'Não é a nova Covid', diz chefe da OMS antes da chegada de navio com foco de hantavírus em Tenerife
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, assegurou neste sábado (9) aos moradores de Tenerife que é "baixo" o risco de propagação de hantavírus relacionado à chegada de um navio de cruzeiro onde há um foco da doença. Segundo ele, a situação não pode ser comparada à pandemia de Covid-19.
"Preciso que vocês me ouçam claramente: essa não é uma nova Covid. O risco atual para a saúde pública relacionado ao hantavírus continua baixo", escreveu Tedros Adhanom Ghebreyesus em uma carta aberta dirigida à população da ilha espanhola de Tenerife. Com oito casos confirmados da doença, o MV Hondius, da operadora holandesa Oceanwide Expeditions, deve chegar no início da manhã de domingo (10) ao arquipélago espanhol.
"Eu sei que vocês estão preocupados", escreveu o chefe da OMS. "Eu sei que, quando vocês ouvem a palavra epidemia e veem um navio se aproximando de suas costas, memórias ressurgem - memórias que nunca apaziguamos totalmente. A dor de 2020 ainda é real, e eu não a minimizo nem por um instante", declarou ele, reconhecendo que a cepa andina do hantavírus é "grave".
O último boletim da OMS divulgado na sexta-feira (8) aponta para um total de oito suspeitos no barco que zarpou de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril. Entre os casos confirmados estão um casal de passageiros holandeses e uma alemã que morreram devido a complicações da doença considerada rara e transmitida principalmente por roedores.
Navio chega no domingo
O cruzeiro MV Hondius chegará às Canárias entre 3h e 5h de domingo (0h e 2h de Brasília), segundo o governo espanhol. As autoridades regionais se recusaram a autorizar o navio a atracar e decidiram que ele permaneceria ao largo de Tenerife enquanto os cerca de 150 passageiros fossem testados e depois evacuados.
Parte da tripulação permanecerá a bordo e seguirá depois para a Holanda. Três pessoas já haviam desembarcado em Cabo Verde na quarta-feira (6).
Ghebreyesus chegará neste sábado para coordenar a operação. Nesta manhã ele desembarcou em Madri, onde se reune com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.
As autoridades espanholas tentam tranquilizar a população de Tenerife, dividida sobre o desembarque de passageiros, que será feito com embarcações de apoio. Os viajantes não devem circular pela ilha e o governo espanhol afirma que não haverá contato de quem desembarcar com os moradores.
Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, os passageiros serão avaliados ainda a bordo, e só poderão deixar o navio quando toda a operação de repatriação estiver pronta. A ideia é fazer um desembarque rápido e controlado.
Do porto, as pessoas serão levadas diretamente para o aeroporto para serem repatriadas em voos para os Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos. De acordo com a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, todos os passageiros estrangeiros voltarão a seus países de origem após o desembarque, caso não haja contraindicação médica.
Após o final da operação, o navio seguirá para a Holanda, onde o governo e operadora Oceanwide Expeditions serão responsáveis por todo o processo de desinfecção, confirmou por sua vez o ministro espanhol do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
Origem do foco é desconhecida
Não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus. A doença é geralmente transmitida por roedores infectados e pode causar problemas respiratórios e cardíacos, além de febre hemorrágica.
Embora a origem do foco continue desconhecida, segundo a OMS, o primeiro contágio teria ocorrido antes do início da expedição. A cepa Andes, a única que pode ser transmitida de humano para humano, foi confirmada entre os passageiros que tiveram resultado positivo nos testes, alimentando a preocupação internacional.
O primeiro passageiro que morreu, um holandês de 70 anos, já apresentava sintomas em 6 de abril. Ele e a esposa haviam viajado pelo Chile, Uruguai e Argentina antes de embarcar.
Nos últimos dias, as autoridades sanitárias de vários países têm se esforçado para localizar as pessoas que estiveram em contato com os contaminados e casos suspeitos. O objetivo é isolá-los e realizar testes para que não possam espalhar a doença. O período de incubação do hantavírus varia de uma a seis semanas.
Com informações da AFP
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