EUA dizem ter atacado radares iranianos, e Kuwait relata ataques com mísseis e drones
O Irã e os EUA dizem que realizaram novos ataques na região do estreito de Ormuz, com o Kuwait condenando os "repetidos" ataques iranianos.
As forças militares dos Estados Unidos disseram ter atacado instalações militares iranianas no fim de semana, enquanto Teerã afirma que respondeu disparando contra uma base americana — marcando a terceira escalada de violência em apenas uma semana no estreito de Ormuz.
O Comando Central dos EUA (Centcom) afirmou ter lançado "ataques de autodefesa" em resposta a "ações agressivas iranianas", que, segundo disse, incluíram o abatimento de um drone americano sobre águas internacionais.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) disse ter atacado uma base aérea usada pelas forças dos EUA para um ataque no sul do Irã.
Já o governo do Kuwait afirmou que seu sistema de defesa aérea interceptou mísseis e drones "hostis" — com seu ministério das Relações Exteriores posteriormente condenando "ataques iranianos hediondos e repetidos".
Trump instou seus críticos a "se sentarem e relaxarem" em uma publicação no Truth Social na madrugada desta segunda-feira (01/06), dizendo que "tudo vai dar certo no final". Ele afirmou que o Irã "realmente quer fazer um acordo, e será um bom [acordo] para os EUA".
Os ataques marcam a mais recente troca de agressões entre os dois lados após as negociações para um acordo não avançarem no fim de semana, com a imprensa americana noticiando que Trump solicitou mudanças nos termos.
As mudanças estão relacionadas à navegação no estreito de Ormuz e à remoção de urânio altamente enriquecido, segundo a rede americana CBS News. A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário.
Nesta segunda-feira, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã disse que os EUA estavam "constantemente mudando suas posições e apresentando exigências novas ou contraditórias", o que, segundo ele, naturalmente "prolongaria as negociações".
O principal negociador do país havia dito no domingo (31/05) que Teerã não concordaria com nenhum acordo a menos que os direitos iranianos fossem plenamente garantidos.
Negociações por acordo
Os militares dos EUA disseram que realizaram "ataques de autodefesa contra radares iranianos e locais de comando e controle de drones" no sábado e no domingo na cidade de Goruk, perto do litoral sul do Irã, e em Qeshm, uma ilha no estreito de Ormuz.
Em uma publicação no X, o Centcom afirmou que caças dos EUA atingiram as defesas aéreas militares iranianas, uma estação de controle terrestre e dois drones que, segundo disse, "representavam uma ameaça clara a navios em trânsito pelas águas regionais". Nenhum militar americano ficou ferido nos ataques, afirmou.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã disse que os ataques foram uma violação do cessar-fogo.
A IRGC afirmou ter atacado uma base que, segundo alegou, os EUA utilizaram para disparar contra uma torre de comunicações na ilha de Sirik, no Golfo, a cerca de 65 km da costa sul do Irã.
O Exército iraniano acrescentou que sua resposta será "completamente diferente" se a agressão dos EUA se repetir, de acordo com declarações da IRGC divulgadas pela agência semioficial de notícias Fars.
As Forças Armadas do Kuwait disseram nesta segunda-feira que estão "enfrentando ataques hostis de mísseis e drones". A agência estatal de notícias KUNA noticiou que sirenes de ataque aéreo soaram em todo o país.
Seu ministério das Relações Exteriores posteriormente divulgou um comunicado condenando "nos termos mais fortes... os ataques iranianos hediondos e repetidos, que representam uma escalada perigosa e um ataque direto" ao Kuwait.
O Kuwait afirma que tais ataques "minam" os esforços para reduzir as tensões na região e disse que o país se reserva o direito de "tomar quaisquer medidas necessárias" para se defender.
Teerã atacou uma base aérea no Kuwait na semana passada em resposta a ataques aéreos anteriores dos EUA, que, segundo afirmou, foram realizados para impedir barcos iranianos de colocarem minas ao redor do canal de navegação.
Embora um cessar-fogo tenha entrado em vigor em 8 de abril, Trump tem sugerido repetidamente que os EUA e o Irã estão próximos de um acordo permanente e que as negociações estão avançando, mas até agora nenhum acordo formal foi alcançado.
Trump e assessores de alto escalão se reuniram na sexta-feira da semana passada para tomar uma "decisão final" sobre um plano para estender o cessar-fogo, mas a reunião terminou sem clareza sobre os próximos passos. Em seguida, surgiram notícias de que o presidente havia solicitado mudanças no texto.
Segundo a CBS News, os termos mais recentes incluem uma cessação da violência por 60 dias e um apelo para reabrir o estreito de Ormuz — a rota marítima pela qual normalmente passa aproximadamente um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), cujo fechamento fez os preços globais do petróleo dispararem.
Também incluiria um quadro para retomar as negociações sobre o programa nuclear do Irã — que Teerã há muito sustenta ser pacífico — embora o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, tenha negado na segunda-feira que isso estivesse em discussão.
"Não houve negociações sobre os detalhes do dossiê nuclear. Nesta etapa, nossa prioridade é encerrar a guerra", disse Baghaei a jornalistas.
Ele acrescentou que o fim do conflito no Líbano continua sendo uma "condição essencial" para qualquer acordo e que Washington e Teerã ainda não chegaram a "uma conclusão final".
O Líbano foi arrastado para a guerra entre os EUA, Israel e o Irã em 2 de março.
O grupo apoiado pelo Irã, Hezbollah, lançou foguetes contra Israel em retaliação a um ataque israelense que matou o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, ao qual Israel respondeu com uma campanha aérea no Líbano e uma invasão terrestre.
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