Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

As Principais Notícias da Europa

Eleição na Hungria: Viktor Orbán conta com voto rural para tentar se manter no poder

Após 16 anos no poder, Viktor Orbán define neste domingo, 12 de abril, seu futuro político na Hungria. Ele enfrenta Peter Magyar, principal nome da oposição nestas eleições legislativas. Com uma participação recorde de 54,14% até o meio-dia, o pleito representa um alto risco para o primeiro-ministro. O resultado ainda é incerto: apesar da popularidade de Magyar, Orbán conta com o apoio da população rural, que pode ser decisivo para o futuro da Hungria na Europa.

12 abr 2026 - 12h05
Compartilhar

Julien Chavanne e Aurore Lartigue, enviados especiais da RFI à Hungria

Desde cedo, a seção eleitoral de Mikebuda, um dos vilarejos rurais onde Orbán é reeleito com folga há 16 anos, não parou de receber eleitores. No entanto, mesmo nesses redutos tradicionais do primeiro-ministro, a sede de mudança é palpável. Joseph, um dos muitos decepcionados com o governo, não esconde sua insatisfação: "Eles não cumpriram nenhuma promessa aqui na Hungria. Só prometeram, mas não melhoraram o poder aquisitivo. Por isso confiamos no Tisza [partido de Peter Magyar]. Não é segredo que votamos neles para que nossa vida mude um pouco e a do nosso filho melhore".

Os eleitores do Fidesz, partido de Orbán, evitam dar entrevistas. Após muita insistência, Zoltán, um trabalhador da construção civil, aceitou falar. "Magyar é muito inexperiente. Ele não conseguiria lidar com tudo o que já está nas mãos do Fidesz e não teria voz ativa. Não quero uma guerra civil, mas é para isso que parece que estamos indo", afirmou à RFI. Apesar das críticas, Zoltán reconhece que, em sua família e em seu círculo próximo, as opiniões estão divididas. "Metade apoia o Fidesz, metade apoia o Tisza", diz.

Sistema eleitoral favorece Orbán

O sistema eleitoral húngaro beneficia amplamente o Fidesz. Na prática, os eleitores votam duas vezes: em um candidato local e em uma lista nacional. Dos 199 assentos do Parlamento, 106 são definidos em circunscrições individuais, por maioria simples, enquanto 93 são distribuídos por proporcionalidade, a partir de listas nacionais. Mais da metade dos assentos, portanto, são decididos localmente, circunscrição por circunscrição.

"É claro que o sistema político não é justo. Por exemplo, ganhar uma circunscrição por um voto ou por 10 mil não faz diferença", criticou Steve, um eleitor presente em um dos comícios. Richard Szentpéteri Nagy, analista político, alerta: "Se o Tisza tiver apenas dois, três ou quatro pontos de vantagem, o Fidesz ainda pode vencer".

Esse mecanismo permite que um partido perca nas grandes cidades e ainda assim vença a eleição ao conquistar um grande número de circunscrições no interior. Foi o que aconteceu em 2022, quando o Fidesz obteve cerca de 54% dos votos, mas garantiu 135 dos 199 assentos. O partido domina a Hungria rural, onde se concentra a maioria das circunscrições. Um cenário possível é a oposição vencer no total de votos, mas perder a eleição.

O partido de extrema direita Mi Hazank ("Nossa Pátria") também pode ter papel decisivo, sendo o único além do Fidesz com chances de ultrapassar a cláusula de 5% para entrar no Parlamento. Orbán não descarta a possibilidade de uma coalizão com a legenda.

Além dessas vantagens, o Fidesz não compete em condições iguais com os demais partidos. O governo controla grande parte da mídia e, segundo a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), mistura recursos públicos com os do partido, o que interfere na campanha eleitoral.

Participação histórica

A participação já é histórica, segundo a comissão eleitoral. Até as 13h, 54,14% dos eleitores haviam votado.

Enquanto essas eleições podem marcar o fim de 16 anos de governo Orbán, a oposição teme que o primeiro-ministro não aceite o resultado. Acusações de interferência russa e compra de votos pelo Fidesz também surgiram. Em caso de resultados apertados, o vencedor pode não ser definido antes do término da apuração, segundo o Escritório Nacional Eleitoral.

Os 7,5 milhões de eleitores no país, assim como os 500 mil eleitores registrados no exterior, que têm a opção de escolher entre cinco partidos, ainda podem votar até às 19h deste domingo pelo horário local. As primeiras estimativas e resultados parciais serão divulgados a partir das 20h.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra