EUA celebram Ação de Graças com mais segurança devido a alerta terrorista
Os americanos celebram nesta quinta-feira o Dia de Ação de Graças, uma festividade marcada este ano por fortes medidas de segurança nos movimentados centros de transporte devido ao alerta terrorista global pelos recentes atentados jihadistas do Estado Islâmico (EI).
Calcula-se que 46 milhões de pessoas se deslocaram para se reunir com suas famílias em um feriado seguido pela chamada Black Friday, o dia de descontos comerciais com o qual se abre a época natalina.
O alerta terrorista global emitido esta semana pelo Departamento de Estado e o temor após os recentes ataques jihadistas parecem não ter afetado, como se temia, os deslocamentos do dia familiar por excelência nos Estados Unidos.
A expectativa é que mais de dois milhões de passageiros voem a cada dia durante os dias de feriado prolongado, com as primeiras saídas na sexta-feira passada e as últimas voltas na próxima terça-feira.
São números recorde desde 2007 e um aumento de 3% com relação ao ano passado, segundo as previsões da Airlines for America, organização que reúne as principais companhias aéreas do país.
O presidente dos EUA, Barack Obama, encorajou na véspera que os americanos viajassem normalmente porque não há "nenhuma informação específica e crível" que aponte para um ataque terrorista no país.
No entanto, o aumento da presença policial é visível em aeroportos, estações de trem e outros centros de transporte há vários dias.
Em Nova York, mais de 2.500 soldados da polícia (200 de uma nova unidade contra o terrorismo) velaram pela segurança do popular desfile de balões da rede de lojas Macy's, que reuniu hoje três milhões de pessoas no centro da cidade.
O evento aconteceu sem incidentes, mas a polícia interrogou dois jovens que estavam fazendo um drone sobrevoar o desfile, perto de uma das entradas do Central Park, segundo informou o jornal "The New York Times".
As suaves temperaturas e o céu azul estimularam os cidadãos a sair e ver o desfile, que chegou hoje à 89ª edição e que só foi suspenso uma vez, em 1971, devido a fortes chuvas.
Em Washington, um homem foi detido por saltar o muro do jardim norte da Casa Branca, segundo informou a "CNN".
Os agentes do Serviço Secreto lhe detiveram assim que pisou no jardim presidencial e, por enquanto, não ofereceram mais dados sobre o indivíduo.
No momento do incidente, o presidente Obama se encontrava dentro da residência celebrando o Dia de Ação de Graças com sua família.
O detido se soma a uma lista de vários homens que tentaram saltar p muro do jardim norte da Casa Branca no último ano, apesar dos repetidos reforços em sua segurança.
O incidente mais grave ocorreu no dia 19 de setembro do ano passado, quando um veterano da Guerra do Iraque com supostos problemas mentais, Omar J. González, se transformou no primeiro intruso armado na história da mansão presidencial.
Na véspera da Ação de Graças, o presidente, Barack Obama, pediu calma e insistiu que não há nenhuma ameaça terrorista concreta sobre o país.
O presidente americano assegurou que, caso seja detectada "uma ameaça específica à segurança, a população será informada", em uma tentativa de tranquilizar os cidadãos após os recentes ataques do EI, como os ocorridos em 13 de novembro em Paris, e perante as ameaças explícitas do grupo contra os Estados Unidos.
Apesar do contexto de temor global, os americanos utilizaram aviões, trens e carros para se reunir com seus familiares e amigos em uma jornada para se passar em família ao redor do tradicional peru assado.
O dia de "Thanksgiving", a quarta quinta-feira de novembro, foi instituído para rememorar o alívio com o qual se dirigiram a Deus em 1621 os pioneiros britânicos chegados no navio Mayflower, agradecidos pelas colheitas que lhes permitiram sobreviver ao primeiro inverno no litoral do Novo Mundo.
Mas os historiadores que não esquecem que os Estados Unidos também tem uma raiz hispana asseguram que os exploradores chegados da Espanha no século XVI já celebravam a Ação de Graças na Flórida.