EUA: motivo de ataque na Líbia não foi filme, diz investigação
O chefe da Comissão de Investigações da Câmara de Representantes americana, Mike Rogers, afirmou este domingo que duvida que o ataque a Benghazi em que morreu o embaixador americano na Líbia, Chris Stevens, esteja ligado aos protestos contra um filme antiislâmico produzido nos EUA. "Não vi informações que demonstrem que havia uma manifestação como as que estavam ocorrendo em outras embaixadas neste momento", afirmou em um programa da emissora CNN o legislador republicano Rogers, para quem a operação "foi claramente concebida como um ataque".
Veja imagens do polêmico filme anti-Islã
Protestos, dia 1: embaixador dos EUA na Líbia é morto
Protestos, dia 2: Obama promete fazer justiça
Protestos, dia 3: embaixada dos EUA no Iêmen é cercada
Protestos, dia 4: fúria se espalha por África e Oriente Médio
Protestos, dia 5: Al-Qaeda convoca muçulmanos para novos ataques
Protestos, dia 6: Líbia prende 50 pessoas por ataques à embaixada
Protestos, dia 7: manifestações chegam à Indonésia
O embaixador Christopher Stevens e outros três funcionários americanos morreram no ataque, praticado no dia do aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001. A princípio pensou-se que os distúrbios fossem causados pelas manifestações de revolta contra Inocência dos Muçulmanos, filme amador que denigre a imagem do profeta Maomé, produzido e realizado nos Estados Unidos.
A Casa Branca afirmou nesta quinta-feira que aquele ato de tratou de um "ataque terrorista", embora Washington investigue a natureza oportunista ou não do ataque. Para Rogers, o governo do presidente democrata Barack Obama tampouco agiu corretamente neste caso, pois "deu credibilidade a este vídeo que ninguém nos Estados Unidos e muito poucas pessoas no Oriente Médio tinham visto", emitindo mensagens transmitidas no Paquistão para condenar o filme. "Foi uma ideia muito ruim", avaliou Rogers.
Filme anti-islamismo desencadeia protestos contra EUA
Na última terça-feira, 11 de setembro, protestos irromperam em frente às embaixadas americanas do Cairo, no Egito, e de Benghazi, na Líbia, motivados por um vídeo que zombava do islamismo e de Maomé, o profeta muçulmano. No primeiro caso, os manifestantes destroçaram a bandeira estadunidense; no segundo, os ataques chegaram ao interior da embaixada, durante os quais morreram, entre outros, o embaixador e representante de Washington, Cristopher Stevens.
Os protestos se disseminaram-se contra embaixadas americanas em diversos países da África e do Oriente Médio. Sexta, 14 de setembro, registrou o ápice da tensão, quando eventos foram registrados em Túnis (Tunísia), Cartum (Sudão), Jerusalém (Israel), Amã (Jordânia)e Sanaa (Iêmen). No Cairo, as manifestações têm sido quase diárias. No dia 17, Afeganistão e Indonésia também tiveram protestos.
O vídeo que desencadeou esta onda de protestos no mesmo dia em que os Estados Unidos relembravam os atentados terroristas de 2001 traz trechos de Innocence of Muslims, filme produzido nos Estados Unidos sob a suposta direção de Nakoula Basseky Nakoula. Ele seria um cristão copta egípcio residente nos Estados Unidos, mas sua verdadeira identidade e localização ainda são investigadas. O filme, de qualidades intelectual e cultural amplamente questionáveis, zomba abertamente do Islã e denigre de a imagem de Maomé, principal nome da tradição muçulmana.
A Casa Branca lamentou o conteúdo do material, afirmou não ter nenhuma relação com suas premissas e ordenou o reforço das embaixadas americanas. No dia 15 de setembro, a Al-Qaeda emitiu um comunicado no qual afirmava que a ação em Benghazi foi uma vingança pela morte do número 2 da rede terrorista no Iêmen em um ataque do Exército.