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Em meio à onda de calor e ao alto risco de incêndios, bombeiros franceses entram em greve

Enquanto a França enfrenta a quinta onda de calor do ano, com mais da metade do território sob alerta laranja, um nível abaixo do máximo, os bombeiros iniciam uma greve nesta quinta-feira (13), justamente no dia previsto para o pico das temperaturas. A categoria reivindica equipamentos modernos, reforço no efetivo e medidas de proteção à saúde dos profissionais. Segundo um porta-voz sindical, o atual sistema de combate a incêndios já não é suficiente para enfrentar a intensificação dos fenômenos climáticos.

13 ago 2026 - 07h16
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Os bombeiros franceses aproveitam o contexto de uma nova onda de calor e do elevado risco de incêndios para dar visibilidade às suas reivindicações. Nove organizações sindicais convocaram a categoria para uma greve nesta quinta-feira (13). Em comunicado, as entidades conclamaram os profissionais a se mobilizar "por todos os meios legais disponíveis", seja aderindo à paralisação, usando sinais distintivos, participando de ações organizadas localmente ou ampliando a divulgação do movimento.

Com 41 anos de atuação na corporação, o tenente Ludovic Goblet, do Serviço Departamental de Incêndio e Socorro de Somme, no norte da França, afirma que faltam recursos e melhores condições de proteção para os profissionais que combatem incêndios. "Há um sentimento de saturação. Repetimos as mesmas coisas há mais de dez anos", disse.

Goblet, que também é vice-presidente do sindicato de bombeiros Spasdis-CFTC, declarou ao portal de notícias France Info que o sistema francês de combate a incêndios vem se deteriorando. "Depois dos incêndios registrados no início do verão, precisamos fazer nossa voz ser ouvida. As coisas ainda podem mudar", afirmou.

"Estamos em um sistema que precisa ser reformulado. Precisamos de mais recursos em termos de veículos e equipamentos, porque, no momento, eles não são suficientes. É necessário que sejam adequados e compatíveis com os novos fenômenos climáticos, que estão cada vez mais violentos. Também precisamos de mais pessoal" disse.

Na França, os Serviços de Bombeiros integram a Segurança Civil e contam tanto com profissionais remunerados quanto com voluntários. Estes últimos representam cerca de 80% do efetivo nacional e, por não atuarem em regime integral, têm disponibilidade limitada para as missões de emergência.

"Pedimos um efetivo mais adequado às nossas necessidades. Não estamos exigindo que seja composto por 50% de bombeiros profissionais e 50% de voluntários, mas, pelo menos, que seja garantido um equilíbrio que permita assegurar a continuidade do serviço", explica Goblet.

Cuidados com a saúde dos bombeiros

Os bombeiros também cobram maior atenção à saúde da categoria. Entre as reivindicações estão o reforço do acompanhamento médico dos profissionais e o reconhecimento de certas doenças ligadas à atividade, como alguns tipos de câncer, como doenças ocupacionais.

"Essa situação não é de hoje. Com os eventos de alcance nacional que vivemos durante o verão, o tema ganhou espaço na mídia. É uma oportunidade que precisamos aproveitar para alertar a população e dizer 'chega' às inúmeras promessas feitas em comissões ou durante sessões parlamentares que, na minha opinião, acabam apenas adiando o reforço da segurança civil", alertou Goblet.

Os bombeiros franceses realizaram quatro milhões de atendimentos ao longo de 2025, e o número aumenta a cada ano. "Esperamos que o governo apresente um projeto de lei o mais rápido possível e, em seguida, que a Assembleia Nacional e o Senado trabalhem para que haja avanços até o início de 2027", disse. Segundo ele, os bombeiros não pretendem paralisar completamente o serviço durante a greve. 

O ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, tem uma reunião prevista com representantes da categoria para discutir as reivindicações. 

Prejuízo bilionário

Com a nova onda de calor, os jornais franceses destacam os prejuízos econômicos provocados pelas altas temperaturas. Durante uma reunião de crise, a ministra da Transição Energética, Monique Barbut, mencionou perdas estimadas entre € 10 bilhões e € 15 bilhões. Atualmente, 63% dos lençóis freáticos estão abaixo do nível considerado normal. O setor agrícola é o mais afetado pelas temperaturas extremas, com impactos significativos sobre as colheitas. Segundo o jornal Les Echos, no entanto, ainda é cedo para medir com precisão os danos à produção agrícola e à pecuária.

Os efeitos da estiagem já são visíveis em diversas regiões do país. O jornal Le Parisien classificou a situação como uma "catástrofe agrícola". A alta das temperaturas desde meados de maio interrompeu o desenvolvimento de várias lavouras, resultando em um cenário considerado "desolador" para produtores de milho, soja, maçã, uva e beterraba, entre outras culturas. A Federação Nacional dos Sindicatos de Agricultores da França estima que entre 40% e 50% da produção nacional de milho esteja comprometida.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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