Brasil sinaliza apoio à transição energética, mas recua diante de países petroleiros na COP30
Depois de uma prolongação das negociações da COP30 em Belém, no sábado (22), os jornais franceses desta segunda-feira (24) destacam que, apesar das tentativas, europeus e outros países, como a Colômbia, se contentaram em aceitar um texto final fazendo apenas uma referência indireta aos combustíveis fósseis, responsáveis pelo aquecimento global, e sem um novo caminho para o desenvolvimento energético.
"Será que isso é salvar o multilateralismo climático?", questiona o Libération. O diário observa que a Cúpula do Clima da ONU, iniciada em 10 de novembro, "terminou sem avanços concretos para o financiamento da transição e com um objetivo pouco claro sobre a necessidade de adaptação".
A reportagem aponta a falta de ambição e de vontade política de muitos países, obrigados pelo Acordo de Paris a apresentarem seus planos de redução de emissões de gases de efeito estufa. No entanto, até o fim do evento em Belém, 80 nações sequer haviam apresentado suas metas.
Segundo as últimas projeções da ONU, as políticas atuais levariam a um aquecimento de 2,8 graus Celsius em relação à era pré-industrial, acima, portanto, do 1,5 grau aprovado como meta em Paris, há uma década.
Uma das explicações para tamanha falta de ambição entre os países participantes da COP30 seria evitar uma confrontação direta com os Estados Unidos, que sequer enviaram representantes, no momento em que o presidente Donald Trump ameaça com taxas extras no comércio internacional.
O jornal Le Figaro destaca a posição dos países europeus, que pressionaram por uma menção direta ao abandono dos combustíveis fósseis, mas foram vencidos pela maioria.
Para a Europa, o texto final não chega a ser um retrocesso, mas trouxe profunda decepção, uma vez que o assunto havia sido mencionado claramente na COP28 em Dubai, há dois anos.
A delegação da França em Belém apontou "um discurso ambíguo do Brasil, uma vez que o país parecia disposto a defender o fim dos combustíveis fósseis". Porém, os anfitriões acabaram cedendo aos países produtores de petróleo, como a Rússia e a Arábia Saudita, conclui o Figaro.