Sem chuva desde agosto, Texas tem pior seca em 100 anos
James C. McKinley Jr.
Austin Brown II levantou poeira com sua bota perto do confinamento de gado e examinou a terra que sua família cultivou por três gerações. Na maioria dos anos, os ramos verdes da primavera e as flores rosadas estariam aparecendo no solo a essa altura. Ele não vê nada além de grama marrom, carvalhos secos e poeira no ar. "Você consegue ver a areia sendo levada pelo ar," disse Brown, 65 anos, enterrando o dedo na sujeira sob seus pés. "Normalmente isso seria grama."
A pior seca em quase 100 anos está assolando três quartos do Texas. Não chove significantemente na maior parte do Estado desde agosto. As plantações de trigo do inverno não resistiram. Lagos secaram. Criadores estão gastando pesadamente em feno e ração para que o gado sobreviva ao inverno. Alguns se perguntam se terão que sacrificar seus rebanhos no verão. Fazendeiros dizem que o solo está seco demais para as sementes germinarem e consideram não plantar.
"A última vez que tivemos uma seca tão ruim foi em janeiro de 1918," disse John Nielsen-Gammon, climatologista do Estado. "As secas da década de 50 em anos individuais não foram tão ruins quanto esta." Nielsen-Gammon, professor da Universidade Texas A&M, disse que o tempo esteve extraordinariamente seco no último um ano e meio, mas, desde agosto, a maior parte central do Estado - uma faixa ampla do sul de Dallas, passando por Austin, San Antonio, até Corpus Christi ¿ havia tido pouca ou nenhuma chuva. Mesmo os furacões do ano passado, Dolly e Ike, não ajudaram, ele disse.
Embora cerca de 1,27 cm de chuva tenha caído em Austin e Dallas nesta semana, isso não foi suficiente para contrabalancear o déficit de 50,8 cm de precipitação ao longo dos últimos 18 meses, ele disse. Um fenômeno climático sobre o Pacífico conhecido como La Niña empurrou uma corrente de ar em direção ao norte, afastando as chuvas costumeiras de outono e inverno, dizem meteorologistas. Nos últimos três meses, apenas um quarto das chuvas e neve costumeiras caiu no Estado.
"Temos seca de Rio Grande Valley a High Plains ¿ não há umidade no subsolo," disse Travis Miller, líder de ciências do solo e plantações do Programa de Extensão Texas AgriLife. "Acho que ninguém plantará até que tenhamos umidade significativa." A época para plantar milho e sorgo está passando rápido. Na parte central do Texas, agricultores plantam milho entre meados de fevereiro e fim de março, esperando fazer a colheita antes do calor intenso do verão em agosto. O sorgo é plantado um pouco depois, no final de abril. A última opção é o algodão, que pode ser plantado até maio.
Archie Abrameit, gestor da Stiles Farm Foundation, uma fazenda estadual de 1.173 hectares próxima a Thrall, disse que o solo árido impediu que o trigo de inverno crescesse. Agricultores não têm esperança de que as plantações da primavera irão se sair melhor, já que nem mesmo as plantas silvestres estão nascendo. "Brincamos que não estamos conseguindo plantar nem ervas daninhas neste inverno," Abrameit disse.
Como resultado, agricultores estão tendo que recorrer a adivinhações. Plantar milho agora na esperança de que chova, ou esperar a chuva, na esperança de que venha a tempo de plantar sorgo? Ou esperar mais e plantar algodão, que pode ser cultivado até o final do verão? Alguns admitem secretamente que plantarão sabendo que as mudas não sobreviverão na esperança de serem indenizados pelo seguro. Outros dizem que talvez não plantem nada.
"O tempo de plantar está se esgotando," disse Terrell Hamann, que cultiva 728 hectares perto de Taylor, no nordeste de Austin. "Mudo de idéia sobre o que fazer três vezes por dia." Para complicar os cálculos de agricultores e criadores de animais, os preços do grão e da carne caíram, enquanto as pessoas no país cortam custos na crise econômica. No Rancho Brown em Beeville, cerca de 136 km ao sudeste de San Antonio, a família se prepara para o que poderá ser um ano terrível.
Até agora, Brown e seu filho, Austin Brown III, mantêm suas duas mil cabeças de gado Angus, Hereford e Akaushi bombeando água de um poço para as calhas, com um grande custo de eletricidade. Eles também usaram as economias do rancho para comprar centenas de pacotes de feno e quilos de sementes de algodão, ração rica em proteína, para alimentar os animais. Enquanto o jovem Brown espalhava a ração de sementes de algodão em uma tarde recente, um bando de vacas Hereford perseguia seu caminhão em meio a empurrões. Não existia vida verde no chão até onde os olhos podiam alcançar. As vacas e bezerros devoravam o rolo de feno, mas não conseguiam encontrar nenhum outro alimento.
"Quando a grama está verde e vistosa e eles têm muito o que comer, raramente se aproximam de você," disse o jovem Brown. Mas chega um momento em que o custo de alimentar o gado em uma seca se torna tão alto que não faz mais sentido continuar, disse o Brown mais velho. Então, as vacas e os touros reprodutivos do rebanho devem ser sacrificados. É uma possibilidade que todo rancheiro teme, pois é esse grupo central do rebanho que produz anualmente bezerros que serão criados e engordados para o mercado. "Vamos tentar manter esse gado até junho," disse o Brown mais velho, "e se não chover até lá, então estará tudo acabado e teremos que enviá-los para o mercado."
Tradução: Amy Traduções