Hungria anuncia bloqueio a novas sanções da UE à Rússia em meio a bombardeios na Ucrânia
O ministro das Relações Exteriores da Hungria anunciou no domingo (22) que bloqueará a adoção do 20º pacote de sanções da União Europeia (UE) contra a Rússia, em razão da interrupção do fornecimento de petróleo russo por um oleoduto que atravessa a Ucrânia. As autoridades ucranianas também relataram neste domingo um ataque com míssil balístico, dois dias antes do quarto aniversário da invasão russa ao país.
"Amanhã está agendada a reunião do Conselho de Ministros das Relações Exteriores para a adoção do 20º pacote de sanções. Bloquearemos essa decisão", declarou Peter Szijjarto no Facebook.
"Enquanto os ucranianos não permitirem o fornecimento de petróleo para a Hungria, não autorizaremos a adoção de decisões importantes para eles", acrescentou. Segundo a Ucrânia, o oleoduto Druzhba, que atravessa seu território antes de transportar petróleo russo para a Eslováquia e a Hungria, foi danificado em 27 de janeiro por ataques aéreos russos em Brody.
A União Europeia propôs novas sanções contra a Rússia no início de fevereiro, com foco nos setores bancário e energético. Este novo pacote seria o 20º desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro de 2022.
Também estão sendo propostas novas proibições de exportação e importação para a Rússia.
A Comissão Europeia quer ainda ativar, pela primeira vez, seu instrumento anticoerção para proibir a exportação de máquinas de automação ou rádios para países onde haja alto risco de reexportação desses produtos à Rússia.
Os 27 Estados-membros ainda precisam aprovar as medidas para que as novas sanções entrem em vigor.
Após o início da invasão em 2022, a UE proibiu a maior parte das importações de petróleo russo. O oleoduto Druzhba ("amizade", em russo), no entanto, foi temporariamente isento para dar aos países da Europa Central tempo para buscar alternativas.
A Hungria, porém, continua a importar petróleo russo por meio do oleoduto, que já foi alvo de ataques aéreos ucranianos diversas vezes.
Mísseis balísticos
Na Ucrânia, explosões foram ouvidas por volta das 4h (horário local, 23h em Brasília), pouco depois de um alerta de ataque aéreo ser acionado em Kiev. "O inimigo está atacando a capital com armas balísticas", declarou, via Telegram, o chefe da administração militar local, Tymur Tkachenko. Em seguida, a Força Aérea emitiu alerta para todo o território ucraniano devido ao risco de ataques com mísseis.
A Rússia, que ocupa quase 20% do território ucraniano, bombardeia diariamente áreas civis e infraestrutura do país e recentemente desencadeou a pior crise energética da Ucrânia desde o início da invasão, em 2022. As temperaturas caíram para quase -10°C na manhã de domingo na capital, que foi alvo de mais um ataque.
A noite também foi marcada por explosões no oeste do país. Em Lviv, pouco depois da meia-noite, duas explosões atingiram o centro da cidade. "Este é claramente um ato terrorista", afirmou o prefeito Andriy Sadovy em vídeo publicado nas redes sociais, sem especificar os responsáveis. Vinte e quatro pessoas ficaram feridas, e uma policial de 23 anos morreu.
A primeira explosão ocorreu quando a polícia atendeu a um chamado sobre um arrombamento. A segunda aconteceu quando outra equipe policial chegou ao local. Uma investigação foi aberta.
"Não podemos dizer que estamos perdendo a guerra"
Desde o início da invasão, as tropas russas têm avançado lentamente, apesar das pesadas baixas, principalmente em Donbas, epicentro dos combates no leste do país.
"Não podemos dizer que estamos perdendo a guerra, honestamente; certamente não estamos. A questão é se vamos vencer", afirmou o presidente Volodymyr Zelensky em entrevista à AFP na sexta-feira.
Ele também declarou que suas tropas recapturaram 300 quilômetros quadrados dos russos durante os contra-ataques em andamento no sul do país e aproveitou para parabenizar "todas as forças de defesa" pelos resultados. Segundo Zelensky, para lançar esses contra-ataques, o Exército ucraniano explorou principalmente o bloqueio, no início de fevereiro, do uso da rede Starlink pelas forças russas, que garante acesso contínuo à internet de alta velocidade.
Na frente diplomática, várias rodadas de negociações foram realizadas desde o início do ano entre enviados de Kiev, Moscou e Washington, sem avanços concretos até o momento. Em seu pronunciamento diário no sábado à noite, sob intensa pressão de Donald Trump para aceitar concessões, Zelensky afirmou que pretende trabalhar para que as negociações em curso levem a "resultados para a paz".
RFI e AFP