Maior necrópole subterrânea do mundo, Catacumbas de Paris fecham por seis meses para restauração
As Catacumbas de Paris, um dos pontos turísticos mais enigmáticos da capital francesa, fecharam suas portas ao público nesta segunda-feira (3) para uma reforma completa que deve durar cerca de seis meses. O objetivo é preservar o espaço, modernizar suas instalações e renovar a cenografia, sem perder o caráter autêntico e sombrio que atrai cerca de 600 mil visitantes por ano.
As Catacumbas de Paris, um dos pontos turísticos mais enigmáticos da capital francesa, fecharam suas portas ao público nesta segunda-feira (3) para uma reforma completa que deve durar cerca de seis meses. O objetivo é preservar o espaço, modernizar suas instalações e renovar a cenografia, sem perder o caráter autêntico e sombrio que atrai cerca de 600 mil visitantes por ano.
Localizadas a cerca de 20 metros abaixo do solo no centro da capital francesa, as catacumbas ocupam antigos túneis de pedreiras escavadas desde o século XII para extração de calcário. A partir de 1786, esses túneis começaram a receber os restos mortais de milhões de parisienses, transferidos de cemitérios superlotados como o dos Santos Inocentes, que era localizado no centro de Paris, e chegou a provocar problemas sanitários graves na capital.
Atualmente, o ossuário subterrâneo abriga os restos de mais de seis milhões de pessoas, organizados em paredes de crânios e ossos dispostos de forma artística e simbólica. O local foi aberto ao público em 1809 e desde então se tornou uma atração turística única, misturando história, arte e reflexão sobre a finitude da vida.
Por que fechar agora?
Nessas galerias, a alta umidade (cerca de 90%) favorece o desenvolvimento de micro-organismos que se acumulam aos poucos sobre os ossos e comprometem a conservação dos restos mortais. A atmosfera das catacumbas também é alterada pelas bactérias e pelo dióxido de carbono liberado pelos cerca de 600 mil visitantes anuais.
A reforma inclui a modernização do sistema de ventilação, da iluminação e da rede elétrica. "Se não quisermos virar uma nova caverna de Lascaux [famosa caverna pré-histórica localizada no sudoeste da França, conhecida por suas pinturas rupestres], precisamos tomar medidas radicais", explica Isabelle Knafou, administradora do local.
A caverna de Lascaux foi fechada ao público em 1963, após os visitantes começarem a danificar as obras com a respiração e o calor corporal, o que provocou o surgimento de fungos e bactérias nas paredes. Desde então, o local se tornou um símbolo da necessidade de preservar patrimônios históricos vulneráveis.
Além da modernização das instalações técnicas, será apresentada aos visitantes uma nova cenografia para as Catacumbas de Paris, segundo Hélène Furminieux, responsável pela comunicação e pelo atendimento ao público. Tudo isso sem trair o espírito "autêntico" e até "um pouco rústico" do lugar, acrescenta Knafou.
Os materiais necessários para a obra serão transportados pelos mesmos poços usados na Idade Média para extrair pedras, e mais tarde, nos séculos XVIII e XIX, para descer os ossos. O custo total da reforma está estimado em € 5,5 milhões (quase R$ 34 milhões).