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Estados Unidos

WikiLeaks revela desencanto dos EUA com dissidentes cubanos

17 dez 2010 - 10h37
(atualizado às 11h41)
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Os Estados Unidos estão perdendo a confiança no papel dos dissidentes tradicionais em Cuba, segundo uma comunicação diplomática revelada pelo WikiLeaks, sugerindo uma mudança na estratégia de Washington para tentar provocar mudanças na ilha comunista.

Julian Assange é solto após 9 dias preso em Londres:

A análise, enviada em abril de 2009 pela Seção de Interesses dos EUA em Havana (a representação do país em Cuba, na ausência de relações diplomáticas formais), descreve a oposição cubana como sendo um grupo desconectado da sociedade, polarizado e frequentemente manipulado pelas autoridades de segurança cubanas.

"Sem uma verdadeira epifania entre os líderes da oposição e a diminuição da repressão oficial às suas atividades, é improvável que o movimento tradicional de dissidentes substitua o governo cubano", disse o comunicado, publicado pelo jornal espanhol El País.

"Os sucessores imediatos mais prováveis do regime de (Raúl) Castro virão provavelmente dos funcionários de médio escalão do próprio governo", acrescenta o texto, assinado pelo diplomata Jonathan Farrar, chefe da Seção de Interesses.

Desde a década de 1960, os EUA já gastaram dezenas de milhões de dólares para tentar derrubar o regime dos irmãos Fidel e Raúl Castro. O regime comunista habitualmente acusa os dissidentes de serem "mercenários" a soldo dos EUA.

O comunicado diplomático - parte de um lote de mais de 250 mil documentos em poder do WikiLeaks - afirma que os dissidentes parecem mais preocupados em conseguir dinheiro do que em mobilizar a sociedade cubana.

"Uma organização política disse bastante aberta e francamente ao chefe da missão que precisava de recursos para pagar salários, e apresentou um orçamento com a esperança de que a Seção de Interesses pudesse cobri-lo."

O texto acrescenta que os dissidentes tradicionais são velhos demais, e que uma nova geração de blogueiros e artistas tem se mostrado mais eficaz e popular junto aos cubanos.

"Achamos que é a nova geração de 'dissidentes não-tradicionais', como (a blogueira) Yoany Sánchez, que poderia ter maior impacto de longo prazo na Cuba da era pós-Castro", diz o comunicado.

O vazamento WikiLeaks
No dia 28 de novembro, a organização WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos secretos enviados de embaixadas americanas ao redor do mundo a Washington. A maior parte dos dados trata de assuntos diplomáticos - o que provocou a reação de diversos países e causou constrangimento ao governo dos Estados Unidos. Alguns documentos externam a posição dos EUA sobre líderes mundiais.

Em outros relatórios, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pede que os representantes atuem como espiões. Durante o ano, o WikiLeaks já havia divulgado outros documentos polêmicos sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque, mas os dados sobre a diplomacia americana provocaram um escândalo maior. O fundador da organização, o australiano Julian Assange, foi preso no dia 7 de dezembro, em Londres, sob acusação emitida pela Suécia de crimes sexuais.



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