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Comissão de direitos humanos francesa quer proibir espaços 'adults only' e alerta para exclusão de crianças

A Comissão Nacional Consultativa de Direitos Humanos (CNCDH), órgão independente responsável por assessorar o governo e o Parlamento da França em questões relacionadas aos direitos humanos, publicou nesta segunda-feira (6) um relatório que alerta para a redução da presença de crianças em espaços públicos no país nos últimos anos e defende a proibição de áreas "No Kids" ou "adults only", destinadas exclusivamente a adultos.

6 jul 2026 - 14h37
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Nos últimos anos, a criação de espaços proibidos para crianças, também conhecidos como adults only ("apenas para adultos"), em setores como hotelaria, gastronomia e transporte, tem provocado controvérsias em diversos países europeus.

Imagem de ilustração. Comissão de direitos humanos da França pede proibição de áreas restritas para adultos.
Imagem de ilustração. Comissão de direitos humanos da França pede proibição de áreas restritas para adultos.
Foto: AFP - JUNG YEON-JE / RFI

O tema era pouco debatido na França até janeiro, quando a companhia ferroviária estatal SNCF anunciou um novo serviço que excluía em alguns vagões crianças menores de 12 anos, ao mesmo tempo em que prometia "silêncio" e "conforto" aos passageiros.

Em 9 de fevereiro de 2026, a alta-comissária para a Infância, Sarah El Haïry, encaminhou à CNCDH a questão da proliferação deste tipo de espaços na França, solicitando que o órgão analisasse o fenômeno e suas consequências para o lugar das crianças na sociedade francesa.

Após meses de análise, a comissão divulgou seu relatório nesta segunda-feira. Entre as recomendações apresentadas, o órgão defende a proibição de áreas "sem crianças", que só devem existir quando houver justificativa relacionada à proteção dos próprios menores.

"Acredito que isso atualmente viola a lei", afirmou El Haïry em entrevista à rádio RMC nesta segunda-feira. Segundo ela, a situação configura uma forma de discriminação.

A alta-comissária também defendeu a proibição dos espaços "No Kids". Embora a legislação francesa já proíba a discriminação por idade, El Haïry disse à imprensa, ao receber o parecer da comissão, que incentiva cidadãos e associações a promover mais ações coletivas sobre o tema.

"Se a jurisprudência não evoluir claramente para a proibição de políticas 'sem crianças', haverá uma resposta legislativa complementar", prometeu.

"A presença de crianças em espaços públicos diminuiu consideravelmente nos últimos 40 anos", observa a CNCDH no documento. A comissão destaca ainda um paradoxo entre a "crescente intolerância" em relação às crianças pequenas e a "preocupação crescente com a queda da natalidade", que atualmente se encontra em seu nível mais baixo na França desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Cidade amiga da infância

No início deste ano, Sarah El Haïry definiu o combate aos espaços que excluem crianças como uma de suas prioridades, argumentando que uma cidade "amiga das crianças" seria "benéfica para todos", especialmente para idosos e pessoas com deficiência.

A CNCDH também recomenda a redução da velocidade do tráfego em áreas urbanas e residenciais e a concepção de parques infantis em consulta com as próprias crianças. As propostas refletem o desejo da comissão de promover a criação de "cidades pensadas a partir da perspectiva da criança".

No campo da cidadania, a CNCDH considera que "vale a pena examinar" a possibilidade de reduzir a idade mínima para votar em determinadas eleições locais ou até mesmo nacionais, com o objetivo de ampliar a participação dos jovens nas políticas públicas. Atualmente, o direito ao voto na França é concedido a partir dos 18 anos.

Em uma perspectiva mais ampla, a comissão lamenta a exclusão social dos jovens, que, segundo o relatório, são vistos mais "como indivíduos a serem monitorados, controlados, recompensados ou punidos do que como seres humanos dotados da mesma dignidade que os adultos".

El Haïry também promoveu a segunda edição do selo Choix des familles ("Escolha das Famílias"), que reconhece estabelecimentos franceses que acolhem crianças. A classificação foi lançada pelo governo francês em 2025, visando recompensar os comércios que recebem crianças. Pais e filhos podem indicar seus restaurantes, espaços culturais e pontos turísticos inclusivos favoritos na plataforma homônima até 30 de setembro.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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