Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

Do controle de passageiros às portas reforçadas: como o 11 de setembro mudou a segurança da aviação

Ataques terroristas nos EUA transformaram protocolos em aeroportos e aviões e levaram a mudanças internacionais

11 set 2026 - 07h21
Compartilhar
Exibir comentários
A TSA foi criada por uma lei aprovada em novembro de 2001 e passou a centralizar a inspeção de passageiros, bagagens e cargas nos aeroportos americanos
A TSA foi criada por uma lei aprovada em novembro de 2001 e passou a centralizar a inspeção de passageiros, bagagens e cargas nos aeroportos americanos
Foto: Imagem ilustrativa/Magnific

Quem viaja de avião atualmente está acostumado a chegar ao aeroporto com antecedência, apresentar documentos e cartão de embarque, passar por detectores de metais e inspeção de bagagem e, em alguns casos, retirar líquidos, eletrônicos, sapatos e outros objetos para a revista. Dentro da aeronave, portas reforçadas isolam a cabine dos pilotos e o acesso ao cockpit é rigidamente controlado.

Grande parte desses procedimentos é tão incorporada à rotina de uma viagem que pode parecer que sempre existiram, mas nem sempre foi assim.

O atentado de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos expôs uma série de vulnerabilidades na segurança da aviação e provocou uma das maiores transformações já realizadas no setor. O governo do país assumiu diretamente o controle da inspeção de passageiros e bagagens, enquanto aeroportos e companhias aéreas passaram a operar sob regras muito mais rígidas. As mudanças também aconteceram em todo o mundo.

A Organização da Aviação Civil Internacional (OACI, ou ICAO, na sigla em inglês) considera o 11 de setembro um ponto de virada para a aviação civil internacional. Após os ataques, a entidade aprovou uma estratégia global para fortalecer a segurança e ampliou padrões internacionais de controle, incluindo medidas relacionadas ao acesso a áreas restritas, passageiros, bagagens e compartilhamento de informações.

Terminais eram acessíveis a todos

Nos Estados Unidos, a segurança dos aeroportos era realizada antes de 2001 por empresas privadas contratadas pelas companhias aéreas ou pelos próprios aeroportos. Passageiros passavam por detectores de metais, mas o nível de controle era significativamente menor.

Familiares e amigos também podiam acompanhar quem viajava até o portão de embarque. Objetos que hoje seriam proibidos na cabine, como pequenos canivetes e estiletes, podiam ser permitidos em determinadas circunstâncias.

Depois dos ataques, essa lógica mudou completamente, após a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) restringir o acesso aos portões de embarque a passageiros com bilhetes e proibir facas e estiletes na bagagem de mão. Isso porque os sequestradores do 11 de setembro usaram pequenas lâminas para ameaçar passageiros e tripulantes e assumir o controle das aeronaves.

Criação da TSA

Do controle de passageiros às portas reforçadas: como o 11 de setembro mudou a segurança da aviação
Do controle de passageiros às portas reforçadas: como o 11 de setembro mudou a segurança da aviação
Foto: Imagem ilustrativa/Magnific

O especialista em segurança da aviação Jeff Price, professor da Metropolitan State University of Denver, considera a criação da Transportation Security Administration (TSA) uma das mudanças mais importantes provocadas pelos ataques. “A maior mudança para a indústria veio com a criação da Transportation Security Administration”, disse em entrevista ao portal da universidade.

A TSA foi criada por uma lei aprovada em novembro de 2001 e passou a centralizar a inspeção de passageiros, bagagens e cargas nos aeroportos americanos, substituindo o modelo anterior baseado nos contratos das companhias aéreas. A nova estrutura também estabeleceu padrões nacionais de treinamento e fiscalização.

Mais regras sobre as bagagens

A Organização da Aviação Civil Internacional (OACI, ou ICAO, na sigla em inglês) considera o 11 de setembro um ponto de virada para a aviação civil internacional
A Organização da Aviação Civil Internacional (OACI, ou ICAO, na sigla em inglês) considera o 11 de setembro um ponto de virada para a aviação civil internacional
Foto: Imagem ilustrativa/Magnific

O 11 de setembro também mudou a forma como as autoridades passaram a enxergar a relação entre passageiros e bagagens. A preocupação com explosivos em malas, porém, já vinha de ataques anteriores.

Em 1988, uma bomba escondida em uma mala destruiu o voo 103 da Pan Am sobre Lockerbie, na Escócia. O atentado matou 259 pessoas a bordo e 11 em solo e levou os Estados Unidos a reforçarem a inspeção de bagagens despachadas, inclusive com exames por raio X e confirmação de que a mala pertencia a um passageiro que efetivamente embarcaria.

Depois do 11 de setembro, a inspeção de bagagens foi ampliada ainda mais. A legislação americana determinou que 100% das malas despachadas fossem submetidas a exames para detectar explosivos. A mudança passou a valer para o mundo todo em seguida.

Portas reforçadas entre cabine e cockpit

Antes dos ataques, a possibilidade de um sequestrador assumir o controle da aeronave era tratada de maneira diferente pelas autoridades. Esperava-se que, em caso de um sequestro, o criminoso pudesse querer dinheiro, libertação de presos ou concessões políticas, e não transformar o avião em uma arma, mas isso mudou com o 11 de setembro.

As portas das cabines de comando passaram a ser reforçadas e projetadas para impedir a entrada não autorizada de pessoas. A lei americana também determinou o uso de portas reforçadas no cockpit e ampliou a presença de agentes federais de segurança em voos.

A OACI também incorporou medidas de proteção da cabine de comando aos padrões internacionais. A mudança alterou a rotina dos passageiros també, já que o cockpit passou a ser uma área inacessível durante o voo.

Identificação de passageiros

Grande parte desses procedimentos é tão incorporada à rotina de uma viagem que pode parecer que sempre existiram, mas nem sempre foi assim
Grande parte desses procedimentos é tão incorporada à rotina de uma viagem que pode parecer que sempre existiram, mas nem sempre foi assim
Foto: Imagem ilustrativa/Magnific

Antes mesmo de os passageiros chegarem ao avião, é preciso garantir a identificação no aeroporto, o que não acontecia antes. Nos EUA, documentos oficiais só começaram a ser exigidos em voos domésticos após o 11 de setembro, e os aeroportos começaram a restringir o acesso a áreas operacionais e de embarque.

Além da identificação, os dados do passageiro são usados para uma avaliação de risco. Segundo a revista Fortune, a TSA passou a utilizar cada vez mais listas de observação, verificações de antecedentes e outras informações para identificar passageiros que poderiam ser submetidos a controles adicionais.

A medida é alvo de polêmica até hoje, e levantou um debate sobre os limites do Estado sobre o controle de passageiros em nome da segurança. Os critérios são questionados por organizações civis que consideram o processo pouco transparente, e alertam para o risco de listas imprecisas, e abordagens discriminatórias por raça, religião e outros aspectos.

Sapatos, líquidos e scanners

Ataques terroristas nos EUA transformaram protocolos em aeroportos e aviões e levaram a mudanças internacionais
Ataques terroristas nos EUA transformaram protocolos em aeroportos e aviões e levaram a mudanças internacionais
Foto: Imagem ilustrativa/Magnific

Novas exigências surgiram apenas três meses após os atentados, quando em dezembro de 2001, Richard Reid tentou detonar explosivos escondidos em seus sapatos durante um voo entre Paris e Miami. A bomba não foi detonada e o homem foi dominado pela tripulação e passageiros. O caso levou autoridades americanas a recomendarem que as pessoas tirassem os sapatos durante a inspeção nos aeroportos. Atualmente, a prática é obrigatória.

Os líquidos também são proibidos em bagagens de mão. Isso porque, em 2006, autoridades britânicas desarticularam um plano de detonar explosivos líquidos em um voo. Desde então, a TSA proibiu líquidos, géis e aerossóis na área de embarque. A regra, depois, mudou para um limite de 100ml por recipiente, que deve caber em uma embalagem transparente.

Com o avanço da tecnologia, algumas dessas medidas foram flexibilizadas. Nos EUA, a retirada dos sapatos obrigatória foi encerrada em 2025. Equipamentos atuais também permitem eletrônicos na bagagem dos passageiros durante a inspeção.

Fonte: Portal Terra
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra