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Estados Unidos

Secretário-geral da Otan convoca reunião de emergência sobre a Líbia

25 fev 2011 - 05h45
(atualizado às 06h31)
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O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, convocou nesta sexta-feira uma reunião urgente da Aliança para debater a situação na Líbia, onde está em curso uma rebelião armada contra o regime de Muammar Kadafi.

"Convoquei uma reunião de emergência do Conselho Atlântico para discutir a situação da Líbia", afirmou Rasmussen nesta sexta-feira em sua conta no microblog Twitter. "A situação na Líbia é um grande motivo de preocupação. A Otan pode atuar para facilitar e coordenar, sempre e quando os Estados-membros quiserem tomar medidas", acrescentou Rasmussen.

Fontes da Otan confirmaram que Rasmussen, após participar em Gödöllö (Hungria) do conselho de ministros da Defesa da União Europeia, partirá rumo a Bruxelas, onde durante a tarde acontecerá a reunião da Aliança.

Entre os temas prioritários que Rasmussen tratará com os titulares de Defesa das 27 nações do bloco estarão possíveis medidas de evacuação e assistência humanitária no país árabe. Rasmussen também se reunirá em Gödöllö com Catherine Ashton, Alta Representante da UE, para tratar da situação no país norte-africano, informaram fontes comunitárias.

O ex-primeiro-ministro dinamarquês ressaltou ontem durante sua visita à Ucrânia que a Otan não tinha planos de intervir na Líbia, já que por enquanto a situação não representa uma ameaça nem para a Aliança nem para nenhum de seus membros.

No entanto, especificou que os eventos que estão ocorrendo na Líbia podem ter consequências negativas - em particular, podem gerar uma grande onda de refugiados procedentes desse país.

Na última segunda-feira, Rasmussen criticou o "indiscriminado uso da força" que as autoridades líbias empregaram contra os manifestantes, apelando para que as autoridades de Trípoli "freiem a repressão contra os civis".

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi

Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.

Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renuncioue pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbiostambém pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.

Foto: AFP
EFE   
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