Espanha e Marrocos reforçam fronteira em Ceuta diante da ameaça de nova onda migratória em massa
Marrocos, Espanha e a Comissão Europeia continuam em alerta sobre a movimentação na fronteira de Ceuta, devido à ameaça de uma nova onda maciça de imigrantes. A informação surge no momento em que o governo espanhol estima que mais da metade dos 8 mil migrantes que permanecem na região podem ser elegíveis para asilo ou acolhimento.
As autoridades alertam para a disseminação nas redes sociais de publicações que afirmam que o posto entre Ceuta e Fnideq, no lado marroquino, "estará aberto" neste sábado (15), quando a Espanha celebra o feriado da Ascensão da Virgem Maria.
O receio dos dois países é que se repita a onda migratória ocorrida no final de julho, quando cerca de 80 mil migrantes cruzaram a fronteira do Marrocos para a Espanha em apenas alguns dias. Inicialmente, o número foi calculado em 72 mil, mas Madri elevou a estimativa nos últimos dias.
O caos gerado pela situação deixou 11 mortos no lado marroquino e cerca de 80 em território espanhol, segundo dados de Rabat e de Madri.
Medidas contra nova onda
O porta-voz do Ministério do Interior marroquino, Rachid El Khalfi, afirmou na quarta-feira (12) que tomou medidas necessárias para "impedir qualquer tentativa de travessia ilegal e interceptar qualquer pessoa que tente participar dela". Ele declarou ainda à agência oficial MAP que um grupo de indivíduos é suspeito de estar envolvido na divulgação de conteúdo que incita a organização de tentativas de travessia coletiva e ilegal para Ceuta e Melilla.
A imprensa espanhola publicou imagens de um destacamento de centenas de policiais de choque na fronteira de Benzú, região de Ceuta. O destacamento pode ser um exercício militar em preparação para uma possível tentativa de travessia no sábado, mas surpreende que ocorra em um ponto pouco frequentado por migrantes que tentam cruzar a fronteira.
Possibilidade de asilo
Cerca de 90% dos 80 mil migrantes que chegaram a Ceuta entre os dias 30 e 31 de julho já foram devolvidos ao Marrocos, de acordo com o governo espanhol. Entre 7 mil e 9 mil ainda permanecem na cidade.
Desse total, Madri estima que até 5 mil migrantes podem ser elegíveis para asilo ou acolhimento, informou o jornal El País nesta quinta-feira (13). Neste grupo, 2.500 são menores de idade, incluindo 600 meninas.
A Espanha é obrigada a analisar esses casos individualmente, embora o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, tenha declarado na terça-feira (11) que "todos os que entraram de forma irregular" seriam devolvidos. O Ministério do Interior anunciou que "mais de 400 processos de proteção internacional" já foram abertos.
Meta e TikTok colaboram com a UE
Em meio à crise migratória em Ceuta, um dos pontos discutidos foi a responsabilidade das redes sociais como plataformas de disseminação de boatos e informações falsas. Um dos rumores afirmava que "a fronteira de Ceuta estava aberta".
A União Europeia (UE) chegou a pedir explicações à Meta, dona do Facebook e do Instagram, e ao grupo chinês ByteDance, que controla o TikTok. Na terça-feira (11), a UE orientou essas empresas a reforçarem a verificação das publicações e a removerem aquelas que incentivassem uma nova tentativa de travessia.
Balazs Ujvari, porta-voz da Comissão Europeia, informou que as plataformas "ativaram seus protocolos de crise e foi decidido que seria acionado um mecanismo especialmente para aumentar a coordenação e a cooperação". O representante de Bruxelas explicou que esse mecanismo é aplicável em momentos de crise e permite que as plataformas recebam "informações mais precisas por parte dos verificadores de fatos" sobre possíveis "desinformações prejudiciais relacionadas, por exemplo, a uma possível nova travessia em massa da fronteira".
Troca de acusações
A ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles, decidiu se distanciar da estratégia do governo espanhol de não fazer nenhuma crítica à forma como o Marrocos tem lidado com a crise migratória. "Qualquer agressão a Ceuta ou a Melilla é uma agressão à Espanha como um todo. Ceuta e Melilla são intocáveis", afirmou a ministra da Defesa em uma coletiva de imprensa na quarta-feira.
Com tom de indignação, a ministra declarou que o que aconteceu em 30 de julho "não pode se repetir". Por fim, ela também afirmou que espera que recaia sobre as máfias ligadas ao tráfico de pessoas "todo o peso da lei" pelo "drama humanitário" provocado em Ceuta.
Do lado marroquino, o ministro da Justiça, Abdellatif Ouahbu, repreendeu a Espanha por aceitar os migrantes, argumentando que Rabat tenta impedir que eles saiam do Marrocos. Ele disse à agência EFE que o governo marroquino pretende suspender a aplicação do acordo de extradição com Madri devido à "reciprocidade das autoridades espanholas".
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