Suposta espiã pagará fiança de US$ 250 mil para ser solta
A peruana Vicky Peláez, envolvida em uma suposta rede de espionagem nos Estados Unidos em favor da Rússia, sairá da prisão no dia 6 de julho, uma vez tenha pago uma porcentagem da fiança de US$ 250 mil que um juiz lhe impôs, disse nesta sexta-feira à agência EFE seu advogado, Carlos Moreno.
"A fiança será paga na terça-feira e no mesmo dia ela ficará em liberdade", disse o defensor sobre o futuro imediato de Vicky, uma jornalista de origem peruana e naturalizada americana, 55 anos, e que foi detida no domingo passado junto a seu esposo, conhecido pelo falso nome de Juan Lázaro.
Vicky sairá da prisão usando "uma pulseira eletrônica", tal como determinado na quinta-feira pelo juiz Ronald Ellis, quando fixou a fiança para que ela pudesse ficar em liberdade. Porém, "Lázaro" e outros dois acusados pelo mesmo caso, Cynthia e Richard Murphy, tiveram o pedido de liberdade negado.
A peruana, que ficará sob prisão domiciliar em sua casa de Yonkers (ao norte de Nova York), pode ser obrigada a comparecer perante as autoridades judiciais americanas a cada seis ou oito semanas.
O advogado de defesa ressaltou que falou hoje com Vicky e que sua cliente "mantém sua inocência" sobre as acusações que a Promotoria dos EUA apresentou na quinta-feira perante um tribunal federal de Manhattan.
O juiz Ellis assinalou que, no caso da peruana, as alegações apresentadas pela Promotoria americana indicam que "ela não parece ter sido treinada para ser espiã, como o restante" dos acusados pelo tribunal nova-iorquino.
Acrescentou que a jornalista peruana é "cidadã americana que não parece ter utilizado dupla identidade nem identidades falsas" nas viagens que fez à América do Sul e nas quais, segundo a Promotoria, teria entregue diversas correspondências a agentes do serviço secreto russo.
O juiz explicou que tinha tomado essa decisão por considerar que Vicky, que trabalhava em um jornal nova-iorquino em espanhol, "não tem um motivo para fugir, ao contrário dos outros".
"Suas ações não indicam que seja inocente, já que deveria saber que algo estava acontecendo" em relação a seu marido, que em suas declarações após a detenção admitiu que era agente russo, que não tinha nacionalidade uruguaia e que seu nome real não era Juan Lázaro.
Além de Vicky e "Juan Lázaro", as autoridades americanas puseram sob disposição judicial outras sete pessoas, que poderiam ser de nacionalidade russa ou com vínculos com esse país, e que foram detidas em diversos lugares de Nova York, Nova Jersey, Massachusetts e Virgínia.
Também há uma ordem internacional de busca e captura de outro acusado, conhecido como Christopher Metsos, de 54 anos e que usava passaporte canadense quando foi detido no aeroporto de Larnaca (Chipre), posto em liberdade depois de pagar uma fiança e agora em paradeiro desconhecido.