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Dissidente russo que tentou enfrentar Putin anuncia saída da Rússia e posta vídeo na torre Eiffel

Boris Nadejdin, opositor russo que ganhou notoriedade ao tentar disputar a Presidência da Rússia com um discurso contrário à guerra na Ucrânia, anunciou na segunda-feira (3) que deixou o país e está na França. Em vídeo gravado diante da Torre Eiffel, em Paris, o ex-deputado afirmou estar "vivo e livre" após meses de pressão política e judicial. Sua saída ocorre depois de ser classificado como "agente estrangeiro" e impedido de disputar as eleições legislativas de setembro.

4 ago 2026 - 06h46
(atualizado às 06h58)
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A declaração foi feita em um vídeo de apenas 12 segundos gravado diante da Torre Eiffel, em Paris. A saída encerra semanas de incerteza em torno do futuro do opositor e ocorre após uma sucessão de medidas que reduziram seu espaço de atuação política.

Nadejdin se tornou conhecido nacionalmente ao defender o fim da guerra na Ucrânia e ao tentar disputar a eleição presidencial de 2024 contra Vladimir Putin, iniciativa que mobilizou milhares de apoiadores em diferentes cidades russas.

Na gravação divulgada em seu canal no Telegram, seguido por cerca de 85 mil pessoas, o ex-deputado afirma que pretende se manifestar novamente em breve. "Agora é preciso refletir e entender como seguir em frente", declarou.

A suposta mudança para a França acontece após meses de crescente pressão das autoridades russas. Em julho, Nadejdin foi incluído na lista de "agentes estrangeiros", classificação usada pelo Kremlin para identificar pessoas e organizações consideradas sob influência externa e que, na prática, costuma atingir jornalistas, ativistas, pesquisadores e opositores do governo.

Pouco depois, ele foi condenado pela Justiça russa por exibir supostos "símbolos extremistas". A decisão teve consequências políticas imediatas: o opositor foi impedido de disputar as eleições legislativas marcadas para setembro, eliminando a última possibilidade de retorno às urnas após sua frustrada tentativa de participar da corrida presidencial.

Nadejdin sustenta que as medidas tiveram o objetivo de afastá-lo da vida pública e silenciar uma das raras vozes críticas que ainda atuavam legalmente dentro do sistema político russo.

Permanecem dúvidas sobre a saída do país

O anúncio de sua presença em Paris levanta questionamentos. O principal deles diz respeito a como o opositor conseguiu deixar a Rússia.

Segundo seus aliados e a imprensa local, Nadejdin estava submetido a restrições que incluíam a proibição de deixar o território russo. Até o momento, não foi esclarecido como ele saiu do país nem se a medida foi formalmente revogada.

Outra incógnita envolve as condições de sua chegada à França. O Ministério das Relações Exteriores francês não comentou o caso, e não há detalhes públicos sobre eventual apoio diplomático ou político do governo francês para facilitar sua instalação em Paris.

A ausência de explicações alimenta especulações tanto entre apoiadores quanto entre críticos do opositor, mas nenhum detalhe adicional foi divulgado até agora.

Oposição perde mais uma voz ativa dentro da Rússia

A partida de Nadejdin representa mais um capítulo no enfraquecimento da oposição russa desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Nos últimos anos, diversos opositores deixaram o país diante do aumento da repressão política, enquanto outros enfrentaram prisões, processos judiciais ou restrições administrativas que dificultaram sua atuação pública.

Nesse contexto, Nadejdin ocupava uma posição singular. Diferentemente de muitos dissidentes que já haviam optado pelo exílio, ele continuava atuando dentro da Rússia e procurava participar das instituições políticas formais, mesmo enfrentando obstáculos crescentes.

Sua mudança para a França reduz ainda mais o número de vozes críticas com presença pública relevante no país e reforça a tendência de deslocamento da oposição russa para o exterior.

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