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Estados Unidos

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Eleições nos EUA: por que o resultado é importante para o Brasil?

Disputa pelo controle do Congresso americano ocorre em meio à tensão política no país

3 nov 2026 - 05h00
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O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no palco do Centro de Atividades Estudantis Butler-Vandalia durante um comício de campanha em 3 de outubro de 2026 em Vandalia, Ohio. Trump está viajando pelos EUA nas últimas semanas antes das eleições de meio de mandato para fazer campanha para candidatos republicanos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa no palco do Centro de Atividades Estudantis Butler-Vandalia durante um comício de campanha em 3 de outubro de 2026 em Vandalia, Ohio. Trump está viajando pelos EUA nas últimas semanas antes das eleições de meio de mandato para fazer campanha para candidatos republicanos.
Foto: Roberto Schmidt/Getty Images

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos acontecem em um cenário de forte polarização política e podem representar um teste importante para o governo de Donald Trump. Embora não coloquem a Presidência em disputa, as chamadas midterms definem a composição do Congresso e podem alterar a capacidade do presidente de aprovar medidas, conduzir sua agenda e manter a pressão sobre outros países, incluindo o Brasil.

A votação está marcada para 3 de novembro e envolve todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas, mas os democratas tentam conquistar maioria para ampliar a fiscalização sobre o governo e impor obstáculos a propostas da Casa Branca em um cenário de rejeição histórica do governo Trump.

A disputa acontece em meio a debates sobre imigração, economia, segurança e política externa. O discurso anti-imigrante de Trump é um dos pontos de confronto com os democratas, que criticam as operações migratórias e as restrições impostas pelo governo. Nesse contexto, o caso de Flávio Bolsonaro, que fugiu do Brasil e foi para os Estados Unidos, também pode ser explorado pela oposição como exemplo de questionamento à coerência da política migratória republicana.

Como o resultado pode afetar o Brasil?

Para o Brasil, um dos principais pontos de atenção é a política comercial americana. Uma eventual vitória democrata em uma ou nas duas Casas do Congresso pode aumentar a resistência às tarifas impostas por Trump sobre produtos brasileiros e abrir espaço para novas discussões sobre o tema.

Vito Villar, coordenador de Comércio Internacional da BMJ Consultores, explica ao Terra que a mudança na composição do Legislativo pode interferir diretamente na agenda comercial americana.

"Para o Brasil, o ponto central são as tarifas. O Senado americano já aprovou o fim do tarifaço contra o Brasil, mas o texto parou na Câmara republicana. Uma Câmara democrata poderia destravar isso, embora Trump ainda tenha o poder de veto. Em jogo está um comércio de cerca de US$ 135,7 bilhões por ano."

O especialista ressalta que a mudança no Congresso não significa necessariamente uma alteração na política externa americana. Como as diretrizes diplomáticas são definidas principalmente pela Casa Branca, a estratégia de Trump para a América Latina deve continuar concentrada em segurança, combate ao narcotráfico e aproximação com governos de direita.

"Um Congresso democrata não muda essa linha, mas pode fiscalizar mais e ser mais crítico às tarifas e à pressão política sobre o Brasil", afirma Villar.

Trump pode adotar postura mais agressiva se perder maioria

A possibilidade de perder o controle do Congresso também levanta dúvidas sobre como Trump reagiria a um eventual revés eleitoral. Uma das hipóteses é que o presidente tenha mais dificuldades para colocar sua agenda em prática e precise negociar com os democratas. Outra possibilidade, porém, é que tente compensar a perda de espaço legislativo com medidas mais incisivas em outras áreas.

Para Ricardo Leães, professor de Relações Internacionais da ESPM, não é possível prever uma reação única caso os republicanos percam a maioria nas duas Casas. "Eu tenho visto algumas pessoas imaginando que, se ele perder a maioria nas duas casas, ele vai ser obrigado a se retrair. Seria como se o Donald Trump fosse para dentro da jaula, como se ele, de alguma forma, adotasse uma postura mais moderada. Mas eu imagino que o contrário também possa ser verdadeiro", avalia.

Na análise do professor, Trump poderia buscar outras formas de demonstrar força política, inclusive com ações mais duras na América Latina. O Brasil poderia voltar ao centro de tensões diplomáticas, especialmente diante das divergências entre o governo americano e a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.

"Talvez, se o Donald Trump perder essas eleições, se ele perder essas maiorias, ele busque uma saída alternativa, ele busque uma medida ainda mais agressiva para ele ter algum tipo de vitória nessa situação", afirma Leães.

O especialista destaca que o hemisfério ocidental é tratado como prioridade estratégica pela atual administração americana. Por isso, uma eventual derrota republicana no Congresso não deve ser interpretada automaticamente como um sinal de redução da pressão sobre os países latino-americanos.

Fonte: Portal Terra
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