente do Reunião Nacional (RN), falando em italiano.
"Com Marine Le Pen, travamos uma luta existencial para fazer da França uma grande potência novamente", acrescentou, afirmando que uma "vitória do Reunião Nacional na França não será apenas uma vitória francesa", mas "de todas as nações da Europa".
"O governo italiano é um governo amigo", declarou ainda Bardella em entrevista antes do comício, "e espero que amanhã possamos trabalhar juntos".
Também convidados pelo vice‑primeiro‑ministro do governo ultraconservador de Giorgia Meloni, a grega Afroditi Latinopoulou, o espanhol Santiago Abascal e o primeiro‑ministro tcheco Andrej Babiš, estes dois últimos por vídeo, também se pronunciaram.
Um encontro paralelo de líderes progressistas, reunindo o primeiro‑ministro espanhol Pedro Sánchez, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, acontecia simultaneamente em Barcelona.
Suspensão do Pacto de Estabilidade
"Em Bruxelas, é hora de parar e suspender esse monstro ideológico chamado 'Green Deal', que não tem nada de verde. Um conjunto de regras, restrições e impostos absurdos que estão empobrecendo as empresas italianas e europeias, em benefício das empresas chinesas e da especulação financeira", afirmou Matteo Salvini no palco, lembrando que "Paz, trabalho e segurança" seriam as palavras‑chave da manifestação em Milão.
Ele também reiterou o compromisso da Liga com a paz, especialmente no Oriente Médio.
O partido de extrema direita pede, assim como o governo italiano, que a Comissão Europeia permita que os países da União suspendam as regras sobre déficits para ajudar cidadãos e empresas a enfrentar a crise energética desencadeada pela guerra no Irã.
É preciso "suspender essas regras fora da realidade, que são as do Pacto de Estabilidade, e que estão travando nossa economia", insistiu Salvini, afirmando que "em um momento excepcional, é preciso fazer escolhas corajosas".
Se "uma resposta positiva não chegar em poucos dias, e não em alguns meses, agiremos sozinhos", acrescentou.
A manifestação também serve para que a Liga, em queda constante nas pesquisas, tente se reafirmar em seu reduto na Itália. O partido aparece com cerca de 6% a 8% das intenções de voto nos levantamentos mais recentes. Obteve 17,35% nas legislativas de 2018 e 8,8% nas de 2022.
Com AFP
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