Corpo de Bin Laden não foi lançado ao mar, diz WikiLeaks
7 mar2012 - 08h22
(atualizado às 09h23)
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O corpo do ex-líder da Al-Qaeda Osama bin Laden não foi lançado ao mar como disseram as autoridades americanas, mas levado para os Estados Unidos em um avião da CIA (agência de investigação do país), afirmou o WikiLeaks ao jornal espanhol Público.
E-mails da Stratfor Global Intelligence, empresa privada de segurança conhecida como "CIA na sombra", aos quais teve acesso o Público e outros jornais do mundo todo, revelam que o sepultamento de Bin Laden em alto-mar nunca aconteceu. Ele foi assassinado por um comando especial de forças americanas em 2011 em Abbottabad, no Paquistão.
Em mensagem classificada como "superconfidencial" pelo Público, Fred Burton, um dos diretores da empresa com sede no Texas, diz: "fui informado que trouxemos o corpo. Graças a Deus". O e-mail tem o título de "OBL", o que o jornal espanhol interpretou como as iniciais de Osama bin Laden.
Na mensagem seguinte, Burton escreve "(alpha) O corpo esta a caminho de Dover, Delaware, em um avião da CIA", detalhou o Público, que explicou que a palavra-chave (alpha) significa que a informação é "limitada a uma reduzida cúpula de máxima responsabilidade na corporação". O jornal assinalou que em Dover há uma base da Força Aérea dos Estados Unidos.
"Depois seguirá até o Instituto de Patologia das Forças Armadas em Bethesda", perto de Washington, acrescenta Burton, ex-agente especial do Serviço Secreto Diplomático do Departamento de Estado dos EUA.
Em outra mensagem no contexto de uma conversa entre analistas da Stratfor, Burton revela que "o corpo segue em direção a Dover e já deveria ter chegado".
"Se o corpo foi jogado no mar, coisa que duvido, seria um toque muito ao Adolf Eichmann. A Tribo fez o mesmo com as cinzas desse nazista. Nós quereríamos ter a fotografia, o DNA, as impressões digitais, etc... Seu corpo é como a cena de um crime e não concebo que o FBI (polícia federal americana) e o Departamento de Justiça permitissem semelhante coisa", aponta Burton em uma conversa posterior.
Conforme o governo dos Estados Unidos, o corpo de Bin Laden foi levado de Abbottabad ao porta-aviões Carl Vinson, no mar de Arábia, onde seguindo os costumes islâmicos foi lavado e envolvido em um sudário branco, para depois ser colocado em uma bolsa carregada com pesos e jogado ao mar.
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1. A pista do caminho. A pista para Bin Laden foi obtida em interrogatórios na Prisão de Guantánamo, quando a Inteligência dos EUA Unidos descobriu o nome, em 2007, do mensageiro de Bin Laden. Em agosto de 2010, descobriu-se que ele frequentava uma mansão de Abbottabad, no Paquistão
Foto: Getty Images
2. O informante. O responsável por liberar o nome do mensageiro é Hassan Ghul, ligado à Al-Qaeda e sobre o qual pouco se sabe. Ghul, que teve seu nome mencionado pela primeira vez em um relatório pós-11/9, teria sido capturado em 2004, na fronteira iraniana e passado dois anos preso sob a guarda da CIA
Foto: AFP
3. Indícios da mansão. Diversos fatos aumentaram as suspeitas de que Bin Laden moraria na mansão de Abbottabad: a casa não tinha acesso à internet nem linha telefônica, era equipada com altas paredes e tinha seu lixo domiciliar queimado rotineiramente. A mansão é avaliada em US$ 1 mi
Foto: Getty Images
4. Preparativos. A missão, executada em 2 de maio, foi precedida por pelo menos cinco encontros, realizados ao longo de seis semanas, com o presidente americano, Barack Obama. Nos meses antecedentes à missão, a CIA utilizou aviões não-tripulados em missões secretas para vigiar o complexo residencial
Foto: AFP
Das investigações secretas à ação polêmica: relembre 20 fatos e curiosidades da caçada e da morte de Osama bin Laden
Foto: AFP-Getty/Arte / Terra
5. Localização suspeita. Abbottabad fica a 100 km de Islamabad e a menos de 1 km da Academia Militar do Paquistão. Isto levantou rumores sobre uma suposta cumplicidade da Inteligência paquistanesa com o terrorista saudita. Estima-se que Bin Laden tenha morado por 5 anos no local
Foto: AFP
6. Sigilo absoluto. Nenhum governo estrangeiro foi avisado da missão, nem mesmo o paquistanês
Foto: AFP
7. A equipe. A operação foi realizada com quatro helicópteros com soldados de elite da SEALs ("Sea, Air, Land", ou "Mar, Ar e Terra", em tradução livre). A equipe contava com 80 soldados, cujas identidades permanecem desconhecidas, e um cachorro
Foto: AFP
8. Recepção a fogo. Os soldados americanos foram recebidos com tiros e foguetes. Um dos helicópteros foi atingido e caiu. Para eliminar os vestígios, os soldados - nenhum dos quais se feriu - atearam fogo ao equipamento
Foto: AFP
9. Invasão e tiros Os soldados desceram dos helicópteros dentro da área da mansão e começaram a invasão. Houve trocas de tiros na entrada entre os soldados e o mensageiro de Bin Laden. Dentro do recinto, os soldados enfrentaram uma "situação adversa", devido à escuridão e à grande quantidade de pessoas
Foto: AFP
10. Localização e morte. Bin Laden foi encontrado em um quarto da casa, onde buscou proteção atrás de uma de suas mulheres. Ele, que não estava armado (embora perto houvesse uma arma), morreu com um tiro na cabeça
Foto: AFP
11. Outras mortes e capturas. Além de bin Laden, cinco pessoas morreram: seu mensageiro, um irmão, um filho e uma mulher. Quatro crianças e duas mulheres foram levadas em uma ambulância
Foto: AFP
12. "Geronimo EKIA". Obama e membros do governo acompanharam a missão ao vivo. A morte de Bin Laden foi comunicada a Obama com a expressão "Geronimo EKIA": Geronimo (como foi batizada a operação) enemy killed in action (inimigo morto em ação)
Foto: AFP
13. Anúncio histórico. Algumas horas depois, Obama foi à televisão e comunicou ao vivo para os EUA e o mundo que Osama bin Laden, após quase 10 anos de buscas, havia sido morto. O comunicado foi visto, somente nos EUA, por mais de 55 milhões de pessoas
Foto: AFP
14. Dez anos em 40 minutos. Toda a operação (desde a chegada dos helicópteros até a retirada de cena) durou aproximadamente 40 minutos
Foto: AFP
15. Enterro no mar. Bin Laden foi enterrado pelos soldados americanos no mar. A localização é desconhecida
Foto: AFP
16. Sem imagens. As fotos de Bin Laden morto jamais foram divulgadas. A Casa Branca decidiu no dia 4 de maio, dois dias após a ação em Abbottabad, que as imagens, devido ao seu conteúdo forte, seriam mantidas sob sigilo
Foto: AFP
17. A foto falsa. Algumas horas após a notícia da morte de Bin Laden tomar noticiários por todo o mundo, divulgou-se uma suposta imagem de Bin Laden morto. Mais tarde, descobriu-se que a foto, de baixa qualidade, era falsa
Foto: AFP
18. Baixa de combate ou assassinato? Bin Laden não estava armado no momento em que foi morto. A baixa foi justificada pela condição supostamente adversa encontrada pelos soldados na mansão, mas levantou muitas dúvidas sobre o real objetivo da missão
Foto: AFP
19. A versão oficial. Autoridades do governo dos Estados Unidos reiteraram repetidas vezes que o objetivo da missão era encontrar Bin Laden e capturá-lo com vida para submetê-lo a julgamento
Foto: AFP
20. A versão extra-oficial. Apesar da versão oficial, a missão foi alvo de duras críticas, segundo as quais o objetivo seria assassinar Bin Laden. "Nunca esteve em questão se era necessário detê-lo ou capturá-lo. (...) Ninguém queria prisioneiros", afirmou uma fonte da inteligência dos EUA à revista New Yorker