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Portugal luta para controlar incêndio mais fatal de sua história

18 jun 2017
20h53
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Portugal luta para controlar o incêndio que arrasa desde sábado a região central do país e que já é o mais fatal da história, com um balanço provisório de 61 mortos e 62 feridos.

O incêndio se concentra no município de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, uma região do centro do país caracterizada por vilas pequenas e dispersas, além de enormes planícies cortadas por várias rodovias.

As estradas, cercadas de vegetação, foram o epicentro de uma tragédia sem precedentes no país, como disse o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, no posto de controle instalado pelo governo em Pedrógão Grande para reunir as informações sobre o incêndio, cada vez mais devastador.

O balanço de mortos que, "muito provavelmente" será elevado, segundo Costa, foi sendo atualizado rapidamente ao longo do dia, quando as equipes de bombeiros conseguiram chegar às regiões transformadas em infernos durante à noite. Atualmente, já são mais de 700 homens combatendo o fogo, com apoio aéreo de Espanha e França.

Foi com a chegada do sol que as autoridades encontraram o centro da tragédia: uma estrada que une os municípios de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, onde 30 pessoas morreram presas dentro de seus veículos.

"Havia famílias inteiras", disse o secretário de Administração Interna de Portugal, João Gomes. "Era um cenário horrível, onde dezenas de pessoas ficaram presas em uma estrada rodeada pelas chamas", lamentou.

Outras 17 pessoas morreram nas margens das estradas. Outros dez corpos foram encontradas no entorno rural das rodovias. Entre os feridos, quatro estão em estado grave nos hospitais próximos.

Em Portugal, onde os incêndios são frequentes durante o verão, o incidente teve um imenso impacto na população, que não entende como as chamas se espalharam de forma tão intensa.

O próprio Gomes reconheceu nas primeiras horas após o início do incêndio que o fogo se propagou "sem qualquer explicação".

A Polícia Judicial de Portugal descartou qualquer intencionalidade e indicou que o impacto o impacto de um raio contra uma árvore como causa mais provável do incêndio.

Os fortes ventos registrados no sábado, unidos a temperaturas superiores a 40 graus, foram os motivos da rápida propagação. A combinação se repetiu nas últimas horas e têm complicado os trabalhos de combate ao fogo.

Permanecem ativos quatro focos, dois deles de "extrema violência", segundo Gomes. Isso fez com o governo emitisse alerta para várias vilas próximas. Mais de 400 funcionários da Previdência Social foram enviados para a região para atender a população.

Escolas estão fechadas e mais de cem pessoas foram evacuadas por causa do risco que algumas dessas vilas correm.

Ao mesmo tempo, os bombeiros continuam o trabalho de busca e identificação das vítimas.

O primeiro-ministro disse que todos os recursos disponíveis foram mobilizados para Leiria. Além disso, a Espanha se comprometeu a enviar mais dois aviões para ajudar no controle do incêndio.

O governo de Portugal decretou três dias de luto nacional a partir deste domingo. O presidente do país, Marcelo Rebelo de Souza, pediu união aos portugueses e solidariedade.

"Concentremos agora nossa vontade no essencial: seguir com o combate ao incêndio em curso", disse Rebelo de Souza em um pronunciamento exibido pela televisão.

"A nossa dor neste momento não pode ser medida, assim como nossa solidariedade. Agradeço pelo incondicional apoio de nossos bombeiros, membros da Defesa Civil, policiais e outras autoridades que trabalham para conter o avanço das chamas e atender às necessidades dos afetados", disse o presidente.

EFE   

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