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França aumenta orçamento militar e amplia poderes do governo em caso de ameaça à segurança nacional

O Conselho Constitucional da França validou nesta quinta-feira (6) a nova Lei de Programação Militar, que prevê um aumento dos gastos com Defesa para € 436 bilhões (mais de R$ 2,5 trilhões) até 2030 e cria um novo mecanismo excepcional denominado "estado de alerta de segurança nacional", que poderá ser acionado em caso de ameaça grave ao país.

6 ago 2026 - 12h46
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A decisão rejeita um recurso apresentado por deputados da esquerda, que questionavam diversas medidas do texto por considerarem que elas poderiam restringir direitos fundamentais ou enfraquecer proteções ambientais.

Soldado segura um sistema NEROD durante uma demonstração organizada pela KNDS France, fornecedora de sistemas de defesa militar, em 20 de outubro de 2025 (imagem ilustrativa).
Soldado segura um sistema NEROD durante uma demonstração organizada pela KNDS France, fornecedora de sistemas de defesa militar, em 20 de outubro de 2025 (imagem ilustrativa).
Foto: © Manon Cruz / Reuters / RFI

A principal novidade da lei é a criação do chamado "estado de alerta de segurança nacional". O dispositivo poderá ser acionado por decreto em caso de "ameaça grave e atual" à segurança do país e permitirá ao governo flexibilizar temporariamente certas regras administrativas para acelerar projetos considerados essenciais às Forças Armadas.

Na prática, o mecanismo abre a possibilidade de derrogações em áreas como normas ambientais, planejamento urbano, contratações públicas e requisições de bens ou serviços. Segundo os parlamentares que apresentaram o recurso, a medida poderia gerar impactos desproporcionais sobre o meio ambiente.

Novo regime poderá ser acionado em situações pré-definidas 

O Conselho Constitucional reconheceu que algumas obras autorizadas nesse contexto poderão afetar o meio ambiente, mas considerou que a legislação estabelece limites suficientes. Os juízes argumentaram que o objetivo é permitir que o Estado disponha rapidamente de instalações, edifícios e infraestruturas de transporte indispensáveis às missões militares diante de uma ameaça à segurança nacional.

A corte também destacou que o novo regime só poderá ser decretado em situações previamente definidas em lei, que as construções autorizadas deverão ter caráter temporário e que o Parlamento será informado sobre sua implementação.

A nova Lei de Programação Militar atualiza o planejamento aprovado em 2023 e acrescenta € 36 bilhões (cerca de R$ 210 bilhões) aos recursos destinados às Forças Armadas francesas entre 2026 e 2030.

Drones, inteligência e sigilo

Outras medidas contestadas pelos deputados também foram validadas. Entre elas está a autorização para que operadores de infraestrutura, incluindo aeroportos, utilizem sistemas antidrones para neutralizar aeronaves não autorizadas. Em determinadas condições, essa tarefa poderá ser delegada a empresas terceirizadas.

O Conselho Constitucional também aprovou um dispositivo que amplia o uso de algoritmos pelos serviços de inteligência para identificar e analisar dados de conexão na internet, medida apresentada pelo governo como instrumento de prevenção de ameaças à segurança nacional.

Outra disposição mantida permite que o ministro responsável examine obras, livros ou publicações produzidos por agentes e ex-agentes dos serviços de inteligência. O governo poderá exigir alterações ou até impedir a publicação caso considere que informações protegidas pelo segredo de defesa nacional estejam em risco de divulgação.

Segundo os juízes constitucionais, essa obrigação se aplica apenas a pessoas que tiveram acesso a informações particularmente sensíveis e busca reforçar a proteção dos interesses fundamentais da nação.

Com agências

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