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Pobreza e desigualdade social atingiram na França, em 2023, maior nível em 30 anos

O nível de pobreza da França chegou a 15,4%, de acordo com o relatório mais recente do Instituto Nacional de Estatísticas francês, o Insee, o mais alto desde 1996.

8 jul 2025 - 10h51
(atualizado às 12h12)
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O nível de pobreza da França chegou a 15,4%, de acordo com o relatório mais recente do Instituto Nacional de Estatísticas francês, o Insee, o mais alto desde 1996. 

Um cliente coloca um item em uma sacola do "Banco de Alimentos".
Um cliente coloca um item em uma sacola do "Banco de Alimentos".
Foto: AFP - MEHDI FEDOUACH / RFI

De acordo com a Pesquisa de Impostos e Seguridade Social Francesa (ERFS), publicada na segunda-feira (7), 9,8 milhões de franceses vivem abaixo do considerado nível de pobreza para o país, sobrevivendo com € 1.288 (cerca de R$ 8.300) por mês, menos do que o salário-mínimo francês. 

Para se ter uma ideia do custo de vida na França, o preço do aluguel de um apartamento de 45 m² no país, em média, gira em torno de € 670 (R$ 4.300) e os gastos mensais de uma família de três pessoas com alimentação, segundo o Insee, gira em torno dos € 400 (R$ 2.600).

Outra informação relevante do relatório é sobre o aumento das desigualdades. Em 2023, este indicador também subiu, chegando aos níveis mais altos dos últimos 30 anos, levados por uma queda do padrão de vida dos mais pobres, juntamente à elevação do nível dos mais ricos.

Em 2023, os 20% mais pobres ganharam 4,5 vezes menos que os 20% mais ricos. 

Aumento da desigualdade

De maneira geral, o padrão de vida mediano aumentou em 0,9% na França em 2023, de acordo com o relatório, levando em conta a inflação (média de 4,9% em 2023, após um aumento de 5,2% em 2022).

No entanto, este aumento não favoreceu as famílias de baixa renda, que tiveram um declínio do padrão de vida, após terem vivido uma certa estabilidade em 2022. Ao contrário, a renda dos 10% mais pobres encolheu 1%.

Já o padrão de vida das famílias mais ricas aumentou significativamente após um ligeiro declínio em 2022. A renda dos 10% mais ricos, aumentou 2,1%. A maior parte deste aumento se deve aos rendimentos de investimentos financeiros e abatimentos fiscais. 

"Este é um nível nunca visto em quase 30 anos. Para encontrar uma situação comparável, é preciso voltar à década de 1970", enfatiza Michel Duée, chefe do Departamento de Recursos e Condições de Vida das Famílias do Insee. O perfil dos pobres, no entanto, permanece praticamente inalterado: "desempregados, famílias numerosas, famílias monoparentais", estima. Estas últimas são particularmente afetadas, com uma taxa de pobreza de 2,9 pontos percentuais, bem acima da média nacional. "Uma em cada quatro pessoas em famílias numerosas vive abaixo da linha da pobreza", explica Michel Duée.

Fim de subsídios

Uma das principais causas deste aumento da pobreza, segundo o Insee, "é o fim de auxílios excepcionais, como o subsídio contra a inflação e o bônus excepcional de volta às aulas, que foram introduzidos em 2022 para apoiar o poder de consumo", acrescenta. "Outro elemento explicativo é o aumento, entre os trabalhadores independentes, da proporção de microempreendedores com baixos rendimentos."

Organizações sem fins lucrativos vêm alertando há vários anos sobre a contínua deterioração da vida cotidiana dos mais vulneráveis na França. "Vemos isso claramente na distribuição de alimentos: a partir do dia 10, não é mais o fim do mês que é difícil, é o começo", observa Lotfi Ouanezar, CEO da associação Emmaüs Solidarité.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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