Jornalista francesa processará Strauss-Kahn por estupro em 2002
- Daniela Fernandes
- Da BBC Brasil
A jornalista e escritora francesa Tristane Banon, que alega que o ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn tentou agredi-la sexualmente em 2003, anunciou por meio de seu advogado que irá entrar na terça-feira com uma ação contra Kahn na Justiça do país europeu.
A ação por tentativa de estupro deve ser lançada no momento em que as acusações contra Strauss-Kahn na Justiça americana estão perdendo o fôlego, após as autoridades do país questionarem a credibilidade da camareira que o acusou de tê-la molestado sexualmente.
O ex-diretor do FMI é suspeito de ter cometido o crime contra a camareira em Nova York no dia 14 de maio. Ele responde a sete acusações, entre elas agressão sexual, abuso sexual e tentativa de estupro.
O advogado de Banon, David Koubbi, afirmou que sua cliente tem direito a entrar com o processo.
"Tristane Banon realmente sofreu a tentativa de estupro por parte de Strauss-Kahn. O que significa que como vítima, ela tem direitos e que ela exerce esses direitos exigindo uma reparação (dos danos) perante a Justiça francesa", afirmou o advogado.
"O que está acontecendo nos Estados Unidos não nos diz respeito. Se o dossiê de acusação contra Strauss-Kahn (na Justiça americana) é vazio, o nosso não é. Ele é extremamente sólido e fundamentado", disse Koubbi.
Segundo o advogado, Banon, de 32 anos, teria sofrido a tentativa de estupro quando estava entrevistando Strauss-Kahn para um de seus livros.
O advogado afirma que o prazo de prescrição para tentativa de estupro é de dez anos na França.
O advogado da camareira de Nova York pediu que Banon testemunhasse no caso que tramita na Justiça americana, mas ela se recusou.
Ligação com EUA
Koubbi afirma que a decisão de entrar com o processo na França foi tomada em meados de junho, antes da liberação de Strauss-Kahn de sua prisão domiciliar em Nova York, na sexta-feira passada.
"Esperei o tempo necessário porque não queria ser instrumentalizado pela Justiça americana. Eu não desejava, se o dossiê não fosse sólido nos Estados Unidos, que as alegações de minha cliente fossem ligadas às da camareira", afirmou o advogado da escritora.
A suposta tentativa de estupro na França cometida pelo ex-diretor do FMI veio à tona em meados de maio, logo após a prisão de Strauss-Kahn em Nova York.
Banon havia contado sobre a suposta agressão em um programa na TV em 2007, mas o nome do agressor não havia sido revelado aos telespectadores.
A escritora é filha de uma vereadora socialista, que declarou ter convencido Banon a não prestar queixa contra Strauss, que é membro de seu partido.
O esvaziamento das acusações contra Strauss-Kahn na Justiça americana, devido ao fato de que a camareira mentiu sobre alguns aspectos de sua vida, relançou na França a tese de que DSK, como é chamado no país, teria sido vítima de um complô.
Antes do escândalo, ele era o favorito nas pesquisas de opinião sobre as eleições presidenciais francesas de 2012, embora não tivesse declarado sua candidatura.
A possibilidade de que as acusações contra ele sejam extintas nos Estados Unidos também relançaram na França debates sobre a eventual participação de DSK nas primárias do Partido Socialista.
Os franceses estão divididos sobre um eventual retorno do ex-favorito socialista à vida política.
Em uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo jornal Le Parisien, 51% dos franceses pensam que DSK não teria mais um futuro político após sua libertação, enquanto 42% pensam que ele teria um futuro. O restante, 7%, não se pronunciou.