Crimeia declara situação de emergência após crescentes ataques ucranianos
As autoridades da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, declararam nesta sexta-feira (26) uma "situação de emergência" na região para enfrentar os crescentes ataques ucranianos contra a península. A região está enfrentando escassez de combustível e começa a sofrer com cortes de energia.
Por Anissa El Jabri, correspondente em Anapa e AFP.
"Decidimos declarar situação de emergência em âmbito regional na República da Crimeia e na cidade de Sebastopol por meio de decretos", anunciou no Telegram o governador Serguei Aksionov, designado por Moscou, um dia depois de divulgar cortes de energia elétrica em toda Crimeia devido aos ataques.
A situação de emergência permitirá "garantir um funcionamento estável" da atividade em "todos os setores", afirmou Aksionov. Kiev alega que os ataques aéreos são uma resposta de represália pelos bombardeios quase diários da Rússia contra civis ucranianos e a infraestrutura energética.
Em outro comunicado divulgado na quinta-feira (25), o governador afirmou que "a situação do combustível é a mais difícil". "Não posso dizer exatamente quanto tempo vai demorar, nem posso explicar publicamente o plano de ação específico. No entanto, estamos agindo", disse Aksionov.
Mar Negro sob pressão
A crise se estende por regiões vizinhas. Ao norte do Mar Negro e nas costas da Crimeia, cada vez mais postos de gasolina ficam lotados: dezenas, até centenas, de motoristas de veículos aguardam, todos tentando abastecer. A dimensão da falta de combustível na península é evidente.
"Estamos muito descontentes com tudo o que está acontecendo e estamos exaustos. Estamos aqui desde as 4h da manhã e, como você pode ver, ainda não conseguimos abastecer. Quando chegamos a este posto de gasolina, os caminhões estavam enchendo os tanques de combustível e, quando isso acontece, as vendas são inevitavelmente suspensas. É por isso que a fila está tão longa", contou um morador entrevistado na manhã de quarta-feira (24), antes do decreto de emergência.
Os postos de gasolina localizados na entrada e na saída da Ponte de Kerch limitaram as vendas a 30 litros, e os caixas estão anotando as placas dos veículos atendidos. O objetivo é impedir que os motoristas voltem para a fila imediatamente após serem atendidos uma vez.
A escassez tem levado motoristas a percorrer vários postos em busca de combustível. Para alguns, a viagem de ida e volta para abastecer leva 24 horas, e isso é necessário duas vezes por semana. Segundo um morador da parte norte da península, é proibido transportar mais de 100 litros em galões ao atravessar a ponte, e a espera para fiscalização pode chegar a três horas.
De acordo com outros relatos, especuladores ainda vendem gasolina na Crimeia a 300 rublos por litro (R$ 20,05), mais de quatro vezes o preço médio na Rússia. Nessa região, assim como em outras partes do país, as palavras-chave mais buscadas na internet nos últimos dias têm sido: "como furtar gasolina de um tanque".
Segurança se deteriorando
Nesta sexta-feira, a defesa antiaérea russa derrubou 660 drones ucranianos durante a madrugada, anunciou o Ministério da Defesa, um dos números mais elevados desde o início do conflito em 2022. Os aparelhos foram destruídos em mais de 10 regiões, incluindo Moscou, na Crimeia, no Mar Negro e no Mar de Azov, indicou o ministério russo.
Na quinta-feira, os moradores foram informados que os bloqueios seriam generalizados em toda a península da Crimeia. Há uma semana, é proibido circular por lá após as 20h em bicicletas elétricas, scooters ou mobiletes, sob a alegação de que o ruído é semelhante ao de drones.
Segundo depoimentos coletados pela RFI, os ataques a Sebastopol foram numerosos nos últimos dias, e foi nessa cidade que os primeiros cortes de energia foram relatados no início da semana.
Devido às ofensivas ucranianas, as rotas de abastecimento da Crimeira são escassas e, por vezes, perigosas. A ponte de Kerch — uma infraestrutura sob vigilância e proteção reforçadas — no lado russo, continua sendo o caminho mais utilizado.
Outras rotas estão fora de serviço, não se sabe por quanto tempo. O porto de Kerch ficou inutilizável devido a ataques aéreos vindos de Kiev no último fim de semana.
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