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General alemão é eleito para a chefia militar da Otan, que 'está pronta' para enfrentar 'ameaça russa'

O alemão Carsten Breuer foi eleito neste sábado (19) para a presidência (presidente) do Comitê Militar da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Segundo o Ministério da Defesa da Alemanha, o general terá a "diretriz clara" de enfrentar a "ameaça" russa, que está "crescendo".

19 set 2026 - 15h36
(atualizado às 15h54)
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Resumo
O general alemão Breuer assumirá a chefia militar da Otan em 2027, reforçando a liderança de Berlim na aliança e o apoio à Ucrânia. O atual comandante, Giuseppe Dragone, afirmou que o bloco está totalmente preparado para enfrentar a crescente ameaça russa no flanco leste. A nomeação ocorre em um momento de pressão para que a Europa amplie seus próprios investimentos em defesa e dissuasão militar, enquanto os Estados Unidos passam a priorizar outras frentes globais.

Breuer sucederá, em meados de 2027, o italiano Giuseppe Cavo Dragone. Em uma coletiva de imprensa após uma reunião habitual dos 32 chefes militares da Otan, em Copenhague, o atual comandante declarou que "a aliança está pronta" para enfrentar uma eventual escalada das tensões com a Rússia. 

"A estrutura está pronta. Os soldados, os sistemas e o armamento estão prontos", frisou Dragone. "Temos 4.000 páginas de planos para o flanco leste, abrangendo desde situações de crise de menor escala ou interferência em nosso território, envolvendo o Artigo 5, até cenários mais graves", disse, evocando o trecho do tratado da organização que menciona que qualquer ataque a um país-membro representa uma agressão à Otan.

"Em caso de ataque, posso afirmar que, hoje, eles têm muito mais a perder do que a ganhar - isso é certo, e é nisso que consiste a dissuasão", ressaltou o chefe militar. 

General Giuseppe Cavo Dragone (centro) fala à imprensa após reunião militar da Otan em Copenhague. (19/09/2026)
General Giuseppe Cavo Dragone (centro) fala à imprensa após reunião militar da Otan em Copenhague. (19/09/2026)
Foto: RFI

Eleito para um mandato de três anos, o conselheiro militar do secretário-geral da organização, o holandês Mark Rutte, é tradicionalmente um europeu ou um canadense, enquanto o Comandante Supremo das Forças Aliadas na Europa (SACEUR) tem sido um oficial americano, nomeado pelo presidente dos Estados Unidos. 

Alemanha reforça papel na estrutura de comando da Otan

À frente da mais alta instância militar da aliança, o general Breuer terá uma "linha clara: a ameaça proveniente principalmente da Rússia, que está crescendo", comentou o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, por comunicado. 

Os europeus "terão de investir ainda mais em sua própria segurança e na dissuasão convencional, enquanto os Estados Unidos também voltarão sua atenção para outras regiões", acrescentou ele. 

Sob a pressão de Donald Trump, que deseja concentrar os recursos militares americanos em regiões fora da Europa - devido à rivalidade principalmente com a China -, vários países aumentaram seus orçamentos de defesa e aprovaram a meta de destinar 5% de seu PIB à segurança até 2035. 

Berlim lidera apoio à Ucrânia 

A eleição do general Breuer é "também um sinal de confiança na Alemanha e um reconhecimento das inúmeras medidas adotadas pelo país para fortalecer a aliança", avaliou Pistorius. 

Berlim tornou-se a principal doadora à Ucrânia para ajudá-la na guerra contra a Rússia. A Alemanha considera-se na linha de frente diante de Moscou, a quem acusa de realizar "ataques híbridos", incluindo atos de espionagem, sabotagem e ataques cibernéticos. 

No sábado, o ex-presidente e ex-primeiro-ministro russo Dimitry Medvedev, que lidera o partido governista Rússia Unida, acusou os europeus de travarem "uma guerra direta contra a Rússia" por meio de seu apoio a Kiev. 

"Assim como há cem anos, os canalhas europeus só entendem a força bruta", acrescentou ele, referindo-se à tomada de controle, anunciada por Moscou, dos ativos de empresas europeias ainda estabelecidas na Rússia.

Com AFP

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