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Estados Unidos

Homem ganha competição comendo 69 cachorros-quentes em 10 minutos

Promovido pela marca de salsichas Nathan’s na praia de Coney Island, em Nova York, o concurso é uma grande jogada de marketing

5 jul 2013 - 08h28
(atualizado às 11h00)
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Os movimentos dos competidores são mecânicos e rápidos, engolindo um cachorro-quente após o outro. A multidão salivante torce pelos campeões de um concurso de brincadeira, mas levado muito à sério pelos que lucram com ele. Colorido pelo espírito nacionalista, o sonho americano no 4 de julho de Coney Island é comer o maior número possível de cachorros-quentes.

A competição de 2013 teve toques empolgantes, como o momento em que a campeã da categoria feminina, Sonya Thomas, parecia estar perdendo, mas conseguiu recuperar a dianteira. No fim, Sonya Thomas e Joey Chestnut venceram em suas respectivas categorias. Na categoria feminina, o resultado ficou abaixo do recorde do ano passado, com 37 cachorros-quentes e pães. Já Joey bateu seu próprio recorde e deglutiu 69 lanches, um a mais que ano passado. Cada competição dura apenas 10 minutos e pode ser aviltante para os de estômago mais sensível: quase todos esbeltos e alguns até com porte atlético, os competidores praticamente engolem os cachorros-quentes. Alguns molham a comida na água ou líquido de sua preferência para torná-la mais macia e facilitar o processo.

Representando a onda latina que ganha cada vez mais representatividade nos EUA, dois competidores empunharam a bandeira da origem hispânica: Juan Rodriguez e Pablo Martinez. Juan, que é personal trainer em Las Vegas, disse ao Terra que pratica comendo melancia ou frequentando restaurantes do tipo rodízio. “Os latinos estão chegando, tome nota do meu nome porque serei famoso”, disse Juan.

<p>Esta foi a sétima vitória de Joey Chestnut </p>
Esta foi a sétima vitória de Joey Chestnut
Foto: AFP

De suas raízes informais em 1916, a competição anual do cachorro-quente, promovida pela marca Nathan’s, em Coney Island, se tornou uma espécie de carnaval anglo-saxão e parte integral do 4 de julho em Nova York. “Sneaky” Marvin, de 60 anos, é um dos que tentam faturar com a movimentação alimentada pelo concurso. Ele tomou a linha “N” do metrô logo cedo para tentar vender pipas e disse ganhar até US$ 400 dólares por dia – quando o movimento permite, volta à Manhattan três vezes por dia para pegar mais pipas, vendidas a US$ 10 a US$ 15.

Cerca de 30 mil pessoas compareceram ao cruzamento da Surf Avenue com a Stillwell Avenue, bem diante da estação que simboliza o sonho de um balneário onde as massas poderiam escapar da opressão urbana e ganhar um lugar ao sol que fosse acessível de metrô. As pessoas carregam cartazes com as faces dos seus campeões da comilança e até do mestre de cerimônias, George Shea. Ao Terra, o agora heptacampeão Joey Chestnut disse que continuará praticando o “esporte” enquanto a saúde e seu médico permitirem.

Comemoração pós-desastre

Um dia antes do concurso em Coney Island, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, liderou uma entrevista coletiva bem-humorada frente à prefeitura para divulgar o evento e pesar os concorrentes. Bloomberg citou a recuperação de Coney Island após o furacão Sandy, em outubro do ano passado, dando à festa um tom de fênix ressurgindo das cinzas. O prefeito que tentou proibir a venda de copos de refrigerante com mais de 591 ml até provou um cachorro-quente, embora com certa relutância.

<p> Michael Bloomberg também entrou na festa e comeu um cachorro-quente durante a entrevista coletiva</p>
Michael Bloomberg também entrou na festa e comeu um cachorro-quente durante a entrevista coletiva
Foto: AFP

Em essência, o concurso é uma grande jogada de marketing da fabricante de salsichas Nathan’s e de George e Richard Shea, os irmãos que tornaram o esporte o que é hoje, com vários patrocinadores, legião de fãs e cobertura anual pelo canal esportivo ESPN. O concurso em si e suas qualificatórias são abertas a todos, mas a International Federation of Competitive Eating (IFOCE), a liga profissional do ramo, controlada pelos irmãos Shea, fecha contratos com os competidores mais destacados que os impedem de participar de eventos gastronômicos de empresas rivais.

O nascimento da comepetição

A versão moderna do concurso foi criada por Max Rosey, um assessor de imprensa lendário que conseguia vender qualquer pauta à volumosa imprensa de Nova York. Ele queria uma maneira de divulgar a marca Nathan's e percebeu que a competição já acontecia espontaneamente desde o início do século 20. Mas esse tipo de concurso não é privilégio das salsichas e há relatos de comilanças assim em várias culturas e eras.

<p>A tradicional competição faz parte da festa de 4 de julho em Nova York</p>
A tradicional competição faz parte da festa de 4 de julho em Nova York
Foto: AFP

No final dos anos 80, os irmãos George e Richard começaram a tomar conta do que até então era um evento apenas local. Sob o comando dos Shea, as competições alimentares ganharam abrangência mundial e se profissionalizaram. Com seu talento considerável de mestre de cerimônias, George é a alma do evento, com suas tiradas e tom bombástico. Ele não revela o faturamento de sua empresa, a Shea Communications, que tem apenas oito funcionários. Em entrevista ao Terra, ele disse que adoraria realizar uma versão do concurso no Brasil, mas que a falta de um mestre de cerimônias é uma barreira. “Parte do apelo tem a ver com a maneira como realizamos o evento, de um jeito dramático e meio engraçado.”

A IFOCE promove entre 60 e 80 eventos por ano, a maioria nos Estados Unidos, mas também em Cingapura, Tailândia e Austrália. “A coisa cresceu tanto que se tornou seu próprio negócio e temos uma base nacional e internacional de clientes. Oferecemos mídia espontânea, em que os patrocinadores divulgam sua marca por meio da cobertura da imprensa,” diz George.

<p>A vencedora entre as mulheres, Sonya Thomas, comeu pães e salsichas separadamente para facilitar a ingestão</p>
A vencedora entre as mulheres, Sonya Thomas, comeu pães e salsichas separadamente para facilitar a ingestão
Foto: AFP

Ele não acha que os patrocinadores se preocupam com ao fato de que algumas pessoas possam achar o comportamento dos competidores doentio e argumenta que o concurso é visto como algo divertido nos EUA. Para apaziguar as preocupações com riscos de vida, todos os eventos são programados para um curto período de tempo e contam com atendimento médico a postos.

O segredo para se tornar um competidor alimentar, dizem os atletas do ramo, é treinar o esôfago para que permita a passagem rápida dos alimentos fracamente triturados. Os atletas também precisam treinar para resistir ao volume enorme de comida consumida. “Digamos apenas que os atletas não têm muita fome no dia seguinte,” disse George. Nos bastidores, alguns participantes relatam o esperado desconforto intestinal no dia seguinte, embora evitem falar do lado mais indigesto do carnavalesco concurso.

Como a salsicha no pão é considerada a comida nacional, juntamente com o hambúrguer, o ato de engolir o máximo possível de cachorros-quentes em 10 minutos desperta um espírito nacionalista na plateia. Quando competidores do Canadá foram apresentados, por exemplo, muitos dos presentes começaram a vaiar e gritar “USA! USA!”

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Fonte: Especial para Terra
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