Tráfego marítimo é retomado após vazamento de petróleo no porto de Antuérpia, um dos maiores da Europa
Um vazamento de petróleo registrado na noite de quinta-feira (9) provocou a paralisação de grande parte das atividades no porto de Antuérpia-Bruges, na Bélgica, um dos principais centros logísticos da Europa. O tráfego marítimo foi retomado na tarde desta sexta-feira (10) no principal braço do rio Escalda que dá acesso ao porto, após a paralisação causada por um vazamento de petróleo, informou a empresa responsável pela administração do complexo portuário.
Apesar da reabertura da principal via de navegação, o impacto do incidente ainda persiste. Uma ampla operação de limpeza segue em andamento, e a área do cais onde ocorreu o derramamento acidental na noite de quinta-feira, assim como várias eclusas próximas, continuam interditadas.
Em comunicado, a operadora portuária afirmou que "o Escalda está novamente aberto à navegação". Mais cedo, um porta-voz da empresa havia indicado a expectativa de retorno completo das operações no prazo de até 24 horas.
O porto de Antuérpia é um dos maiores centros logísticos do continente e ocupa a segunda posição entre os portos de carga da Europa, atrás apenas do porto de Rotterdam, nos Países Baixos. O complexo mantém conexões estratégicas com mercados globais, especialmente com os Estados Unidos e a China.
Vazamento aconteceu durante abastecimento
O vazamento ocorreu durante uma operação de abastecimento de um navio no terminal Deurganck, localizado na margem esquerda do Escalda e considerado um dos principais pontos operacionais do porto. Segundo a administração portuária, o vazamento foi rapidamente interrompido, e medidas de contenção e limpeza foram imediatamente iniciadas nas embarcações envolvidas.
Ainda assim, o petróleo se espalhou durante a noite e atingiu o rio, o que levou à suspensão total do tráfego na parte norte do porto, área voltada para o mar aberto. A restrição impediu o acesso de navios cargueiros e porta-contêineres que utilizam o Escalda como rota de entrada e saída. De acordo com a imprensa belga, cerca de 50 embarcações ficaram retidas nos dois sentidos de navegação até o meio do dia.
A empresa responsável pela gestão do porto, que administra conjuntamente as instalações de Antuérpia e Zeebruges, lamentou o incidente e reconheceu o risco de impacto ambiental, especialmente em áreas naturais sensíveis ao longo do rio. "Estamos fazendo todo o possível para limitar ao máximo os danos, tanto operacionais quanto ecológicos", informou em nota.
A companhia de transporte marítimo MSC Mediterranean Shipping Company confirmou que uma de suas embarcações esteve envolvida no incidente, mas não forneceu detalhes adicionais. Em declaração, uma porta-voz afirmou que a prioridade da empresa é garantir a segurança, destacando a proteção da tripulação, das instalações e do meio ambiente.
Preocupação ambiental
Organizações ambientais também manifestaram preocupação. O grupo flamengo Climaxi alertou para o risco de danos à biodiversidade em áreas úmidas próximas ao porto, incluindo o polder de Doel, uma região de grande sensibilidade ecológica situada ao lado da zona portuária.
Com dezenas de quilômetros de cais, o porto de Antuérpia é considerado um dos principais motores da economia belga. Em 2025, movimentou 266,5 milhões de toneladas de cargas, registrando queda de 4% em relação ao ano anterior, influenciada principalmente pela redução no transporte de granéis líquidos. Já o volume de contêineres apresentou leve crescimento, alcançando 149,4 milhões de toneladas.
Indicador relevante da atividade econômica europeia e dos efeitos de crises internacionais, o porto registrou aumento especialmente nas importações, incluindo produtos como aço proveniente da China e gás natural liquefeito dos Estados Unidos.
Ao todo, mais de 20 mil embarcações passaram pelo porto no último ano. Já o terminal de Zeebruges registrou queda no número de cruzeiros, com 166 navios e cerca de 466 mil passageiros.
As autoridades seguem monitorando a situação e conduzindo investigações para determinar as causas do acidente, enquanto as operações de limpeza continuam nas áreas afetadas.
Prioridade era evitar que mancha se espalhasse
Equipes de resposta foram mobilizadas logo após a detecção do incidente. Barreiras flutuantes foram instaladas para limitar a dispersão do petróleo nas águas do rio, enquanto técnicos especializados iniciaram operações de contenção e monitoramento ambiental. A prioridade, segundo as autoridades, era evitar que a mancha se espalhasse para áreas mais amplas do estuário.
Apesar da rápida atuação, o episódio levantou preocupações ambientais. O rio Escalda é uma via fluvial de importância ecológica e econômica, atravessando regiões sensíveis na Bélgica e nos Países Baixos. A presença de petróleo na água representa risco direto à fauna e à flora locais, especialmente em áreas de menor circulação, onde a contaminação pode persistir por mais tempo.
As autoridades indicaram que o vazamento foi contido relativamente rápido, mas não divulgaram, até o momento, estimativas oficiais sobre o volume de petróleo derramado nem detalhes sobre possíveis danos ambientais. Avaliações técnicas seguem em andamento para determinar a extensão do impacto.
Em termos operacionais, a paralisação temporária do porto teve efeitos imediatos sobre o tráfego marítimo.
Um dos maiores da Europa
O Porto de Antuérpia-Bruges é um dos maiores da Europa e desempenha papel central no transporte de combustíveis, produtos químicos e mercadorias industriais. Qualquer interrupção em suas atividades tende a afetar cadeias logísticas regionais e internacionais.
As causas do acidente ainda estão sendo investigadas. Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre falhas específicas, responsabilidades ou eventuais danos estruturais. O foco imediato permanece na contenção do vazamento e na normalização das atividades.
O caso ocorre em um contexto de rigorosos protocolos de segurança para operações de abastecimento em grandes portos internacionais. Incidentes desse tipo, embora considerados raros, exigem respostas rápidas devido ao potencial de impacto ambiental e econômico.
Com AFP