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França publica guia para preparar população em caso de guerra e outras crises graves

O governo francês disponibilizou nesta quinta-feira (20) um guia para preparar os franceses em caso de crise grave, como conflitos armados, catástrofes naturais, pandemias, crise energética ou ataques terroristas. O documento alerta que a possibilidade de a França se envolver em uma guerra para apoiar "um país amigo" não pode ser descartada.

20 nov 2025 - 12h06
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O documento online, com mais de vinte páginas, pode ser baixado nos sites de vários ministérios franceses, associações e administrações regionais, e recomenda, por exemplo, a preparação de um kit de sobrevivência.

Um membro da equipe de resgate ucraniana combate um incêndio em um edifício residencial após um ataque aéreo russo na cidade de Ternopil, em 19 de novembro de 2025
Um membro da equipe de resgate ucraniana combate um incêndio em um edifício residencial após um ataque aéreo russo na cidade de Ternopil, em 19 de novembro de 2025
Foto: AFP - YURIY DYACHYSHYN / RFI

O guia do governo francês, chamado 'Todos são responsáveis' é um manual que busca preparar a população para agir "de maneira eficaz" em caso de crise. "Nossa sociedade deve se adaptar para ser mais forte. Cada cidadão e cidadã é ator de sua própria segurança e da segurança da Nação", destaca o texto. O lançamento do documento havia sido anunciado em março.

Algumas situações, lembra o governo francês, podem comprometer o funcionamento da sociedade, gerando longas quedas de energia elétrica e levando ao fechamento de repartições públicas, à interrupção da circulação, à falta de combustível e de serviços de emergência. Também não estão descartadas panes na internet, de telefone, transportes e sistemas de pagamento.

Por essa razão, "é importante poder se proteger e proteger as pessoas que se ama enquanto se aguarda ajuda, mesmo por muitos dias, se for necessário". O guia ainda menciona, entre as crises possíveis, ciberataques e desinformação propagados por "uma organização ou um Estado hostil à França".

A possibilidade de uma "ameaça ligada a um engajamento importante de nossas forças armadas fora do território nacional" também é mencionada. O documento cita vídeos falsos produzidos por inteligência artificial e dá conselhos para "detectar falsas informações".

Kit de sobrevivência e ameaça de guerra

O governo francês também lembra que é importante ter um rádio a pilhas para acompanhar as informações oficiais divulgadas pelos canais do governo em caso de falta de energia elétrica, além do armazenamento de produtos essenciais para compor o "kit de emergência", que deve ser focado em hidratação, alimentação, aquecimento e saúde.

O documento recomenda armazenar seis litros de água por pessoa, alimentos não perecíveis que não necessitem de cozimento, um estojo de primeiros socorros, medicamentos, dinheiro em espécie e até fotocópias dos documentos de identidade em uma bolsa impermeável.

O guia também incentiva a população a ficar alerta no caso de um possível conflito. "Os militares já se preparam em âmbito nacional e com nossos aliados da Otan e da UE", diz o texto, que lembra ainda que a França possui a arma nuclear e que ter consciência do risco não significa "ceder ao alarmismo".

Nesse contexto, o país não descarta o envio de suas tropas "para ajudar um país amigo", em alusão à Ucrânia. "Em represália ao nosso apoio, o adversário poderia conduzir 'operações híbridas', não militares, que visam desestabilizar a sociedade e perturbar a vida do país."

"Aceitar perder seus filhos"

As autoridades francesas buscam, há meses, preparar os franceses para "aceitar sacrifícios" em caso de guerra, mas a população se sente distante dos combates na Ucrânia e protegida pela dissuasão nuclear.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Fabien Mandon, surpreendeu nesta terça-feira (18), ao declarar, no Congresso de Prefeitos da França, que o país precisa estar pronto para "aceitar perder seus filhos".

A declaração gerou surpresa na opinião pública. Os partidos políticos de oposição ao campo presidencial acusaram Emmanuel Macron de preparar a guerra contra a Rússia. "Um chefe do Estado-Maior das Forças Armadas não deveria dizer isso" (grupo parlamentar LFI, esquerda radical), "51 mil monumentos aos mortos em nossas comunas não são suficientes? Sim à defesa nacional, mas não aos discursos belicistas", declarou Fabien Roussel, do Partido Comunista.

"É preciso estar pronto para morrer pelo seu país. No entanto, a guerra que for travada deve ser justa ou a necessidade deve ser tal que coloque em jogo a própria sobrevivência da nação", disse Louis Aliot, membro do partido Reunião Nacional, de extrema direita. "Não acho que haja muitos franceses dispostos a morrer pela Ucrânia", acrescentou.

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, as autoridades francesas - assim como outros governos europeus - tentam explicar à população que a instabilidade no continente é crescente diante da atitude provocativa de Moscou e das posições do presidente americano Donald Trump.

Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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