MI5 armazenou dados de ligações telefônicas, segundo "BBC"
Os serviços secretos MI5 do Reino Unido armazenaram em segredo dados sobre as ligações telefônicas de um grande número de cidadãos britânicos para localizar suspeitos terroristas, informa nesta quinta-feira a emissora "BBC".
Este programa, que durou cerca de dez anos, não foi ilegal, mas foi autorizou com base em uma legislação "muito vaga", segundo a emissora.
O MI5, serviço de inteligência interno, armazenou as chamadas que foram feitas, mas não o conteúdo das conversas, e o objetivo era buscar suspeitos terroristas e seus contatos.
Segundo a "BBC", o programa era "tão secreto que inclusive poucos no MI5 estavam sabendo disso".
O especialista legal independente David Anderson, que ajudou o governo a redigir um novo projeto de lei de segurança, disse à emissora que a legislação utilizada para autorizar esta medida era "tão vaga que qualquer coisa podia ser feita em virtude dela".
"Não foi ilegal no sentido de que estava fora da lei, mas a lei era tão geral e a informação tão pequena que ninguém sabia o que estava sendo feito", acrescentou Anderson, sem fornecer mais detalhes.
A ministra britânica de Interior, Theresa May, apresentou ontem no parlamento um projeto de lei destinado a facilitar às forças de segurança os poderes necessários para ter acesso à atividade de internet de delinquentes ou suspeitos terroristas.
A ministra conservadora revelou o chamado Projeto de Lei de Poderes de Investigação, que considerou necessário para enfrentar uma ameaça terrorista "clara".
A lei obrigará às empresas de internet a armazenar a atividade pela rede de seus usuários durante 12 meses para o caso da informação ser solicitada pelo governo britânico.
As empresas de internet terão que conservar o serviço digital ao qual o usuário se conectou, quando, como e onde, mas, se os serviços secretos buscam mais detalhes do conteúdo, necessitarão de uma autorização da ministra de Interior.
O objetivo deste texto é atualizar os poderes dos serviços de inteligência para vigiar e interceptar as comunicações de suspeitos terroristas, grupos criminosos organizados ou redes de pedofilia, pois as leis em vigor ficara defasadas perante a velocidade dos avanços tecnológicos.