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Brasileiro disputa Festival Mundial do Circo do Amanhã em Paris: "É como se fosse a Olimpíada"

É como se fossem os Jogos Olímpicos do circo. Durante quatro dias, os melhores artistas de 18 países se apresentam no Festival Mondial du Cirque de Demain, ou Festival Mundial do Circo do Amanhã, em Paris. Diante de um júri especializado, eles disputam medalhas, prêmios e contratos com companhias renomadas.

23 jan 2026 - 14h37
(atualizado às 14h49)
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Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris

Entre os candidatos desta 45ª edição, está o brasileiro Vitor Martinez Silva, de 21 anos. Natural de São José do Rio Preto, ele se mudou para o Canadá aos 13 anos, para estudar na Escola Nacional de Circo de Montreal. Era o começo de um sonho de infância.  

"Eu me lembro de já estar consumindo espetáculos de circo em DVD ou na minha cidade e uma vez, com 6 anos, eu encontrei um brinquedo no supermercado que parecia um número de um espetáculo de circo que eu assistia. Eu comecei a treinar, a decodificar os truques do diabolo", lembra ele, em entrevista à RFI. "Assisti ao espetáculo em câmera lenta com meu pai e daí surgiram os meus treinos, que me levaram a me mudar para Montreal, na capital do circo, para terminar meus estudos de ensino médio e colegial e começar minha carreira como artista circense", diz. 

Vitor explica que além do aspecto físico, ele precisa trabalhar as emoções. "A gente quer passar uma mensagem, então tem a parte teatral, que vem da alma. Porém, tem um aspecto físico que tem que respeitar, de mobilidade do corpo, força, flexibilidade, dança. Circo é um conjunto de várias artes."  

O brasileiro se apresenta no diabolo, modalidade muito comum na Ásia, que ele diz praticar com um tempero brasileiro. O seu ato se chama Bird Dust, criado por Silva há dois anos. "Foi o meu número de formatura da minha escola de circo em Montreal, e tem vários elementos muitos pessoais para mim. Fala sobre falta de liberdade e vários outros temas", afirma. "Eu quero tentar mostrar para o mundo uma maneira diferente de executar esse aparelho", desafia.  

Catalisador de carreiras

O treinador de Vitor deixou o picadeiro para se dedicar à formação de novos artistas. Nicolas Boivin-Gravel contou a RFI os requisitos para se tornar uma estrela e elogiou o brasileiro.  

"O Vitor tem uma presença de cena muito forte, uma conexão com o público. Ele se movimenta muito bem com o diabolo, faz movimentos acrobáticos únicos", avalia. "É um número muito antigo de circo, há muitos taiwaneses e japoneses que o praticam. E agora as pessoas o adaptam de forma mais esportiva e artística", completa. 

Atualmente, Nicolas Boivin-Gravel é diretor acrobático do famoso Cirque du Soleil, onde muitos dos concorrentes sonham trabalhar um dia.  

"Aqui é um lugar excepcional para vermos muitos talentos. Muitos nós já vimos em vídeos, os conhecemos, mas é o momento de verificar se são bons de verdade, se têm uma presença, uma aura no palco. E aí vamos falar com eles. Paris é um dos maiores momentos de encontro para o mundo do circo", observa.      

Em plena era digital, o circo continua fascinando plateias no mundo inteiro. "Este é um festival que nasceu em 1977, direcionado aos novos talentos. É um dos mais antigos do mundo", explica Pascal Jacob, diretor artístico do festival e do Cirque Phênix, onde acontecem as apresentações. "Nós sempre procuramos dar destaque e valorizar os jovens artistas que vêm de escolas, de famílias ou são autodidatas", salienta, definindo o encontro como "um catalisador de carreiras".  

Para Jacob, se o circo ainda atrai público é porque se trata de uma atividade verdadeira. "Nós não trapaceamos. O público sabe por que veio, os artistas sabem por que estão lá, e há realmente uma troca", define. "Eu penso que a força do circo, diferentemente da dança e do teatro, é que ele tem algo particular, que é uma relação com o risco e com a vida, e o público vem ver algo que não verá em outro lugar. A força do circo é agora, nesse instante, nesse momento", conclui.  

Para o brasileiro Vitor, é esse encontro com a plateia que faz todo esforço valer a pena. "Esse contato, essa troca de energia, eu dou ao público e recebo essa troca vital", completa. 

"É muito bom poder fazer parte de espetáculos em que a gente pode fazer o público esquecer o que acontece no mundo por alguns minutos, algumas horas. Esse é o nosso trabalho: dar uma pausa na realidade e nas coisas ruins que acontecem hoje em dia e viver um mundo alternativo", afirma.  

"Olimpíadas do Circo"

Como os demais participantes, Vitor Martinez Silva sonha sair de Paris empregado - mas já se sente um vencedor de estar entre os selecionados.  

"Esse festival é muito conhecido por começar carreiras, longas carreiras. Eu tenho vários amigos que tiveram sucesso de dez anos após o festival, com contratos em diversas companhias circenses. Todo mundo acaba ganhando só de estar aqui, porque é um festival muito conhecido, de muito prestígio, como se fosse nível de Olimpíadas no circo", compara.  

Por causa da carreira, ele conta que vai pouco ao Brasil, mas não reclama da falta de tempo. "A minha relação com o Brasil é distante. Eu não consigo ver minha família, é minha família que tem que seguir as minhas viagens", relata. "Mas tem muito do Brasil dentro de mim. É a forma de ser, de conversar, de falar, de ver o mundo. A gente tem uma alegria. São poucos lugares onde a gente encontra pessoas assim", observa. 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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