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Papa denuncia tendência a educação elitista: "Educar é incluir"

9 jun 2017
14h47
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O papa Francisco denunciou nesta sexta-feira que alguns países investem pouco na formação dos jovens, "elitizando a educação" e excluindo os mais pobres, durante a inauguração da sede romana da fundação "Scholas Occurrentes".

"Há um perigo muito grande na vida da educação dos jovens. O da elitização. Cada vez os orçamentos para a educação em alguns lugares vão se cortando e se cria uma elite de quem pode pagar pela educação", disse o pontífice durante uma videoconferência com jovens de diferentes países.

E acrescentou: "Ficam fora meninos e meninas que não têm educação. Educar não é saber coisas senão ser capaz de usar as três linguagens. A do coração, das mãos e da cabeça. Educar é incluir".

Após escutar as experiências de jovens da "Scholas" de países como Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México e Paraguai, o papa lembrou que "na educação selecionamos mal", já que a sociedade está "acostumada a excluir, selecionar, agredir e menosprezar".

O papa também alertou dos efeitos da globalização, um fenômeno que, na sua opinião, "é bom", mas que implica o risco de fazer do mundo "uma bola de bilhar" composta por pessoas e povos idênticos e sem particularidades.

"Em uma esfera todo ponto é equidistante do centro, tudo é igual, e então se anulam as características pessoais de um menino ou menina. 'Ou te fazes igual ao sistema ou não és, não existes'. O mesmo para os povos", explicou o papa.

Para Francisco, "a verdadeira globalização é um poliedro onde, sim, buscamos a unidade, mas cada um mantém sua própria peculiaridade, a sua própria riqueza".

O pontífice explicou aos jovens, conectados por computador, que cada pessoa "tem um sentido" que deve ser "compartilhado com os demais".

"Uma vida que não se compartilha com os outros, sabem para que serve? Para o museu, e não acredito que nenhum dos senhores queira acabar em um museu", comentou entre risos.

O papa conversou com os jovens após a inauguração no palácio de São Calisto, no bairro romano de Trastevere, da sede da Fundação "Scholas Occurrentes", organização criada por Francisco há 20 anos, quando era arcebispo de Buenos Aires.

A fundação "Scholas", desde agosto de 2013 uma organização de direito pontifício, está presente em 190 países com uma rede que abrange 446.133 escolas de todas as confissões religiosas, laicas, públicas e privadas, segundo a própria organização.

O seu objetivo fundamental é "o apoio da cultura do encontro para a paz mediante a educação, a tecnologia, a arte e o esporte" entre os jovens.

EFE   

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