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Após protestos, manifestantes turcos querem mais conquistas

Turquia vive dias de violentos confrontos entre militantes e policiais. Revoltas, iniciadas por causa de um parque, tomam maiores dimensões políticas

2 jun 2013
11h47
atualizado às 11h49
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Comerciantes e servidores municipais começaram o domingo limpando as ruas de Istambul, de Ancara e de várias outras cidades da Turquia, após dias de protestos contra o governo. Segundo o ministro turco do Interior, Muammer Guler, 939 pessoas foram presas em 48 cidades durante os dois dias de manifestações – consideradas as mais violentas dos últimos anos.

<p>Veículos depredados e incendiados, ruas bloqueadas e marcas de disparos podem ser vistos pelas ruas de Istambul</p>
Veículos depredados e incendiados, ruas bloqueadas e marcas de disparos podem ser vistos pelas ruas de Istambul
Foto: AP

No centro de Istambul, há sinais dos confrontos violentos por todos os lados. Ônibus e pontos de ônibus foram destruídos. Há cacos de vidros e arbustos espalhados pelas ruas, assim como pedaços de cassetetes de policiais, capacetes, sapatos. Ainda se pode sentir um pouco do gás lacrimogêneo usado para conter os manifestantes nos arredores da praça Taksim e do parque Gezi – onde o governo pretende implantar um controverso projeto urbanístico.

Após dois dias de intensos confrontos, a polícia deixou a praça Taksim na manhã deste domingo. Um dia antes, no sábado, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, divulgou uma nota criticando o tratamento dado pelos policiais aos manifestantes e considerou "um erro" o uso de gás lacrimogêneo. Na mesma nota, porém, pediu aos ativistas que encerrassem os protestos. O presidente turco, Abdullah Gül, também considerou a ação policial desproporcional.

Ajuda dos moradores
Os confrontos entre manifestantes e a polícia turca se arrastaram durante toda a madrugada de sexta-feira para sábado. Populares responderam aos ataques de gás lacrimogêneos atirando pedras contra as forças de segurança e foram perseguidos pelos policiais nas ruas do bairro artístico de Cihangir.

"Como estávamos cada vez mais tontos com o gás lacrimogêneo, alguém nos chamou para entrar em um apartamento. Então ficamos a salvo", contou um manifestante de 27 anos à Deutsche Welle, afirmando ainda que os moradores locais mostraram-se bastante dispostos a ajudar os manifestantes.

"Voluntários providenciaram água, pão, leite. Isso nos ajudou bastante", disse o jovem que, temendo por sua segurança, preferiu que seu nome não fosse publicado.

Os manifestantes tentaram repetidamente avançar contra a polícia, que ocupava o parque Gezi desde a manhã da sexta-feira após usar cassetetes, gás e canhões de água. Na tarde do sábado, porém, os policiais não mais conseguiam conter a multidão.

"Fomos os primeiros a furar o bloqueio da polícia. Imediatamente, nos jogamos nos gramados do parque. E nos sentimos como heróis, porque conseguimos o parque de volta, de certa maneira", disse um dos manifestantes. Outros acabaram tomando os equipamentos e até mesmo os escudos de proteção da polícia.

Conversa sobre revolução
Milhares de pessoas ocupavam a área em volta do parque Gezi no fim da tarde de ontem. Manifestantes sentaram na grama – exaustos, após os confrontos com as forças de segurança. Porém, mais confiantes do que no dia anterior.

O parque é apenas um símbolo para a gente. Se conseguirmos mantê-lo a salvo, então acreditamos que poderemos obter outras conquistas políticas", avaliou um manifestante de 33 anos. "Continuaremos lutando se necessário, porque acreditamos que a polícia não vai parar", afirmou.

Apoiadora dos protestos, uma turca de 60 anos mostrou-se orgulhosa da sociedade de seu país. "Nunca imaginaria que essas pessoas estariam preparadas para fazer algo tão inacreditável. Estou comovida", disse.

Apoiadores do Partido curdo Paz e Democracia (BDP, sigla em turco) também apareceram no parque e cantaram frases como "vida longa à irmandade entre os povos". Enquanto alguns ativistas saudavam e demonstravam apoio ao partido, outros destruíam com fúria os veículos da polícia. Muitos jogavam garrafas de vidro no prédio do departamento de polícia. Pichações contrárias a Erdogan estão em todos os cantos. E a palavra "revolução" é vista com frequência pela cidade.

<p>Istambul amanheceu com cenário de guerra após violentos confrontos entre manifestantes e a polícia</p>
Istambul amanheceu com cenário de guerra após violentos confrontos entre manifestantes e a polícia
Foto: AP

Nuvens de fumaça
No início da noite de sábado, centenas de pessoas enfrentaram a polícia no bairro de Besiktas. Usando máscaras de gás, elas conseguiram reagir com mais agressividade à ação policial. Algumas atiraram de volta as latas de gás jogadas pela polícia. O bairro ficou sob intensa fumaça em vários momentos durante o dia.

A polícia chegou a ensaiar ações contra moradores que não tomaram parte diretamente no protesto, mas se mantiveram em volta do tenso cenário, observando e apoiando os manifestantes. Vários idosos foram às suas varandas demonstrar solidariedade. Outros batiam forte em panelas, e o barulho ensurdecedor podia ser ouvido a vários metros de distância. Muitos moradores simplesmente acendiam e apagavam as luzes de casa, em sinal de apoio.

As manifestações não se restringiram a Istambul. Na capital, Ancara, houve protestos contra as ações policiais, que também responderam usando gás lacrimogêneo e jatos de água. Conflitos parecidos ocorreram em outras cidades turcas como Izmir, Adana, Antalya, Bursa, Eskisehir, Dyarbakir, Gaziantep, Ordu, Samsun e Trabzon.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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