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Obra-prima de Rubens esquecida por mais de 400 anos é leiloada por quase € 3 milhões em Versalhes

Uma obra-prima de Peter Paul Rubens, esquecida por mais de 400 anos, foi vendida por € 2,9 milhões em leilão em Versalhes, nos arredores de Paris. Trata-se de um Cristo crucificado, iluminado e destacado do céu, criado pelo mestre barroco no auge de sua carreira. Encontrada por acaso em 2024 durante um inventário em um palácio em Paris, a pintura passou por análises científicas que confirmaram sua autenticidade, consolidando-se como um tesouro artístico raro e histórico.

1 dez 2025 - 15h57
(atualizado às 16h00)
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Nascido em Antuérpia, Bélgica, Rubens, que era protestante e se converteu ao catolicismo, fez deste quadro uma profissão de fé, refletindo seu apreço por Cristo, tema recorrente em sua obra. É a única pintura do artista em que se vê sangue e água saindo do lado de Cristo, algo que ele representou apenas uma vez.

Foto de arquivo de 11 de setembro de 2025 da pintura "Crucificação de Jesus Cristo" do mestre barroco Peter Paul Rubens.
Foto de arquivo de 11 de setembro de 2025 da pintura "Crucificação de Jesus Cristo" do mestre barroco Peter Paul Rubens.
Foto: AFP - IAN LANGSDON / RFI

O aspecto mais impressionante é que a obra estava desaparecida desde 1613. Mais de 400 anos de busca terminaram em 2024, quando o quadro foi encontrado por acaso durante um inventário em uma mansão em Paris, no contexto de uma sucessão, um evento raríssimo. Os proprietários, William Bouguereau e sua filha, haviam adquirido o quadro no século XIX, provavelmente sem ter noção de seu valor, que passou de geração em geração.

Segundo a casa de leilões Osenat, a pintura passou por Alemanha e Bélgica para verificação, e especialistas confirmaram que se tratava de um Rubens, e não de um discípulo. Foram realizadas análises científicas e exames microscópicos, que revelaram o uso de pigmentos brancos, pretos e vermelhos nas áreas da carne, além de azuis e verdes, característicos da representação da pele humana pelo artista.

Quadros "escondidos" na França

Nos últimos anos, a França voltou a revelar quadros antigos, mantidos por décadas (ou séculos) em coleções privadas, que ressurgem de forma inesperada e alcançam valores expressivos em leilões. Um exemplo recente é o de uma pintura até então desconhecida de Pierre‑Auguste Renoir, intitulada L'enfant et ses jouets - Gabrielle et le fils de l'artiste, Jean. A obra, que retrata o filho do artista em companhia da babá, nunca havia sido exibida nem leiloada publicamente. Em 2025, foi vendida em Paris por € 1,8 milhão, surpreendendo o mercado e recolocando‑a no radar de colecionadores e historiadores. 

Em 2025, uma pintura de Picasso intitulada Busto de Mulher com Chapéu de Flores (Dora Maar), — retrato de sua musa e parceira Dora Maar — reapareceu após mais de 80 anos sem exposição pública, mantida numa coleção particular desde 1944. Quando foi levada a leilão em Paris, a obra atingiu o valor de € 32 milhões, batendo recorde de valor na França daquele ano e provocando grande comoção no mercado e na crítica. 

Outro caso recente se refere a uma tela do pintor barroco francês Lubin Baugin — uma natureza morta até então desconhecida — que veio à luz em 2025, durante o inventário de uma coleção privada. Em leilão na França, esta obra superou as expectativas e foi arrematada por € 550 mil, estabelecendo um novo recorde para o artista.

Esses achados expõem a dimensão imprevisível e fascinante do mercado de arte: às vezes, o que parecia apenas uma pintura esquecida em um sótão ou herança familiar pode revelar‑se uma peça de grande valor histórico e artístico. O processo costuma envolver reconhecimento por leiloeiros atentos, análise de proveniência e, em muitos casos, exames científicos — pigmentos, técnicas de pintura, estilo — para confirmar a autenticidade e autorias, antes de serem apresentadas ao mercado.

Para colecionadores, museus e o público, essas redescobertas representam reaberturas de capítulos da história da arte, com chance de revisitar trajetórias de artistas pouco presentes nas coleções públicas. Ao mesmo tempo, reforçam que os acervos privados — muitas vezes negligenciados — podem esconder obras valiosas.

RFI com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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