Após renunciar ao mandato, Nigel Farage é reeleito deputado no Reino Unido com quase 63% dos votos
O líder do partido anti-imigração Reform UK, Nigel Farage, foi reeleito deputado após vencer a eleição legislativa parcial realizada nesta quinta-feira (13) no Reino Unido. Os resultados oficiais, divulgados nesta sexta-feira (14) pelas autoridades eleitorais, mostram que Farage obteve quase 63% dos votos válidos. O pleito foi convocado após a renúncia do próprio político ao mandato, em meio a uma investigação parlamentar sobre supostas doações não declaradas.
Émeline Vin, correspondente da RFI em Londres, e AFP
A eleição despertou interesse limitado do eleitorado. Apenas 44% dos votantes compareceram às urnas, índice inferior aos 59% registrados nas eleições gerais de 2024, mas compatível com a tradição britânica de baixa participação em pleitos desse tipo. O resultado pode ter sido influenciado pelo período de férias de verão, quando milhões de britânicos estão fora de casa.
Além disso, os principais partidos do país, incluindo Trabalhistas, Conservadores e Liberal-Democratas, decidiram boicotar a disputa e não lançaram candidatos. As legendas classificaram a renúncia de Farage, seguida de sua tentativa de reconquistar o mandato nas urnas, como uma jogada de marketing político.
Em Clacton-on-Sea, no leste da Inglaterra, Farage confirmou o amplo favoritismo ao obter 22.239 votos, o equivalente a quase 63% dos sufrágios. A surpresa da eleição veio do candidato satírico conhecido como "Conde Cara de Lixo", que terminou em segundo lugar com 9.455 votos e 27% dos votos, desempenho acima das projeções, que lhe atribuíam cerca de 20%.
"O resultado em Clacton fala por si", escreveu Nigel Farage na rede X. O líder do Reform UK não compareceu à divulgação oficial da apuração, alegando ameaças à sua segurança, informação que não foi confirmada pela polícia. O discurso previsto para esta sexta-feira também acabou cancelado.
A vitória era amplamente esperada. Farage, de 62 anos, mantém forte apoio em Clacton-on-Sea, cidade costeira do leste da Inglaterra marcada pelo envelhecimento da população e por dificuldades econômicas. Foi ali que o líder da extrema direita britânica consolidou sua base eleitoral, explorando o sentimento de abandono em relação às elites políticas de Londres.
Ele foi eleito deputado pelo distrito pela primeira vez em julho de 2024, depois de sete tentativas frustradas de ingressar na Câmara dos Comuns. Em 7 de julho deste ano, porém, renunciou ao mandato em meio a uma investigação parlamentar sobre supostas doações não declaradas, decisão que levou à convocação da eleição suplementar da qual saiu agora vitorioso.
Investigação do Parlamento britânico será retomada
Entre os casos examinados está uma doação de 5 milhões de libras (cerca de R$ 34,2 milhões) feita pelo bilionário do setor de criptomoedas Christopher Harborne antes das eleições de 2024. Segundo o jornal The Times, Farage também teria recebido apoio financeiro não declarado de George Cottrell, empresário ligado ao mercado de criptoativos e condenado por fraude nos Estados Unidos em 2017.
Durante a campanha, Farage apresentou a votação como uma disputa entre "o povo" e o "establishment" político britânico. "Que o povo seja meu juiz, e não a elite de Westminster", declarou.
A investigação parlamentar, suspensa durante o período eleitoral, será retomada agora. Caso os parlamentares concluam que houve uma infração grave às regras de transparência, Farage poderá ser suspenso da Câmara dos Comuns por mais de dez dias, cenário que abriria caminho para uma nova eleição suplementar. Desta vez, porém, os grandes partidos já sinalizaram que pretendem disputar a vaga.
A reeleição ocorre em um momento de incerteza para o Reform UK. Após uma ascensão meteórica nos últimos dois anos e uma vitória expressiva nas eleições locais de maio, o partido perdeu espaço nas pesquisas de opinião desde a chegada de Andy Burnham ao governo, em julho. Alguns analistas avaliam que a votação em Clacton pode dar novo fôlego político a Farage, embora as próximas eleições legislativas britânicas só estejam previstas para 2029.
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