Primeiro-ministro francês rejeita acusações de violência policial em protestos estudantis
As manifestações de estudantes do ensino médio continuam na França nesta quarta-feira (7), e um novo dia de protestos está previsto para quinta-feira (8). Enquanto tenta conter a crise, o governo promete apresentar até o fim de outubro as primeiras respostas às reivindicações do movimento. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, reconheceu a legitimidade das demandas dos manifestantes, mas rejeitou as acusações de uso desproporcional da força pela polícia para dispersar estudantes nas ruas.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, e o governo rejeitaram acusações de violência policial em protestos estudantis, que já deixaram mais de 300 feridos e dezenas de escolas danificadas, afetando 30 mil alunos. Apesar de reconhecer a angústia dos jovens e prometer medidas para o final de outubro, o Executivo afirma que a mobilização recua. Já os líderes estudantis e sindicatos cobram ações orçamentárias concretas e mantêm bloqueios, convocando novos atos para quinta-feira.
Segundo o ministro da Educação, Édouard Geffray, 215 estudantes ficaram feridos desde o início das mobilizações, a maioria em consequência de "comportamentos imprudentes". Outros 88 profissionais da rede de ensino também sofreram ferimentos. Dezoito investigações da Inspetoria-Geral da Polícia Nacional (IGPN), órgão responsável por apurar a atuação policial, estão em andamento.
O ministro informou ainda que cerca de 30 mil alunos ficarão sem aulas presenciais por várias semanas em razão dos danos causados a 24 escolas incendiadas ou vandalizadas durante os protestos. Nesta quarta-feira, 276 estabelecimentos permaneciam totalmente fechados e outros 183 operavam apenas parcialmente.
Apesar disso, o governo afirma que a mobilização está recuando. Segundo as autoridades, 459 escolas registravam suspensão total ou parcial das atividades, contra 891 no dia anterior.
Em pronunciamento oficial, o primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu reconheceu a legitimidade das preocupações dos manifestantes. "A raiva dos jovens não surge do nada. Ninguém pode ficar indiferente às angústias que eles expressam", declarou, acrescentando que as primeiras decisões do governo serão anunciadas "no final de outubro".
Lecornu também rejeitou acusações de repressão policial. "As forças de segurança não têm instruções para confrontar os estudantes do ensino médio", afirmou, na véspera de uma nova jornada de mobilização marcada para quinta-feira.
Mais cedo, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, defendeu a atuação da polícia perante deputados. Segundo ele, é "exagerado falar em repressão policial" ao movimento, e as forças de segurança não são "responsáveis pelas violências" denunciadas desde o início dos protestos.
"Não há intervenção das forças de segurança quando se manifesta de forma pacífica", disse o ministro.
Estudantes cobram medidas concretas
Representantes de organizações estudantis do ensino médio e universitário pediram nesta quarta-feira uma reunião com o primeiro-ministro para a próxima semana. Eles argumentam que, até agora, não houve respostas concretas às reivindicações apresentadas aos ministérios da Educação e do Ensino Superior.
"Temos propostas com impacto orçamentário que vamos apresentar. Por isso, pedimos já para a próxima semana uma reunião com o primeiro-ministro Sébastien Lecornu", afirmou Ryad Rani, presidente da União Sindical dos Estudantes do Ensino Médio (USL), após encontro com o ministro responsável pelas universidades, Philippe Baptiste.
As reivindicações dos estudantes deverão ser incorporadas em propostas e emendas que serão discutidas durante a análise do orçamento da Educação na Assembleia Nacional, prevista para 12 de novembro.
Enquanto isso, bloqueios continuam em diversas cidades. Em Paris, estudantes do Lycée Colbert, no 10º distrito da capital, mantiveram barricadas diante da escola nesta quarta-feira. Sindicatos da Educação também convocaram greve e manifestações para quinta-feira em apoio ao movimento estudantil.
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