Lula vence o primeiro turno em Portugal, onde a taxa de abstenção chega a 62%
Os eleitores brasileiros que votaram no primeiro turno das eleições presidenciais em Portugal, escolheram o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 52,5% (26.401) dos votos. Flávio Bolsonaro (PL) ficou em segundo lugar, com 38,6% (19.412). Os demais candidatos, os votos nulos e os brancos, somados, ficaram com quase 9% da preferência.
Lula venceu o primeiro turno das eleições em Portugal, mas a abstenção surpreendeu ao atingir 62%, impulsionada por um feriado local e pela distância percorrida por quem mora fora de Lisboa. Apesar das ausências, a capital registrou recorde de votantes, com quase 29 mil pessoas. Ao contrário do pleito anterior, a votação transcorreu sem longas filas e com organização eficiente após o consulado brasileiro ampliar os locais de votação de um para três prédios na Universidade de Lisboa.
Luciana Alvarez, correspondente da RFI em Lisboa
Nas últimas eleições, Lula também saiu vitorioso em Portugal. O que mais surpreendeu foi a alta taxa de abstenção, que alcançou 62% no país. O comparecimento dos eleitores costuma ficar em torno de 50%.
Em Lisboa, a quantidade de inscritos para votar cresceu 74% desde as últimas eleições presidenciais, mas o número das que efetivamente compareceram no primeiro turno cresceu em escala bem menor: foram 20 mil em 2022 e quase 29 mil em 2026. Mesmo com tantas ausências, o total representa um recorde de eleitores na capital portuguesa.
O cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, atribuiu a abstenção ao fato de o dia da votação ser véspera de um feriado nacional em Portugal: no dia 5, o país comemora o aniversário da implantação da República.
"Muitos podem ter aproveitado para viajar, não estando em Lisboa no momento", afirmou. Também pode ter contribuído para as ausências o fato de grande parte dos novos eleitores registrados residir em cidades mais distantes, às vezes tendo de enfrentar mais de duas horas de viagem para chegar à capital do país.
Houve quem votasse no exterior pela primeira vez. "Faz 20 anos que vivo em Portugal e nunca tinha transferido o título. Mas minha sobrinha me estimulou, mostrou que era fácil, e fiquei com vontade de votar", contou Isaura Carvalho, que foi até o campus da Universidade de Lisboa em companhia da irmã e dos sobrinhos.
O medo das longas filas levou alguns eleitores a chegarem de madrugada. "Sou diabética e, na eleição passada, passei mal na fila de tanto tempo que esperei. Preferi vir cedo a ficar sob o sol", contou Leidiane Quinze Reis, que chegou antes de o sol nascer.
Votação sem incidentes
Outros chegaram a desistir de votar em 2022, mas voltaram a tentar neste ano e tiveram uma surpresa. "Na última eleição, eu fiquei horas rodando e não achava o fim da fila. Estava com a minha mãe idosa e acabei desistindo. Desta vez foi supertranquilo, desde a saída do metrô está tudo sinalizado, muito rápido", elogiou Nathalia Paes, enquanto esperava pela mãe, que votou em outra seção.
Mesmo nos horários de maior movimento, quem foi votar encontrou fluidez nas filas. Isso porque o consulado ampliou de um para três os prédios de votação, além de ter reforçado a segurança e contratado equipes para ajudar com as informações no campus da Universidade de Lisboa. A partir das 15h30, o movimento de eleitores já estava bastante reduzido.
Para quem se deslocou até Lisboa, o esforço para votar acaba sendo uma forma de continuar mantendo os vínculos com o Brasil. "Mesmo morando fora do Brasil, não deixamos de ser brasileiros. Temos nossos direitos e deveres como cidadãos", afirmou Cleiton Santos, que vive há seis anos na cidade de Setúbal, a 50 km da capital.
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