Vaticano diz que palavras do papa sobre Trump "não são ataque pessoal"
O porta-voz Vaticano, Federico Lombardi, disse nesta sexta-feira que o papa não quis fazer um "ataque pessoal ou uma indicação de voto" quando sustentou no voo de volta do México que o candidato republicano Donald Trump "não é cristão".
"O papa disse o que todos nós sabemos quando seguimos os seus ensinamentos e sua posição. Que não devemos construir muros, mas pontes. Isto ele diz sempre, continuamente. Disse a respeito da questão das migrações na Europa e em muitas outras vezes", defendeu.
Para o porta-voz vaticano, esta afirmação é uma atitude coerente com o fato de seguir as indicações do Evangelho sobre amparo e solidariedade.
"Naturalmente, suas declarações foram muito comentadas posteriormente, mas não se tratou, de forma alguma, de um ataque pessoal ou uma indicação de voto", destacou.
Lombardi acrescentou que o Francisco já tinha dito que "não entraria nas questões de voto na campanha eleitoral norte-americana".
"Construir pontes em vez de muros é uma característica deste pontificado. Tem que ser interpretado e entendido neste sentido", acrescentou.
Ontem, no voo de volta a Roma, Francisco respondeu perguntas sobre diversos assuntos de 76 jornalistas que o acompanhavam no avião. Quando foi questionado sobre se um católico poderia votar em alguém como Trum, que defende expulsões de imigrantes e disse que quer instalar uma cerca para separa os territórios mexicano e americano, o pontífice respondeu: "Não vou me envolver na questão de em quem as pessoas devem votar. A única coisa que posso dizer é que este homem não é cristão se ele falou coisas deste tipo".
Ao saber que Trump tinha dito que o papa era um político, Francisco respondeu com ironia: "Graças a Deus que ele (Trump) disse que sou um político, porque Aristóteles define a pessoa humana como 'animal politico', ou seja, sou humano".
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