Bélgica vive reta final das eleições em meio a crise de Estado
A Bélgica realiza eleições antecipadas no próximo domingo concentrada na crise de Estado que o país vive a três semanas de assumir a Presidência rotatória da União Europeia (UE).
A convocação das eleições foi a única solução depois da queda da coalizão de governo integrada por cinco partidos. O catalisador foram às disputas linguísticas entre flamengos e francófonos em torno do distrito eleitoral e judicial de Bruxelas-Halle-Vilvoorde (BHV).
O primeiro-ministro em fim de mandato, Yves Leterme, disse a rede pública RTBF que é preciso que os eleitores votem. Leterme, um democrata-cristão flamengo, assegurou que o seu partido, o CD&V quer "pedir permissão aos eleitores não para demolir o Estado belga, mas para reformá-lo". Ele rejeita as teses dos partidos mais extremistas que, em um país dominado pelas diferenças entre valões e flamengos, veem a cisão como única saída.
Por outro lado, o líder do liberal flamengo Open VLD, Alexander de Croo, se referiu à iminente Presidência rotatória da UE que a Bélgica deve assumir no dia 1º de julho. Para ele com as eleições antecipadas e a crise de Estado, essa não é a "situação ideal" para assumir essa tarefa.
Considerando que o futuro governo dificilmente estará constituído para o dia 1º de julho, seria ainda Leterme o encarregado de liderar durante um tempo a administração interina que lideraria o país, embora com competências limitadas.
Leterme substituiu Herman Van Rompuy à frente do partido democrata-cristão flamengo em novembro, para que este assumisse a Presidência estável do Conselho Europeu.
A legalidade das eleições antecipadas foi posta em dúvida por alguns constitucionalistas que consideram que, antes de ir às urnas, seria preciso resolver a sorte de Bruxelas-Halle-Vilvoorde (BHV), distrito eleitoral chave.
Entre eles, o próprio primeiro-ministro que há algumas semanas declarou à imprensa que as próximas eleições "serão legais, mas não constitucionais".
Desde as eleições de junho de 2007, a Bélgica teve diversos Governos, mas nenhum levou ao país à estabilidade. As últimas pesquisas publicadas em Flandres colocam o partida nacionalista flamengo N-VA de Bart De Wever à frente, seguido do CD&V de Leterme.
De Wever disse há dois anos que os "imigrantes que têm que se adaptar" à minoria francófona que vive em Flandres. Na última semana, dois novos assuntos somaram-se à agenda eleitoral: o sistema de previdência e a segurança nas instalações judiciais do país, após o assassinato de uma juíza de paz e um funcionário durante uma audiência em um tribunal do centro de Bruxelas.