França: Partido Socialista se posiciona para assumir governo se premiê for derrubado
Diante da probabilidade cada vez maior de o governo do primeiro-ministro francês, François Bayrou, cair na semana que vem, o Partido Socialista se posiciona como peça-chave nas conversas para a eventual sucessão. O líder da sigla, Olivier Faure, foi recebido nesta quinta-feira (4) pelo premiê, que ainda tenta evitar uma derrota no voto de confiança que solicitou à Assembleia Nacional, na próxima segunda-feira (8).
Diante da probabilidade cada vez maior de o governo do primeiro-ministro francês, François Bayrou, cair na semana que vem, o Partido Socialista se posiciona como peça-chave nas conversas para a eventual sucessão. O líder da sigla, Olivier Faure, foi recebido nesta quinta-feira (4) pelo premiê, que ainda tenta evitar uma derrota no voto de confiança que solicitou à Assembleia Nacional, na próxima segunda-feira (8).
O assunto está nas capas dos principais jornais do país nesta sexta-feira (5). Le Figaro diz que o presidente Emmanuel Macron "está tentado" a experimentar a formação de um governo com a esquerda, um ano e quatro meses depois do começo de uma crise política no país, que ainda parece distante do fim.
"Cortejados por Macron, os socialistas já se veem em Matignon", indica o diário conservador, em referência ao palácio da sede do governo. O presidente estaria disposto a tentar, enfim, chegar a um gabinete comandado pela esquerda - cuja coalizão venceu as últimas eleições legislativas.
Os franceses foram às urnas em junho de 2024 após Macron dissolver a Assembleia Nacional, dando início ao impasse que bloqueia o executivo até hoje. Desde então, a Câmara está dividida em três polos: esquerda, centro-direita e extrema-direita, e nenhum deles tem maioria absoluta dos deputados.
Agora, até mesmo lideranças da direita, como Laurent Wauquiez, começam a admitir a possibilidade de um governo de esquerda, salienta Le Figaro - que, em editorial, critica o deputado por "atirar contra o próprio campo".
Libération, entretanto, ressalta que as divergências entre os socialistas e o atual governo, de centro-direita, são evidentes. Em uma reunião nesta quinta-feira, o premiê François Bayrou e o líder do Partido Socialista, Olivier Faure, continuam longe de chegar a um acordo sobre o projeto de orçamento de 2026, foco das discórdias e que levou o primeiro-ministro a colocar o próprio futuro em jogo.
Volta de imposto dos ultra-ricos
Le Parisien salienta que, para os socialistas, a prioridade número 1 é o país voltar a aumentar a carga tributárias dos super-ricos, opção que ficou de fora do projeto de Bayrou para combater o déficit público francês. Outra concessão para o premiê ainda tentar salvar a própria pele na segunda-feira é o abandono do plano de acabar com dois feriados no país - medida impopular, que não conta nem com o apoio da esquerda, nem de 84% da população francesa, conforme pesquisa divulgada no fim de agosto.
Renovando sua oferta de "discutir" as propostas orçamentárias dos partidos de esquerda, à exceção do França Insubmissa, de esquerda radical, o PS está em uma ofensiva para garantir Matignon. Olivier Faure reiterou que o próximo primeiro-ministro escolhido por Emmanuel Macron deveria governar "com base em nossas definições".
Pelo X, o líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, expressou seu desprezo pela atual conjuntura: "Hora após hora, há uma mudança política em direção a uma grande coalizão de Raphael Glucksmann e Laurent Wauquiez com o Partido Socialista e o partido de Macron. Os 'insubmissos' não têm nada a ver com essa confusão", disse ele, evocando o nome eurodeputado que tem despontado como uma alternativa à esquerda para as próximas eleições presidenciais francesas, em 2027, e o representante da direita.
Na terça-feira (2), Emmanuel Macron incitou os líderes da atual coalizão governamental, entre centristas e o partido conservador Republicanos, a "trabalharem com os socialistas". Na quinta-feira (4), ele voltou a pedir às forças políticas para demonstrarem "responsabilidade" e garantirem a "estabilidade" do país.