Script = https://s1.trrsf.com/update-1789154714/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

As Principais Notícias da Europa

Publicidade

'Carrasco do Estado Islâmico': acusado de assassinatos na Síria e no Iraque é julgado em Paris

Othman Garrido é acusado de assassinato e homicídios cometidos sob o domínio do Estado Islâmico no Iraque e na Síria. O processo começou nesta segunda-feira (14), em Paris, enquanto outro julgamento ligado ao terrorismo jihadista, o recurso dos acusados pelos atentados de Trèbes e Carcassonne, também teve início na capital francesa.

14 set 2026 - 11h03
(atualizado às 12h42)
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
O francês Garrido, de 32 anos, começou a ser julgado em Paris acusado de assassinatos e atuação no Estado Islâmico durante oito anos no Oriente Médio. As principais provas incluem fotos onde ele aparece sorrindo ao lado de corpos decapitados e de carrascos, embora sua defesa negue a autoria direta das mortes. Único homem sobrevivente de uma família radicalizada, ele pode pegar prisão perpétua, em um caso emblemático sobre a responsabilidade de indivíduos vinculados a grupos jihadistas.

Aos 32 anos, Garrido é acusado de ter participado das atividades do grupo Estado Islâmico durante os oito anos em que permaneceu na Síria e no Iraque. Natural de Montpellier, no sul da França, ele partiu voluntariamente para a Síria em 2012, aos 18 anos, e inicialmente se juntou à Jabhat al-Nosra, braço sírio da Al-Qaeda, antes de ingressar no Estado Islâmico após a ruptura entre os dois grupos.

Desenho feito na abertura do julgamento dos ataques em Trèbes e Carcassonne, no Palácio da Justiça, em Paris, em 22 de janeiro de 2023.
Desenho feito na abertura do julgamento dos ataques em Trèbes e Carcassonne, no Palácio da Justiça, em Paris, em 22 de janeiro de 2023.
Foto: AFP - BENOIT PEYRUCQ / RFI

Entre as principais provas da acusação estão fotos encontradas em um telefone que teria pertencido à sua mulher, com quem se casou religiosamente nas áreas controladas pelo Estado Islâmico e com quem teve dois filhos. As imagens foram entregues aos investigadores franceses pelos americanos, que comandavam a coalizão internacional que derrotou o Estado Islâmico em 2019.

Uma das fotografias mostra um homem com o rosto parcialmente coberto por um lenço, de pé diante de um cadáver decapitado, com a cabeça da vítima aos seus pés. O homem levanta o indicador para o céu, em um gesto de lealdade ao Estado Islâmico, e tem sangue nas mãos.

Para os investigadores, a imagem pode indicar que ele foi o autor do assassinato. Garrido reconheceu a semelhança com o homem fotografado, mas sempre negou ser o carrasco. Chegou a afirmar que poderia se tratar de um de seus irmãos, ambos mortos em combate na Síria.

A fotografia, porém, não tem data nem localização, a identidade da vítima é desconhecida e os peritos não conseguiram identificar formalmente o homem mascarado. "Não se deve fazer uma foto dizer mais do que ela diz", argumenta o advogado de Garrido, Antoine Ory. "Mesmo supondo que seja ele na foto, isso não permite dizer que ele é o assassino."

Execução pública

Outra série de imagens envolve a execução pública de dois iranianos em 2015, em Al-Qaryatayn, no centro da Síria. As fotografias mostram jihadistas ao redor dos cadáveres, com as cabeças decepadas colocadas sobre os corpos.

Garrido aparece sorrindo nas imagens, segurando pelos ombros os dois supostos carrascos, os jihadistas franceses Yacine Rettoun e Oumar Diaw, que teriam morrido posteriormente. Há ainda fotos de Garrido dentro da caminhonete dos jihadistas que transportaram os dois iranianos até o local da execução. Ele reconheceu ter presenciado o ato.

O julgamento, previsto para terminar em 21 de setembro, deverá dedicar espaço significativo à análise da personalidade e da trajetória do acusado. Nascido em uma família marcada pela ideologia jihadista, Garrido deixou a escola aos 12 anos para trabalhar com o pai.

Seu pai, um convertido franco-espanhol, morreu em um atentado suicida em 2016, enquanto seus dois irmãos foram mortos em combate. Garrido é hoje o único homem sobrevivente da família e pode ser condenado à prisão perpétua.

Os especialistas que o avaliaram durante a detenção consideraram que ele teria começado a se distanciar do discurso jihadista. A administração penitenciária mencionou, em 2023, uma "desconstrução ideológica".

Garrido já foi condenado em 2017, em um processo distinto, a 15 anos de prisão por ter ingressado no Estado Islâmico, participado de combates e incitado muçulmanos na França a cometer ações violentas. Como ele ainda estava na Síria durante esse julgamento, deverá ser novamente julgado na França, desta vez na sua presença, a partir de 22 de setembro.

O recurso dos atentados de Trèbes e Carcassonne

Paralelamente, começou nesta segunda-feira, diante do Tribunal do Júri Especial de Paris, o julgamento em recurso de dois acusados ligados aos atentados de Trèbes e Carcassonne, no sul da França, em março de 2018.

Os ataques, cometidos por Radouane Lakdim em 23 de março de 2018, deixaram quatro mortos, entre eles o tenente-coronel da gendarmaria Arnaud Beltrame, que morreu depois de se oferecer para trocar de lugar com uma refém.

Entre os acusados está Marine Pequignot, ex-namorada de Lakdim, que havia sido radicalizada e mantinha contato com ele antes dos ataques. O processo em recurso deverá reexaminar o grau de responsabilidade dos acusados e as provas apresentadas contra eles.

Os dois julgamentos recolocam no centro dos debates judiciais franceses a trajetória de indivíduos ligados ao jihadismo e, sobretudo, a questão da responsabilidade daqueles que participaram, apoiaram ou acompanharam organizações terroristas sem necessariamente terem sido os autores materiais dos assassinatos.

com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra