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Líderes defendem aplicação rápida do acordo UE‑Mercosul, apesar de disputa entre França e Alemanha

Vários líderes europeus querem que o acordo com o Mercosul seja aplicado "o quanto antes", afirmou nesta sexta-feira (23) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. No entanto, desacordos entre a França e a Alemanha sobre a aplicação do tratado são notórios. A imprensa francesa já prevê uma nova queda de braço entre Paris e Berlim.

23 jan 2026 - 08h22
(atualizado às 08h25)
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Os desacordos entre alguns países-membros da União Europeia ficaram ainda mais evidentes após uma votação no Parlamento Europeu, na quarta-feira, que decidiu enviar o acordo comercial com o Mercosul para análise do Tribunal de Justiça do bloco. 

Agricultores seguram uma faixa com caricaturas da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em frente ao Parlamento Europeu, durante sessão de votação do acordo UE-Mercosul, em Estrasburgo, em 20 de janeiro de 2026.
Agricultores seguram uma faixa com caricaturas da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em frente ao Parlamento Europeu, durante sessão de votação do acordo UE-Mercosul, em Estrasburgo, em 20 de janeiro de 2026.
Foto: REUTERS - Yves Herman / RFI

A Comissão Europeia tem o direito de aplicar provisoriamente o tratado firmado com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, mas, segundo Von der Leyen, a decisão ainda não foi tomada. Ela ressaltou que essa possibilidade depende de ao menos um país do Mercosul aprovar formalmente o acordo. "Há um interesse claro" em que o acordo seja implementado "o quanto antes", afirmou a dirigente. "Estaremos prontos quando eles estiverem", acrescentou Von der Leyen após uma reunião do Conselho Europeu em Bruxelas.

O presidente do Conselho, António Costa, defendeu publicamente a aplicação provisória do acordo, afirmando que a maioria dos Estados‑membros é favorável à medida. Segundo um alto dirigente europeu ouvido pela imprensa, a Comissão trabalha com a hipótese de iniciar a aplicação provisória já em março, desde que haja aprovação do Conselho Europeu por maioria qualificada: o apoio de 55% dos países do bloco, representando pelo menos 65% da população da UE. O jornal francês Les Echos prevê "uma dura queda de braço entre Paris e Berlim". 

Agricultores comemoraram

Por uma curta maioria - 334 votos a favor, 324 contra -, os deputados europeus decidiram enviar o tratado para a corte, que será responsável por conferir se ele obedece às regras do bloco. O jornal Le Figaro registrou o clima de comemoração nas ruas de Estrasburgo, referindo-se aos milhares de agricultores que aguardaram a votação do lado de fora do Parlamento Europeu. 

A iniciativa foi liderada por 150 parlamentares, a maioria de esquerda, ecologistas e do grupo centrista e liberal Renew. Os eurodeputados se preocupam particularmente com um mecanismo de "reequilíbrio" determinado pelo compromisso, que permitiria aos países do Mercosul contestar mudanças na regulamentação europeia. Em entrevista ao Le Figaro, o deputado do grupo Renew compara o instrumento a uma "bomba‑relógio", que ameaçaria a "soberania regulatória e agrícola" do bloco.

Os deputados europeus foram fiéis ao posicionamento de seus países sobre a questão. Os franceses, por exemplo, votaram de forma unânime pelo envio do acordo ao Tribunal de Justiça da UE. Segundo o jornal Les Echos, esse posicionamento irritou a Alemanha, que depende do tratado para impulsionar sua economia.

Questionado sobre a questão no Fórum Econômico de Davos, na quinta-feira (22), o chanceler alemão, Friedrich Merz, insistiu na necessidade de expandir as alianças comerciais do bloco, assegurando que o acordo "não será bloqueado". "Fiquem certos: não vamos deixar que nos parem. O acordo com o Mercosul é justo e equilibrado. Não há alternativa se quisermos um crescimento mais forte na Europa", afirmou. 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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