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Medo e incerteza retornam ao povoado de Kolontár, na Hungria

10 out 2010 - 10h00
(atualizado às 11h44)
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Os alto-falantes da Polícia soaram às 6h deste sábado, informando que o povoado estava sendo evacuado, devolveram hoje ao moradores de Kolontár ao pesadelo que viveram na segunda-feira, quando uma onda de lama tóxica arrasou esta pequena aldeia do sudoeste da Hungria.

Segundo autoridades, um grupo de psicólogos voluntários tenta atenuar o trauma da população
Segundo autoridades, um grupo de psicólogos voluntários tenta atenuar o trauma da população
Foto: AFP

Diante da aparição de novas fendas no reservatório de uma empresa metalúrgica que na segunda-feira abriu e provocou o vazamento, as autoridades húngaras decidiram na sexta-feira à noite evacuar à população: em uma hora, os aldeões tiveram que preparar uma mala com 20 quilos e foram realojados em um centro esportivo e duas escolas da cidade de Ajka.

"Estamos com medo", confessou à Agência Efe Szilvia Magdi, vizinha do povoado próximo de Devecser, que embora não tenha sido desalojada, está em estado de alerta se for preciso fazê-lo.

Magdi foi uma das moradoras que não quis esperar para sair da zona de risco com seus cinco filhos.

Apesar de na cidade de Ajka as autoridades terem criado espaços para alojar 300 pessoas, 17 decidiram ficar no centro esportivo e a maioria de deslocados foram para casa de amigos e familiares.

Mónika Baranyi já foi transferida na segunda-feira, quando a avalanche de 1 milhão de metros cúbicos de lama tóxica escapou do reservatório e inundou sua casa em Kolontár.

Justo neste sábado queria voltar à aldeia para resgatar meus pertences, mas não posso fazê-lo porque o acesso ao povodo está vedado.

"É muito doloroso ver as ruas de Kolontár", relatou esta mãe de dois filhos. "Segunda-feira ao meio-dia tínhamos uma vida e à tarde já tínhamos perdido tudo", acrescentou.

Nervosa e chorando muito, agradeceu toda a ajuda recebida "de todo o mundo que nos ajudou".

A emoção de gratidão pela solidariedade recebida se transformou em raiva quando se referiu à falta de atenção das autoridades no dia da tragédia.

"Por muito tempo não chegou ninguém para nos ajudar, enquanto esperávamos em cima da mesa" para evitar o contato com a lama tóxica que havia invadido nossa casa, lamentou.

"Onde estavam os policiais, os bombeiros e as unidades de resgate?", perguntou, e lembrou que os primeiros que chegaram para prestar socorro foram vizinhos do povoado.

A notícia da evacuação do povoado e do novo aviso perigo de desastre aumentou a pressão sobre os moradores.

No pavilhão esportivo de Ajke, um grupo de psicólogos voluntários tenta atenuar o trauma da população.

Sarolt Szegletes, uma destas especialistas, explicou à Efe que muitos afetados só "agora estão se dando conta da situação".

Nos primeiros dias, trabalharam voluntariamente na reconstrução de Kolontár, mas agora perderam o último que os motivava, acrescentou Szegletes.

"Muitos deles ficam sentados e não fazem nada", conta a psicóloga, que advertiu que os efeitos psicológicos durarão por algum tempo.

Georg von Habsburg, neto do último imperador austro-húngaro e presidente da Cruz Vermelha local, ressaltou em declarações à Efe a incerteza dos moradores sobre o futuro, e insistiu na importância das doações econômicas para garantir que "quando aqui acabar o risco, possam decidir que vão fazer".

Muitos dos oradores o têm claro: Kolontár já não é em um lugar para viver.

"A essa casa não voltarei porque em qualquer momento pode passar de novo. Só voltaria se me asseguram que o ar e a terra estão tão limpos como para poder viver", assegurou József Lengyel, empregado da mesma empresa origem do desastre.

EFE   
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