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Em memórias, Blair defende guerras e revela gafe de Bush

1 set 2010 - 15h20
(atualizado às 16h00)
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O livro de memórias do ex-premiê britânico Tony Blair foi publicado nesta quarta-feira trazendo revelações do período em que ele esteve a frente do governo britânico. Em A Journey (Uma Jornada, na tradução livre), Blair defende a guerra do Iraque e revela o desconhecimento do ex-presidente americano com a organização política da União Europeia.

"Quem é esse aí?", perguntou Bush a Tony Blair, durante a cúpula do G8 em Genebra em 2001, ao perceber o ex-primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt, presente no G8.

"É o primeiro-ministro belga", respondeu Tony Blair, segundo seu livro. "A Bélgica?", replicou um Bush surpreso. "A Bélgica não faz parte do G8!", acrescentou. Ao que Tony Blair respondeu: "Não, mas ele está aqui na qualidade de presidente da Europa". "O quê? Os belgas governam a Europa?", reagiu Bush, balançando a cabeça.

Na autobiografia, Tony Blair também defende sua década no poder e explica as duas guerras que precipitaram sua queda em 2007 e ofuscaram sua herança: uma, fratricida, contra "o desastroso" Gordon Brown, e outra contra "o tirano" Saddam Hussein.

Guerra do Iraque

Advogado de formação, Blair apresenta com orgulho suas façanhas: a modernização do Trabalhismo, sua "lua de mel" com o país, a paz na Irlanda do Norte; e professa uma forte admiração pela princesa Diana, morta em 1997.

Contudo, ele se atém particularmente ao Iraque: "uma guerra impopular, levada adiante com um presidente republicano americano muito impopular", George Bush, de quem "gostava e que admirava por sua integridade".

Ele lamenta as vítimas do conflito, vivido como "um pesadelo" de repercussões políticas duradouras em seu país e fora dele, considerando que custou a ele a Presidência da União Europeia em 2009. E preocupado em recuperar a sua imagem, cedeu os direitos de suas memórias - a começar por um adiantamento avaliado em 5,6 milhões de euros - para um centro de reabilitação de soldados britânicos feridos em combate.

Mas Blair permanece categórico. "Com base no que sabíamos, eu permaneço convencido de que deixar Saddam no poder era um risco maior para nossa segurança do que derrubá-lo", escreveu.

O ex-primeiro-ministro reconhece apenas um erro: a abolição da caça de animais, que levou mais de um milhão de manifestantes às ruas. Vários setores da imprensa e diversas lideranças sindicais criticaram imediatamente "o exercício de autossatisfação", enquanto os militantes antiguerra convocaram uma manifestações contra "o criminoso de guerra Blair" nas seções de autógrafos.

Conflitos com Brown

A leitura de A Journey , um tijolo de 718 páginas, causa impacto pelo estilo direto, sem rodeios e rico em revelações. O autor confessa principalmente uma queda pelas bebidas, nascida principalmente do estresse causado por sua rivalidade com Brown, que foi seu ministro das Finanças antes de sucedê-lo no número 10 de Downing street.

"Um uísque ou uma gim tônica de aperitivo e uma ou duas taças de vinho, ou até meia garrafa" no jantar. Não havia nada "de muito excessivo", mas isso se tornou "um amparo", confessa Blair.

O ex-primeiro-ministro não poupa palavras em relação a Brown, aliado que se tornou "inimigo íntimo". "Espírito brilhante", "melhor chanceler de xadrez que poderia haver para o país" e, na época, intocável, era também "um tipo estranho", "exasperante" e "muito, muito difícil".

Blair, que foi empurrado para fora por "seus amigos políticos", classifica de "desastre" os três anos de seu "herdeiro" na liderança do governo. Até o torna responsável pelo fracasso eleitoral de maio de 2010, que pôs fim a 13 anos de poder trabalhista e levou à eleição do conservador David Cameron.

O motivo? Brown teria dado as costas aos princípios fundadores que fizeram do "New Labour" - renovado por Blair - uma máquina que ganhou três eleições consecutivas.

O programa econômico do candidato Cameron era "melhor", explicou nesta quarta-feira Blair, em uma entrevista à BBC numa advertência para aos cinco candidatos à liderança do Trabalhismo, que estariam tentados por "uma guinada à esquerda". O vencedor será designado no dia 25 de setembro, ao final de um processo eleitoral iniciado nesta quarta-feira.

Gordon Brown se absteve de qualquer comentário imediato. David Blunkett, um ex-ministro trabalhista, afirmou que não lerá o livro, mas que será, provavelmente, informado das passagens "das quais não gostará". Em seguida, "ele (Brown) divulgará provavelmente por escrito sua própria versão".

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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